Por Maurício PaulucciÉ consenso que o Cruzeiro não tem um time suficientemente bom para brigar na ponta de cima da tabela. O fato de o time celeste estar na parte de cima da tabela se deve muito ao ajuste tático que Celso Roth conferiu ao time. No entanto neste domingo, o treinador não conseguiu mudar a apatia do time quando a equipe azul sai atrás no placar. Foi numa noite sem poder de recuperação que o Cruzeiro perdeu em casa para a Ponte Preta, tolhendo as melhores pretensões de sua torcida.


Se por um lado a equipe celeste não soube marcar gols, por outro o time mostrou que sabe fazer faltas. No campeonato já são 339 infrações. E foi exatamente em uma falta desnecessária cometida pelo volante Charles, que adora parar o jogo, que o gol da vitória da Ponte Preta saiu. Fábio, que há bastante tempo não falhava, aceitou uma cobrança fraca e de longa distância do ex-cruzeirense Marcinho. Ponte Preta 2 a 1.


O Cruzeiro começou bem, pressionando e jogando com uma linha de três na frente com Borges centralizado, Wallysson pela esquerda e Montillo pela direita, configurando praticamente um sistema 4-2-1-3, com Tinga um pouco mais adiantado. Gilson Kleina, treinador da Ponte Preta, parece ter estudado os jogos anteriores da Raposa, pois colocou o velocista Rildo, em cima do lateral direito Ceará que não conseguia acompanhar o ponta pontepretano e em muitas oportunidades, o cansaço impediu o lateral de voltar para marcar.
A Macaca no alto da sua humildade fez o jogo dela, se segurou bem defensivamente e aproveitou bem os contra ataques. O primeiro gol da Ponte nasceu de uma bola perdida no meio campo por Charles, que mais tarde se tornaria um dos personagens da partida. A bela enfiada de Marcinho deixou Cicinho livre para abrir o placar. Aliás, Cicinho este que ao lado de Rildo foi o melhor em campo, principalmente no segundo tempo, quando Celso Roth liberou mais o lateral Diego Renan em virtude do cansaço de Ceará, que ficou mais defensivo na etapa complementar. E quando Diego Renan se aventura no ataque é de praxe que se abra um rombo no lado em que ele ocupa.
É óbvio que um time sem investidas pelos flancos perde muito, porém esse tipo de proposta de jogo só é eficaz se tiver uma cobertura bem feita pelos volantes, que neste jogo estavam preocupados em marcar na parte central do gramado e deixavam a cobertura do lado do campo um pouco negligenciada. É importante dizer que esse controle da subida alternada dos laterais tem sido importante defensivamente para o Cruzeiro, mas na partida de hoje, tal ação se apresentou falha e muito por isso a equipe azul se mostrou deveras desprotegida em seu setor defensivo.

Aliada a má distribuição celeste no campo de jogo, a atuação abaixo da média dos volantes cruzeirenses foi outro ponto negativo da esquadra mineira. O volante Charles, por exemplo, fez um primeiro tempo muito ruim, errando muito passes e perdendo muitas bolas, e em razão disso a torcida começou a vaiá-lo no fim da primeira etapa. Infelizmente, o jogador se abateu com os apupos que vinham das arquibancadas e em uma atitude infantil, Charles ironizou a torcida gesticulando para que os presentes no estádio o vaiassem mais. No intervalo, ele chegou a sugerir a Celso Roth sua própria substituição, caso assim quisesse o treinador celeste. Fato é que Celso Roth se omitiu e não tirou o volante que até fez uma boa segunda etapa amenizando as críticas da torcida.
Polêmicas à parte, o Cruzeiro, além da má formação tática da equipe, teve na partida outro ponto que merece ser destacado: o posicionamento do meia Montillo. O argentino começou jogando na ponta direita, onde fez as melhores jogadas (e onde tem jogado melhor, aliás), mas depois foi deslocado para a esquerda trocando de posição com Wallysson, que fez uma partida omissa e apática, muito diferente da partida contra o Palmeiras. Dessa forma, Montillo ficou isolado na esquerda durante o segundo tempo inteiro e produziu pouco. Há quem prefira que ele jogue centralizado, mas o Tinga hoje, apesar dos erros de conclusão, cumpriu muito bem essa função ocupando bem os espaços e sendo uma peça importante de conexão entre o meio e o ataque.
O Cruzeiro então passou a insistir muito em chuveirinhos na área, e depois de muitas tentativas sem sucesso, o gol de empate acabou surgindo em um cruzamento que Tinga interceptou e passou para Montillo, que fez ótima jogada pela ponta e tocou para Borges só empurrar para as redes.
O alvinegro de Campinas tem um time feio, ruim mesmo. Porém é eficaz. O Cruzeiro controlou o jogo inteiro, mas sem oferecer muito risco ao gol de Roberto. Este tem sido um problema comum nos jogos do time celeste, nos quais a equipe tem posse de bola, mas não arrisca e muito menos finaliza exceção feita a Borges, que em alguns momentos de jogos parece ser o único responsável por lances mais agudos nas partidas.
Se por um lado a equipe celeste não soube marcar gols, por outro o time mostrou que sabe fazer faltas. No campeonato já são 339 infrações. E foi exatamente em uma falta desnecessária cometida pelo volante Charles, que adora parar o jogo, que o gol da vitória da Ponte Preta saiu. Fábio, que há bastante tempo não falhava, aceitou uma cobrança fraca e de longa distância do ex-cruzeirense Marcinho. Ponte Preta 2 a 1.
Celso Roth até tentou mexer no time colocando Souza e Wellington Paulista, mas o time não reagiu. Importante ressaltar que faltou ousadia na substituição de Tinga, quando o treinador poderia ter colocado o menino Élber, ao invés de Marcelo Oliveira.
Com a derrota o Cruzeiro colecionou seu terceiro revéz em casa e para melhorar, pode seguir uma receita que vem dando certo no seu maior rival. O Atlético-MG é um exemplo para o Cruzeiro no que se trata o aspecto emocional, que faltou ser mais bem ajustado hoje. O alvinegro mineiro tem poder de reação e não se abate ao tomar gols, diferente da esquadra celeste, que não tem o menor poder de recuperação.
Ao final da 14ª rodada, o que se pode dizer é que dificilmente o Cruzeiro vai brigar por Libertadores. A torcida celeste terá que se conformar com uma posição intermediária na tabela e torcer para que os cartolas azuis planejem melhor o ano de 2013. O próximo compromisso da Raposa é contra o Santos, fora, e é uma boa partida para o Cruzeiro deixar de lado uma palavra que tem caracterizado ele muito bem neste campeonato: instabilidade.

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