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domingo, 19 de junho de 2016

Imprensa espanhola coloca Douglas próximo do Cruzeiro; agente confirma negociação

Cruzeiro vai pagar dois milhões de euros pelo lateral-direito, diz a imprensa local (Foto:Cristina Quicler/AFP)

Por Gustavo Aleixo

O Cruzeiro está muito próximo de acertar a contratação de um jogador do Barcelona para a sequência do Brasileirão. Trata-se do lateral-direito Douglas, que está fora dos planos do clube catalão para a próxima temporada.
Neste domingo, os jornais Sport e Mundo Deportivo noticiaram que o Cruzeiro fez uma proposta de dois milhões de euros (cerca de R$ 7,7 milhões) pela compra de 60% dos direitos econômicos do jogador. O lateral, que tem contrato até junho de 2019 com o Barça, assinaria acordo de cinco temporadas com o clube celeste.
Segunda ambas as publicações, já existe um acordo entre os clubes, contudo, a negociação ainda depende de uma resposta afirmativa de Douglas para que seja confirmada. O grande obstáculo para a concretização da transação encontra-se no desejo do jogador permanecer na Espanha. Nos últimos dias, a imprensa local noticiou o envolvimento do lateral numa troca com Sevilla pelo também brasileiro Mariano.
Douglas chegou ao Barça em agosto de 2014, mas pouco atuou (Foto: Josep Lago/AFP)
Douglas chegou ao Barça em agosto de 2014, mas pouco atuou (Foto: Josep Lago/AFP)
Intermediário da negociação, o empresário André Cury confirmou as tratativas, mas destacou que, por ora, as equipes ainda estão discutindo a transferência do jogador. “Sou eu (que está à frente das negociações). Mas não tem nada certo ainda”, disse o agente ao Blog Sem Firula F.C.
Procurado pela reportagem, o diretor de comunicação do Cruzeiro, Guilherme Mendes, assegurou que nenhum dos dirigentes celestes se encontra na Europa neste momento e manteve a filosofia do clube de não comentar sobre movimentações de mercado.
Douglas, de 25 anos, chegou de forma inesperado ao Barcelona em agosto de 2014, quando o clube catalão pagou por 4 milhões de euros (aproximadamente R$ 12 milhões) pelo jogador junto ao São Paulo. Revelado pelo Goiás, o lateral-direito, que vem sendo alvo de constantes críticas da imprensa local, atuou apenas oito vezes pelo Barça desde que foi contratado, sendo apenas três destas partidas pela Liga Espanhola.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Pisano se acerta com o Independiente e chega nesta sexta ao Cruzeiro

Pisano é quinto reforço do Cruzeiro para 2016 (Independiente/Divulgação)

Por Gustavo Aleixo


O argentino Matías Pisano é o novo reforço do Cruzeiro e chegará nesta sexta-feira a Belo Horizonte para assinar vínculo com o clube celeste. O agente do jogador de 24 anos, Ezequiel Manera, confirma a informação.

Em contato com a reportagem do Blog Sem Firula F.C., o agente confirmou a negociação e afirmou que Pisano assinará contrato por três temporadas com a Raposa. Segundo Manera, Pisano abriu mão da rescisão contratual com o Independiente, ficando livre para fechar com o Cruzeiro.

Segundo a imprensa argentina, o armador teria direito a receber 250 mil dólares (cerca de R$1 milhão) do clube portenho. Para contratar Pisano, o Cruzeiro adquiriu 50% dos direitos econômicos do jogador junto ao Independiente por 900 mil dólares (aproximadamente R$ 3,6 milhões).

Os valores da negociação envolvem o abatimento da dívida do Independiente com o clube mineiro (cerca de R$ 2,7 milhões) pelo não pagamento dos salários do atacante Ernesto Farías, emprestado pelo Cruzeiro aos Rojos entre 2012 e 2013.

Matías Pisano foi revelado pelo Chacarita Juniors – ainda dono de 50% dos direitos do atleta –, onde atuou de 2008 até 2013 até assinar pelo Independiente. Pelos Rojos, o jogador disputou 99 partidas e marcou sete gols. O veloz meia de 1,66 metros de altura atua caindo pelo lado direito e foi descrito por seu agente como um “enganche” – alcunha dada aos tradicionais camisas 10 argentinos.

Além de Pisano, o Cruzeiro já acertou as contratações do volante argentino Sánchez Miño, do meia Bruno Nazário, e dos atacantes Rafael Silva e Douglas Coutinho. Estes dois últimos serão apresentados oficialmente na tarde desta quinta-feira.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Jornal argentino aponta Cazares “apalavrado” com o Galo; Meia cita interesse do Cruzeiro

Na mira do Atlético-MG, Cazares afirmou que o Cruzeiro também mostrou interesse em sua contratação (Banfield/Divulgação)

Por Gustavo Aleixo


Atlético-MG e Cruzeiro prometem fazer um clássico fora das quatro linhas pelo meia equatoriano Juan Cazares, de 23 anos, que atualmente defende o Banfield, da Argentina. Nos últimos dias, o nome do jogador tem aparecido com frequência no noticiário atleticano, porém, o armador, em entrevista à Rádio La Deportiva, do Equador, afirmou que o clube celeste também manifestou interesse em sua contratação.

“Também tem o Cruzeiro. Estou em férias, e ainda não estou vendo isso. Há sim (opções). Mas ainda não tem nada de concreto”, disse o armador.

Apesar de Cazares afirmar que o Cruzeiro também está de olho em seu futebol, o meia equatoriano já estaria apalavrado com o Atlético-MG. É o que informou, nesta terça-feira, o jornal argentino Olé, que define como avançadas as negociações entre o Banfield e o Galo.

“Na cabeças dos dirigentes do Talandro (como é chamado o Banfield) o único tema que importa no momento é Juan Cazares. O Atlético Mineiro (onde joga Lucas Pratto) vem com tudo pelo equatoriano. O clube brasileiro negocia com a diretoria do Banfield, que tem 50% do passe do jogador, e o quer o quanto antes. Além disso, a situação está muito avançada, já que entre o atacante e o Galo existiria um acordo verbal”, coloca o jornal argentino.

Apalavrado ou não com o Atlético-MG, o jogador equatoriano está no meio de um imbróglio entre sua atual equipe e seu clube formador, o Independiente del Valle, do Equador. Isto, porque as diretorias de ambas os times afirmam serem donas da maior parte dos direitos econômicos de Cazares.

Segundo a cúpula do clube equatoriano, Cazares está apenas emprestado ao Banfield. Já a diretoria do time argentino afirma ter exercido o direito de compra do armador ao final deste ano, o que, inclusive, complicaria bastante a transferência do meia para o Atlético-MG.

Jornal argentino Olé afirmou que Cazares tem um acordo verbal com o Atlético-MG (Reprodução)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Agente confirma acordo verbal entre Cruzeiro e Atlético-PR por Douglas Coutinho

De acordo com Taciano Pimenta, empresário do atacante, o negócio será definido na próxima segunda; jogador, de 21 anos, chegaria por empréstimo de um ano ao Cruzeiro

Douglas Coutinho conviveu com leões em 2015 e não fez uma boa temporada pelo Atlético-PR (Gustavo Oliveira/CAP)


Por Gustavo Aleixo


O Cruzeiro deve confirmar o primeiro reforço da “Era Deivid” na próxima segunda-feira. Trata-se do atacante Douglas Coutinho, de 21 anos, que atualmente está no Atlético-PR. Em contato com a reportagem do Blog Sem Firula F.C., o empresário do jogador, Taciano Pimenta, afirmou já existir um acordo verbal para que o atleta seja emprestado por um ano ao clube celeste.

“Nós falamos com Renato Duprat (representante da Doyen Sports, fundo de investimento que comprou o jogador em 2014) sobre o interesse do Cruzeiro. A gente precisa compor as partes, no caso o Atlético-PR, a Doyen Sports e o atleta, mas nós praticamente chegamos a um acordo”, confirmou.

De acordo com Pimenta, o negócio só não foi finalizado, porque será realizada, neste sábado, a eleições para novo presidente do Atlético-PR. O empresário, contudo, garante que a mudança na presidência do clube não irá mudar o rumo das negociações, já que o atual mandatário atleticano, Mário Celso Petraglia, permanece no comando do Furacão até o fim do ano.

“O negócio só não evoluiu em virtude das eleições do Atlético-PR. O presidente pediu para esperar segunda feira para definirmos alguns detalhes. (A eleição de um novo presidente) Não muda nada não, porque quem ganhar a eleição amanhã assume em janeiro. O Douglas (Coutinho) não fica no Atlético no ano que vem, já está definido. Agora é esperar a segunda-feira para finalizarmos o negócio”, ressaltou.

Douglas Coutinho defendeu a seleção
brasileira sub-21, em 2014
(Arquivo Pessoal)
Douglas Coutinho surgiu bem na temporada passada, principalmente no Brasileirão, quando marcou sete gols em 28 jogos pelo Atlético-PR na competição. O bom desempenho fez com que a Doyen Sports pagasse 4,5 milhões de euros (15 milhões de reais na época) por 70% dos direitos econômicos do atacante.

O desejo do fundo de investimento era que o jogador deixasse de imediato o Atlético-PR, no entanto, Douglas permaneceu em Curitiba após receber um aumento salarial no clube paranaense. O investimento, contudo, não deu resultado na atual temporada, tendo em vista o desempenho ruim do atacante, principalmente no Campeonato Brasileiro, onde marcou apenas dois gols.

“Quando ele foi vendido para a Doyen Sports, ele já ia sair de imediato, mas o Atlético pediu para que ele ficasse, houve uma valorização, aumento de salário e ele ficou satisfeito, feliz. Só que, infelizmente, o Douglas teve muitas lesões, não teve uma sequência boa e o ano não foi proveitoso. Mas, já era esperado pelo fundo, que comprou o jogador, e pelo Atlético-PR que ele não ficaria para o próximo ano”, colocou Taciano Pimenta.

Se Douglas Coutinho recuperar seu futebol no Cruzeiro, e a diretoria celeste resolver comprar o jogador em definitivo, o clube celeste terá que abrir os cofres. Segundo Pimenta, o atacante tem contrato até julho de 2017 com o Atlético-PR e possui uma multa rescisória avaliada em 10 milhões de euros (aproximadamente R$ 42 milhões).

terça-feira, 2 de junho de 2015

Azar para uns, sorte para outros



Por Saulo Assunção


Em meio a denúncias, prisões e renúncias no cenário internacional do futebol (depois escreverei mais sobre isso), dirigentes do Cruzeiro, na tarde desta terça-feira, se reuniram com o, até então, técnico celeste, Marcelo Oliveira, para definirem o futuro do treinador no clube. É de fato e conhecimento de todos que a equipe azul não vem apresentando o mesmo futebol que encantou e conquistou o Brasil nas duas últimas temporadas. Mudanças na base do time, venda das principais peças – e de alguns coadjuvantes que pareciam nem tão essenciais, mas que hoje deixam o torcedor cruzeirense com saudade – e uma fraca reposição de elenco fizeram com que o atual bicampeão brasileiro caísse vertiginosamente de produção.

O plantel forte dos dois últimos anos se tornou frágil e vulnerável, com jogadores que antes exerciam a função de compor elenco se tornando titulares absolutos. As contratações prometidas pela diretoria para repor os atletas vendidos não chegaram ou não foram à altura dos que foram negociados. O que chegou, de fato, foi a conta de Marcelo Oliveira - sem ao menos ele ter solicitado. Após o fiasco no Campeonato Mineiro, a vexatória desclassificação em casa na Libertadores da América e o pior início do Cruzeiro em campeonatos brasileiros na era de pontos corridos, Marcelo não resistiu.

Marcelo Oliveira deixa o clube com o excelente aproveitamento de 68,4% (Gualter Naves/Light Press)

Não resistiu ao carma do futebol brasileiro de creditar ao técnico grande parte do sucesso ou insucesso de um time. Levanto a seguinte questão: cabe somente ao técnico a responsabilidade pelos resultados obtidos? Claro que não! Irei focar meu raciocínio naquele que é o aspecto primordial dentro do futebol, no caso, os jogadores.

Muito do que acontece em campo é fruto da capacidade, dedicação e empenho dos atletas. Cabe também nesta lista - acredite ou não - a tal da sorte. Então, por que tantos técnicos caem sem ao menos completar um ano no cargo de uma equipe brasileira? Simples. É muito mais fácil demitir uma única pessoa do que reformular um elenco na metade do ano. Marcelo Oliveira foi vítima do sistema administrativo de futebol patético que é praticado no Brasil, onde é aparentemente inviável manter um plantel qualificado por mais de dois anos, seja pelo assédio das propostas do exterior ou pelo simples fato que, para se fazer um time campeão, é preciso endividar o clube até o pescoço.
Luxemburgo será o substituto de Marcelo no Cruzeiro
(Site Oficial de Vanderlei Luxemburgo)


O Cruzeiro demitiu um dos mais qualificados e capacitados técnicos do país. Me impressiona, ainda mais, ver torcedores do time celeste agraciados com a saída do treinador. Sim, aquele mesmo que deu dois títulos nacionais para a equipe mineira nos dois últimos anos. Nem mesmo os impressionantes 68,4% de aproveitamento fizeram Gilvan de Pinho Tavares, presidente do clube mineiro, mudar de ideia. Agora, quem reassume o comando cruzeirense é Vanderlei Luxemburgo, que após começar a temporada - sabe-se lá por que - em alta no Flamengo, foi demitido semana passada, ampliando a sua sequência de trabalhos ruins em grandes equipes brasileiras, fato que tem se repetido há um bom tempo.

Marcelo Oliveira se foi, mas Marquinhos, Manoel, Mena, Willian e outros mais ficaram. Azar do Cruzeiro, sorte de quem contratar Marcelo.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Dupla Afiada



Titulares da base do Cruzeiro, Eurico e Bruno Edgar se completam em campo e
prometem manter a tradição de bons volantes formados no Clube

Por Gustavo Aleixo


Fotos: Bruno Senna
Há quem diga que eles são os motores da equipe júnior do Cruzeiro. Tal como o freio e o acelerador, são complementares. Eurico, de 19 anos, primeiro volante, é a cadência, o equilíbrio. Bruno Edgar, também de 19, segundo volante, é a saída em velocidade, o elemento surpresa.

Dentro de campo, os números 5 e 8 de suas camisas somam não apenas qualidade, mas também muitos títulos para a base cinco estrelas. Seguindo o caminho de volantes campeões revelados pelo Clube celeste, como Douglas e Ricardinho, Bruno e Eurico esperam levar para o profissional a parceria que tem feito tanto sucesso na equipe sub-20 da Raposa.

Como foi a trajetória de vocês até chegar onde estão?

Eurico:
Nasci na zona rural de Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte. Tive uma infância complicada pela situação financeira da minha família e também porque eu tinha várias crises de bronquite. Morava em um bairro mais afastado e de madrugada era aquela correria para chamar alguma pessoa que tivesse carro para me levar ao hospital. Jamais esperaria ter o reconhecimento e a saúde que tenho hoje.

Bruno Edgar: Minha infância foi toda na periferia de Salvador e foi muito difícil. Quando era menor, cheguei a fazer taekwondo. Eu tinha talento, cheguei à faixa verde e fui vice-campeão baiano, mas logo depois tive que escolher entre o futebol e as artes marciais. Pensando em ajudar minha família, escolhi o futebol.
Tantos desafios na infância trazem ainda mais valor à caminhada de vocês, não é mesmo?

E: Antes de chegar ao Cruzeiro, em 2008, eu treinava no Colégio Magnum. Eu e meu pai sofríamos muito porque não tinha um ônibus que nos levava para o bairro de Peões [em Santa Luzia], onde moro. O treino era tarde e o último [ônibus] era o das 22h. Às vezes, perdíamos o ônibus e tínhamos que andar oito quilômetros a pé.

B: Comigo foi bem parecido. Quando jogava no Bahia, minha mãe dava todo o dinheiro dela para eu pagar o transporte e, às vezes, eu tinha que pegar três ônibus. Pegava só dois e ia a pé até o centro de treinamento para devolver o dinheiro para ela. Deixei de ir ao treino várias

vezes porque faltou dinheiro.

Quais sãs as suas características dentro e fora de campo?

E: Gosto mais dessas coisas caipiras mesmo, como jogar truco, escutar música sertaneja. Em campo, meu estilo é parecido com o do Lucas Silva, marcando bem, distribuindo bem a bola e finalizando com qualidade de fora da área. Também gosto de conversar individualmente com meus companheiros, procurando passar energia positiva e liderar do meu jeito.

B: Sou extrovertido, mas sério dentro de campo. Atuo como um segundo volante que chega como elemento surpresa e a minha principal virtude é a velocidade.


Quais são os seus ídolos?

E: Me espelho no Luiz Gustavo [volante do Wolfsburg e da Seleção Brasileira], que é um cara
discreto dentro de campo, mas que cumpre muito bem a função dele. É um cara que todo mundo confia.

B: Eu vejo muito o Ramires [ex-Cruzeiro, jogador do Chelsea e da Seleção] jogar. É um cara muito humilde fora de campo e, dentro das quatro linhas, é um volante excepcional.

Vocês já treinaram na equipe profissional do Cruzeiro. Como foi essa experiência?

E: Foi muito bacana, até mesmo para eu voltar ainda melhor para o júnior e seguir atrás de vaga em definitivo no profissional.

B: Cheguei a ser relacionado para uma partida do Campeonato Mineiro, contra o Villa Nova. A primeira impressão que tive no Mineirão foi aquele calor da torcida vindo das arquibancadas. Assusta no início, depois você vai se acostumando. Foi, sem dúvida, uma grande experiência.

Como é ser um jogador do Cruzeiro? A fama sobe à cabeça?


B: O cara que nasce na favela não pode se esquecer das suas origens. Não é porque sou jogador do Cruzeiro que posso esquecer o que eu era. Quando vou para Salvador, passo na casa de todos, ando descalço, sem camisa, empino pipa, sempre mantendo a humildade.

E: É bacana. O pessoal te olha diferente, te respeitam mais. Tem que saber lidar com essa situação, não pode deixar subir a cabeça. Nesse ponto, humildade, educação e respeito são essenciais para que você vá longe na carreira.





** Matéria publicada originalmente na edição 121 da Revista do Cruzeiro

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Primeira de Muitas



Há 20 anos, com a conquista da Copa do Brasil, Cruzeiro afirmava
sua tradição copeira e dava início à hegemonia
celeste na competição


Por Gustavo Aleixo



Nas páginas heroicas e imortais celestes, uma competição merece um capítulo a parte. Com quatro títulos, o Cruzeiro é, ao lado do Grêmio-RS, o clube que mais vezes conquistou a Copa da Brasil. E foi justamente sobre o time gaúcho que a Raposa há 20 anos levantava pela primeira vez o troféu do mais tradicional torneio eliminatório do Brasil. Era o ano de 1993 e o clube estrelado disputava mais uma Copa do Brasil buscando afirmar em uma competição nacional a alcunha que começava a ser associada ao Maior de Minas: time copeiro.

“Costumo dizer que uma copa é diferente. Você tem que estar muito mais concentrado, porque são jogos eliminatórios. O Cruzeiro pegou gosto por esse tipo de torneio ganhando a Supercopa em 1991 e 1992, o que ajudou muito para que entrássemos na Copa do Brasil mais preparados”, lembra o ex-zagueiro celeste Célio Lúcio, que hoje é auxiliar técnico da equipe júnior da Raposa.

Com um time que unia jovens formados no clube, como Célio, e atletas experientes, o Cruzeiro não deu chances às outras equipes. Eliminando a Desportiva-ES, o Náutico-PE, o São Paulo, que seria o campeão da Libertadores daquele ano, e o Vasco da Gama-RJ, o Cruzeiro chegava a sua primeira final da competição para enfrentar o Grêmio.

O adversário já tinha história no torneio – foi campeão em 1989 e dois anos depois perdeu o bicampeonato para o Criciúma-SC por conta de um gol sofrido dentro de casa. Se isso não bastasse, em 1993 o Grêmio contava ainda com a presença de um talentoso craque no meio-campo. “O Dener era um baita jogador, muito nos moldes hoje do Neymar. Neutralizamos o futebol dele, o que foi importante para conseguirmos segurar o empate no Olímpico”, diz o defensor, que revela ter trocado de camisa com Dener: “Minha irmã guarda ela até hoje lá no interior”.



Naquele primeiro jogo, o goleiro celeste Paulo César foi o nome da partida. Em meio a uma forte chuva e a um bombardeio gremista, o arqueiro segurou o 0 a 0, garantindo uma boa vantagem para a segunda partida, no Mineirão. Uma vitória simples bastava para que a Raposa levantasse a taça. Para o jogo decisivo, o Cruzeiro não pôde contar com o zagueiro Luisinho, suspenso.  Da equipe júnior, foi chamado às pressas o beque Róbson, que logo em sua estreia nos profissionais ganharia seu primeiro título.


A vitória cruzeirense começou a ser construída pelo sempre decisivo Roberto Gaúcho, que, mesmo ardendo em 40º de febre, abriu o placar em um frangaço do goleiro Eduardo Heuser. Quatorze minutos depois, o volante Pingo empatou a partida e as equipes desceram para os vestiários em igualdade.

O segundo tempo era o tira-teima e o centroavante Cleisson, de cabeça logo no primeiro minuto, marcou pela sexta vez na Copa do Brasil aquele que seria o gol do título. “O Paulo Roberto cruzou bem muito bem. Eu estava no meio dos zagueiros e consegui fazer de cabeça. Aquele gol foi uma emoção muito grande para mim. Foi importantíssimo para a minha carreira, para eu ganhar confiança e me firmar ainda mais no Cruzeiro”, conta o herói do título, também formado no Clube.

Depois do gol, o Grêmio foi todo pressão. Porém, sob os olhares de mais de 70 mil pagantes, os jogadores cruzeirenses honraram as cinco estrelas no peito e seguraram o resultado. Quando o árbitro Renato Marsigila apitou o fim de jogo, o Mineirão explodiu em azul e branco. “Foi uma alegria muito grande no vestiário. Estavam todos lá, inclusive o presidente César Masci. Saímos no caminhão do Corpo de Bombeiros para a Avenida Afonso Pena, que estava tomada de torcedores. Quando converso com amigos sobre esse tempo fico muito feliz”, recorda Cleisson, que conquistaria, juntamente com Célio Lúcio, o bi da Copa do Brasil, em 1996.

*Matéria originalmente publicada na Edição 119 da Revista do Cruzeiro

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Mamma África

   
       Com um passado de superação, o camaronês Arnold agora só pensa em brilhar
com a camisa do Cruzeiro e trazer sua família para o Brasil 

Por Gustavo Aleixo




Fotos: Bruno Senna


Sobre seus olhos, ela adormece. Imóvel, aquela bola podia ser o mundo do garoto que dirige seu olhar para onde tudo começou. Camaronês, Arnold Gaston Meveng, de 17 anos, é mais um filho da África. A bola, que agora ele domina com primazia, sem deixá-la cair, nada mais é que uma metáfora para um menino africano que, como tantos outros, nasceu pobre e teve que se equilibrar em uma corda bamba, amarrada entre um presente cruel e um futuro repleto de incertezas. 

Ao lado de seis irmãos e três irmãs, a vida em Yaoundé, capital camaronesa, escancarava uma realidade repleta de mazelas, comuns a um continente que ainda exibe a olhos vistos as cicatrizes de um abandono quase que total. Naquela curta infância, o futebol jogado nas ruas era uma anestesia para o garoto que desde cedo deixou de ser criança para se tornar homem.

Talentoso, a bola lhe caíra bem. Com a sua perna esquerda, as peladas disputadas sob o forte sol africano lhe dariam a primeira chance de mudar o seu destino. Aos 11 anos, ele saiu de seu país para buscar reconhecimento em terras distantes. O caminho apontava para a cidade de Palma de Mallorca, na Espanha, onde ele passaria a treinar nas categorias de base do Mallorca, equipe que anos depois revelaria para o mundo o maior ídolo africano de Arnold: o compatriota Samuel Eto’o. “É um cara que quero seguir não apenas em campo, mas também nas atitudes e no comportamento. O Eto’o é um exemplo para a África e está sempre ajudando as pessoas em Camarões”, revela.

A sorte que Eto’o teve no clube espanhol não foi a mesma de Arnold. Ainda muito jovem, o garoto teve seus sonhos frustrados e voltou para seu país. No entanto, o retorno à África seria breve. “Um empresário, Fabrício Zanello, me viu jogar um campeonato em Camarões. Ele gostou do meu futebol e me trouxe para o Olé Brasil [equipe de Ribeirão Preto-SP]. Quando cheguei ao Brasil pensei: ‘Que país maravilhoso!’”

A alegria logo se transformou em hesitação. Passados quatro dias no Brasil, Arnold adoeceu. Sem saber falar português, ele teve medo, mas voltar para a África já não era mais uma opção. “Liguei para a minha mãe falando que eu queria ir embora. Meu pai disse que não. Falou como era a situação lá em Camarões e que eu tinha que ficar”, relembra.

Assim, Arnold teve que aprender a se comunicar. Na companhia dos brasileiros, as primeiras palavras pronunciadas não orgulham muito o garoto africano. “O que aprendi primeiro foram os palavrões [risos]. O pessoal brincava muito comigo, falava que eu só xingava. Mas com a ajuda da internet, da televisão e dos meus companheiros, fui me adaptando. Até sambar eu já sei [risos]”, conta ainda em um português cheio de sotaque. Ambientado ao novo país, Arnold se destacou no Olé Brasil e acabou chegando ao Cruzeiro em novembro de 2010. Depois de William Andem, goleiro camaronês que defendeu a meta celeste entre os anos de 1994 e 1996, o Maior de Minas voltava a contar com um jogador africano. 

Desde a sua chegada, a agora jovem promessa estrelada vem evoluindo, já tendo sido convocado para as equipes sub-17 e sub-20 dos Leões Indomáveis, apelido emblemático da seleção de Camarões, que também traduz muito bem o futebol de Arnold em campo. Dentro das quatro linhas, o jogador, que carrega nos punhos as cores de Camarões, mostra suas presas e demarca seu território não apenas como um rápido lateral-esquerdo, mas também em outras posições, como volante e meio-campista. 

Tendo como tutores no Brasil os técnicos da Raposa e em Camarões ninguém menos que Roger Millar, maior ícone do futebol camaronês, Arnold, hoje titular da equipe juvenil celeste, quer um dia trazer sua família para Belo Horizonte e pôr fim à distância que ainda o incomoda muito. “Converso com meus pais três vezes por semana pela internet, mas é sempre algo difícil. A internet em Camarões não é barata. Eles vão à lan house e pagam caro para conversarem comigo”, ressalta.

Para ter sua família por perto, Arnold quer seguir mudando seu destino. De uma infância pobre em Camarões, ele já mudou bastante coisa em sua vida. Com o sorriso no rosto de quem encara as dificuldades como um rito de passagem para dias melhores, o jovem craque rascunha nos gramados o conto de um menino que podia estar esquecido na África, mas que agora quer marcar seu nome na história do Cruzeiro e ser lembrado por toda uma Nação Azul.

*Matéria originalmente publicada na Edição 119 da Revista do Cruzeiro

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Muro da Esperança



Sob o olhar atento dos pais, jovens vindos de diferentes regiões do Brasil
participam de testes na Toca da Raposa I
para realizarem o sonho de se tornarem jogadores de futebol
Por Gustavo Aleixo




Fotos
: Bruno Senna 

Durante todo o ano, o Cruzeiro realiza vários testes na Toca da Raposa I para atrair novos jogadores que, no futuro, poderão ostentar a camisa estrelada no time profissional. Para isso, o Maior de Minas sempre está de portas abertas, dando a chance para atletas que não foram descobertos pelos observadores técnicos do Clube mostrarem suas qualidades. 

Participam desse primeiro processo, jovens inscritos no site do Clube e que atuam em escolinhas de futebol, estudam em alguma instituição de ensino e que estão aptos, sob atestado médico, à prática esportiva. Aprovado, o atleta passará por outras duas seleções para se tornar jogador do Cruzeiro. Assim, a Raposa mantém a qualidade com que capta promessas para as categorias de base.

Sonhos à prova

Na casa de muitos garotos que batiam à Portaria 2 da Toca da Raposa I, aquela terça-feira de forte calor significava um dia que já estava marcado no calendário. Era a seletiva para as categorias pré-infantil e infantil, o começo de um sonho que muitos meninos alimentam desde pequenos: ser jogador de futebol.

Um a um, os atletas se apresentavam. Rápida checagem do nome e eles adentravam o lugar onde vários craques entraram desconhecidos e saíram rumo ao estrelato. Alguns não se contêm e, em um ligeiro rolar de olhos, miram o gramado, talvez construindo em pensamento a melhor forma de mostrar o seu valor. Era apenas o primeiro de três dias de avaliação. Duas horas diárias de treinos, que passaram velozes, principalmente à vista daqueles que não podiam entrar para incentivar e apoiar seus filhos.

Atrás dos muros, pais ignoravam a recomendação de que não fossem à Toca I. Alguns subiam no primeiro objeto que viam, outros ficavam em cima da garupa da moto e tinha até quem se equilibrava sobre duas tábuas cuidadosamente colocadas sobre uma enferrujada lata de tinta. Tudo isso para ver, em um camarote dos mais improvisados, a que pé andava aquele teste. Dentre eles, um chamava atenção. Ele espiava, como uma criança que olha pela fechadura, o que se passava do outro lado. Era o Seu Adalberto Celestino que veio de Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte, para ver seu filho Victor, de 15 anos, tentar uma vaga como atacante da Raposa. Uma fantasia que diz ser dele também.

De olho: Adalberto observa seu filho em campo
“Quem não quer jogar no Cruzeiro? Sempre tive vontade de jogar bola, mas nunca tive a oportunidade que ele está tendo. É o sonho de um pai que se realiza pelo filho. Todo lugar que ele vai, eu vou. Largo o meu serviço para ficar com ele, como pai tenho sempre que ajudar meu filho.  A gente fica com as pernas bambas. É como se fosse uma final de um campeonato isso aqui”, diz o senhor, que, mesmo no auge dos seus cabelos brancos, não esconde a emoção ao ver Victor entrar em campo.

“Conversa com esse aqui. Ele veio de longe”, grita um rapaz. Desce do muro, então, um sujeito de jeito simples, de fala arrastada e tranquila. Maurício Roberto dos Santos veio de Mogi Guaçú, município paulista a pouco mais de 160 quilômetros da capital, na esperança de ver o filho Guilherme, de 14, se tornar lateral-direito do Cruzeiro. ”Foram nove horas de viagem. Vim no escuro, me perguntando o que eu estava fazendo, onde estava levando meu filho”, relembra Maurício.


Para pai e filho, batalhar por cada oportunidade tem sido importante. Com o apoio de toda a família, o garoto já participou de outros testes, mas ainda não obteve sucesso. No entanto, a ajuda jamais cessou. “Tem cinco anos que nós corremos atrás. Todo mundo lá na cidade ajuda. É ‘vótrocínio’, ‘paitrocínio’. Um dá chuteira, outro paga a passagem. Somos uma família humilde e a gente faz o que pode”, ressalta. 

Para manter viva a esperança, Maurício gastou toda a pensão recebida pela previdência social por um acidente trabalhista, que o fez perder parte do dedo no fim do ano passado. Se não bastasse isso, a viagem para BH poderia também lhe custar o seu benefício. “Eu tinha uma perícia para avaliar a situação do meu dedo. Expliquei a situação e me disseram que a consulta passaria para sexta-feira. Pode ser que eu tenha que ficar aqui até lá e perca de novo a data”.

Maurício volta ao muro para ver os minutos finais da “peneirada”. A avaliação chega ao fim e, com a adrenalina mais baixa, seguimos conversando sobre tudo o que rodeava aquele dia. Em um rápido instante, ele não se segura e desaba. Com a fala embolada e com os olhos marejados, era notável que existia algo muito além daquele teste. “Tive um final de ano complicado”, recorda. Exatos sete dias após perder parte do seu dedo. Maurício descobrira que sua mãe estava muito doente. Um câncer nos rins havia sido detectado. O estado era terminal e um mês depois ela faleceu, não sem antes fazer uma importante promessa: iria comprar uma chuteira para o seu neto.

Em virtude da velocidade arrebatadora que evoluiu a doença, não foi possível que ela realizasse seu desejo. Honrando a promessa, Maurício e seu pai compraram, com a pensão recebida, a chuteira, a mesma que Guilherme utilizava naquela tarde. Aquelas palavras me atingiram em cheio. Apertei as mãos de Maurício. Desejei sorte, sabendo que já era impossível manter qualquer tipo de imparcialidade. Também passei a torcer por aquele menino. Dias depois, saiu o resultado da seletiva. Victor e Guilherme foram reprovados. A concorrência era muito forte. 

Os anos passarão, mas a esperança daquelas famílias se manterá viva no muro da Toca I e em outros lugares, para que Guilherme e Victor sigam atrás do sonho de serem jogadores de futebol. E, talvez consigam, quem sabe em um novo teste nos gramados da Toquinha.

Guilherme e o pai Maurício na Toca I: em busca do sonho de ser jogador de futebol
*Matéria originalmente publicada na edição 118 da Revista do Cruzeiro.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Fome Zero



Com início promissor na equipe profissional, Vinícius Araújo aposta no
apetite 
por gols para seguir chamando atenção no Cruzeiro

por Gustavo Aleixo



Fotos:
Bruno Senna 


Ele está com fome de bola. Natural de João Monlevade, no interior de Minas Gerais, Vinícius Araújo tem 20 anos, é do tipo caseiro, que come pelas beiradas, mas que em campo é imparável, principalmente dentro da área. Com o dom para marcar gols de tudo quanto é jeito, desde pequeno Vinícius mostrou ser um artilheiro nato. Nem que fosse nas peladas disputadas ao lado do pai ou nas aulas de educação física, o camisa 30 estava sempre pronto para colocar a bola na rede.

Tamanho talento fez com que o garoto desembarcasse, em 2007, em Belo Horizonte aos 13 anos e começasse a trilhar sua carreira no Cruzeiro. De maneira meteórica, a jovem promessa ascendeu aos profissionais este ano e já marcou seu primeiro gol no Mineirão. Seguindo a velha máxima de que “atacante que não faz gol morre de fome”, Vinícius que vencer no futebol, nem que para isso tenha que “ir para o almoço pensando no jantar”. Bom de papo, o centroavante falou à Revista do Cruzeiro sobre sua adaptação na equipe profissional e contou um pouco sobre sua vida fora dos campos, que de uns tempos para cá mudou, e muito.

Você nasceu em João Monlevade, cidade com pouco mais de 70 mil habitantes. Como foi a sua infância por lá?
Minha infância foi muito boa. Sempre ia para o clube com meus amigos. Na escola, minhas notas não eram das melhores, mas era o suficiente para passar [risos]. Com 10, 11 anos, eu também ia para a oficina do meu pai, mas ficava mais brincando de trabalhar do que ajudando. Tenho um irmão de 16 anos, o Gustavo, e uma irmãzinha de 1 ano e 6 meses, a Bianca. Ela é a minha inspiração. Sempre que faço gols dedico a ela.

Como você entrou no futebol?
Comecei nas escolinhas da minha cidade e sempre ia com o meu pai aos jogos dele. Ficava por lá e se não tivesse uma bola para brincar, eu pegava uma garrafa de um litro para chutar. Foi um interesse que surgiu desde cedo.

Seu pai era volante. Ele era bom de bola?
Ele é canhoto né? Falam que todo canhoto é diferenciado. No caso do meu pai, ele tem um estilo de jogo mais clássico, bate muito bem na bola e costuma até fazer uns golaços. Ele fala que me ensinou a jogar bola.

Então nas peladas vocês formam uma boa dupla.
Quando estou no time dele eu falo: “Pai, faz sua parte atrás que na frente eu faço a minha” [risos]. Quando a gente joga junto, o nosso time sempre sai vencedor nas peladas.

Você saiu de casa muito novo para jogar na base do Cruzeiro. Como foi chegar na cidade grande tão cedo?
Minha mãe ficou naquela insegurança. No começo foi muito difícil, mas, graças a Deus, sempre fui muito trabalhador e nunca deixei de acreditar no meu sonho.


Adaptado à BH, você foi se destacando até chegar o ano de 2012, quando começou a chamar a atenção da mídia.
Com o trabalho da base evoluindo e os jogos passando na televisão, eu estava sendo mais visado. Tinha jogo que eu passava em branco, aí na partida seguinte já tinha que marcar dois gols. Foi bom eu ter passado por tudo isso. No profissional a cobrança é maior e é sempre bom você desde cedo se acostumar com isso.

Foi na categoria de base que você aprendeu a dar entrevista?
[Risos] Verdade. O bom é que fui treinando. Na base, a gente dá um pouco de entrevista, mas não é igual no profissional. Gosto de ler livros e jornais para na hora das respostas não falar bobagem, porque depois você acaba virando até alvo de brincadeira dos colegas.

Você subiu ao profissional e não demorou muito para você fazer o seu primeiro gol. Como foi?
Foi muito emocionante. Na época, estava passando na TV [Globo] aquela novela O Profeta. Lembro que, antes da partida, eu tinha falado com o Elber que se eu entrasse iria fazer um gol. Acho que profetizei nesse jogo aí. [risos]

A camisa desse jogo ainda está guardada?
Está em um quadro lá em casa. Aquela camisa não vendo por nada. Nem para o meu pai eu vou dar. [risos]

Como é andar na rua como um jogador profissional?
No começo é estranho, porque você não está acostumado. Mas falo que o sonho da gente que vem da base sempre foi dar um autógrafo, tirar uma foto, ser reconhecido na rua. Então é um prazer poder viver isso hoje.

Fiquei sabendo que você tem até fã-clube agora.
Isso começou agora. [risos] No meu aniversário, umas meninas já vieram aqui [na Toca II] e fizeram um bolo para mim. Fico muito feliz com esse carinho e o que posso fazer agora é retribuir com gols.

Em 2013, o Cruzeiro comemora os 10 anos da Tríplice Coroa. O que você lembra daquele time, que tinha também vários atletas da base?
A primeira coisa que me vem à cabeça é o Alex, que é uma referência para todo mundo. É um cara fora de série, tanto dentro quanto fora de campo. Em 2003, também tinha muitos jogadores formados no Clube, então acho que a gente tem que levar esse fato como incentivo para que façamos também uma grande temporada.

*Matéria originalmente publicada na edição 118 da Revista do Cruzeiro.

terça-feira, 21 de maio de 2013

De Dançarino a Cão de Guarda

Cruzeiro/Divulgação

Por Gustavo Aleixo


Volante da base, Sávio deixa os passos do funk no passado

                 e sonha em se destacar no profissional do Cruzeiro



Cruzeiro/Divulgação


Se na década de 1970 o Cruzeiro tinha em seu elenco Joãozinho, o Bailarino da Toca, o time celeste pode ter no futuro bem próximo, Sávio, o dançarino celeste. É isso mesmo: a equipe cinco estrelas tem em sua base mais um jogador que dentro do futebol promete “dançar conforme a música”. Sávio, volante estrelado de apenas 16 anos, antes de se tornar jogador de futebol pensou em ser dançarino de funk. Para o bem da dança e da Torcida cruzeirense, o jovem talento azul garante que agora ele quer seguir somente a coreografia de um bom volante em campo: marcando forte e saindo para o jogo. “Gosto muito de funk e tinha vontade de ser dançarino de dança de rua. Depois que comecei no futebol deixei isso de lado [risos]”, revela.


Natural de Natividade, cidade carioca que, curiosamente, tem entre seus bairros o Cruzeiro de Cima e o Cruzeiro de Baixo, Sávio parecia ter traçado desde cedo seu destino como jogador do Clube cinco estrelas. Mas demorou para o garoto de ouro da base estrelada perceber que o futebol de campo era o caminho a ser seguido. “Eu só jogava bola na rua, a famosa pelada, e não queria nada com o campo. Meus pais sempre me pediam para eu ir lá, compravam chuteira e eu falava que ia, mas não ia. Depois me deu vontade de jogar, fiz a tentativa e não saí de lá mais.”

Peladeiro de carteirinha, Sávio lembra que no início não era um dos primeiros a ser escolhido na turma com quem jogava, mas depois de um tempo passou a ser a primeira opção para formar as equipes do “futebolzinho de rua”. Esse era o menino, que com nome inspirado no ex-jogador e craque Sávio, passou a mostrar, tempos depois, seu talento na escolinha de futebol da sua cidade, que lhe daria a chance de jogar pelo Maior de Minas.

“O time da minha cidade participou do 1º Circuito Base Forte [torneio de escolinhas de futebol, realizado pelo Cruzeiro] e venceu o torneio. Selecionaram cinco atletas da minha cidade para fazer teste no Toca da Raposa I, em novembro de 2009. Consegui passar e foi assim que vim parar no futebol”.

Há três anos no time celeste, o volante, um dos destaques da base azul, já recebeu algumas convocações para a Seleção Brasileira Sub-17. “Na minha primeira convocação, fiquei um período de oito dias de treinamento na Seleção visando o Campeonato Sul-Americano. Fui o único atleta do futebol mineiro a ser convocado. Fiquei famoso por um dia na minha cidade [risos]. Saí no jornal e tudo”, lembra, com um largo sorriso no rosto.

Sávio, que disputou no fim do ano passado, nos Estados Unidos, um torneio com a Seleção Brasileira Sub-17, tem como atributos a marcação forte e a agilidade em campo, que permitem a ele chegar como elemento surpresa no ataque. Segundo o volante, sua principal característica é ser um verdadeiro carrapato em campo, daqueles que não largam o jogador a ser marcado. E é exatamente assim que o volante se agarra a sua vontade de jogar nos profissionais da Raposa. “Jogador da base precisa de determinação, ser humilde, esforçado e buscar ser sempre o melhor. Se o treinador pedir para dar 10 voltas no campo, você tem que querer dar 15”, responde com muita personalidade.
Cruzeiro/Divulgação
Tamanho empenho tem, é claro, outro fator que o impulsiona a querer vencer no futebol: ter a oportunidade de jogar em um Mineirão “novinho em folha”. “O Raul Plassman, [coordenador das categorias de base do Clube] fala muito isso com a gente, que se subirmos para o profissional teremos a chance de jogar no Mineirão novinho. Com certeza, vai ser bacana demais”, afirma.

O jovem atleta tem como referências os companheiros de posição Ramires e Fabrício, ex-jogadores do Cruzeiro. Mas é principalmente em relação ao primeiro que Sávio guarda uma admiração especial. “O Ramires joga na mesma posição que eu. É um cara que até hoje é muito humilde e me inspiro nele por causa disso. É um jogador que nunca fez coisas erradas.”

A promessa celeste, que diz ter dificuldades para dormir à tarde, revela que sempre acompanha os treinos dos garotos mais novos e acaba se lembrando da sua chegada à Toca da Raposa I. Agora, o menino de Natividade-RJ é quem merece toda atenção e esperança por parte da Torcida. Com os mesmos pés que um dia quiseram seguir os passos do funk, o garoto agora quer dar longas passadas rumo a um lugar no time principal do Cruzeiro. “Está chegando o cão de guarda”, avisa. E é bom o Torcedor celeste se preparar, porque esse novo talento quer ir longe na carreira e com certeza não vai largar o osso até chegar lá.

*Matéria originalmente publicada na edição 117 (fevereiro/março) da Revista do Cruzeiro.



quarta-feira, 15 de maio de 2013

Guardado na Memória

Revista do Cruzeiro

Por Gustavo Aleixo


Goleiro cruzeirense no Mundial de 1976, 
Raul Plassmann relembra histórias do duelo contra o Bayern de Munique

Um bom jornalista não narra simplesmente os fatos, também conta boas histórias. Essa máxima das redações serve muito bem para o texto a seguir. Dizem que houve uma época em que os craques dentro de campo eram verdadeiros artistas e as linhas de apaixonados cronistas nasciam fáceis dos pés e das mãos dos gênios que habitavam os gramados.

Naqueles tempos memoráveis, uma equipe azul celeste colocava Minas Gerais no topo do futebol mundial. O ano era 1976, e com o talento de Dirceu Lopes, Joãozinho, Palhinha e cia. o Cruzeiro batia o River Plate e sacramentava a inédita conquista continental em um país que vivia sob uma brutal ditadura. “O terceiro jogo da decisão contra o River na Libertadores, em Santiago, foi à noite. Na época, o Chile vivia um momento político difícil e havia um toque de recolher às 23h, então, nós deixamos o gramado do Estádio Nacional direto para o hotel e de lá não podíamos sair”, revela o goleiro do time, Raul Plassmann.

Era o começo da caminhada celeste rumo à sua primeira participação no Mundial de Clubes, que inicialmente nem chegaria a se realizar, como conta Raul: "Nas decisões passadas aconteceram várias brigas entre argentinos e europeus. Por isso, os times da Europa não queriam mais jogar o mundial". Mas logo após a vitória na Libertadores, o Cruzeiro seguiu para a Europa em excursão. Durante a viagem, o técnico Zezé Moreira fez algo que colocaria o time estrelado frente a frente com a equipe que era a base da Seleção Alemã, campeã da Copa de 1974. "O Zezé foi até a Munique e em uma reunião com os dirigentes do Bayern combinou e marcou tudo”, recorda o goleiro.

Com o jogo agendado para o dia 23 de novembro de 1976, restava aos jogadores cruzeirenses a expectativa de duelar com craques, como Gerd Müller, Rummenigge e Beckenbauer. Juntamente com a perspectiva de enfrentar um grande adversário, surgia também a previsão de mais um implacável obstáculo para o time cinco estrelas.

A neve era um fato novo para toda a delegação azul que se deslocou até a Alemanha, mas algo viria a surpreender ainda mais o ex-arqueiro cruzeirense e arrancar boas risadas.

“Fizemos um reconhecimento do Estádio Olímpico. Estava treinando e quando encostei na trave para descansar, ela saiu do lugar. O campo era marcado conforme a grama do gol estivesse gasta, então a trave era móvel”, relembra.

Foi justamente após esse treino que aconteceu o fato marcante daquele Mundial para Raul, um ato de gentileza do goleiro alemão Sepp Maier. “Eu estava parado na porta do hotel e entrou um rapaz que não tinha tipo de alemão. Esse camarada perguntou se tinha algum descendente de alemão na equipe do Cruzeiro. Aí falaram: tem um tal de Raul Plassmann aqui. Me chamaram e me disseram que o Sepp Maier tinha mandado um par de luvas para mim, dizendo que eu provavelmente nunca havia jogado com neve. Ele ainda mandou informações de como utilizá-la”. Raul confessa que ficou desconfiado com tamanho ato de solidariedade. “Perguntei para o garoto: a luva é para mim? O rapaz respondeu: é para o goleiro do Cruzeiro. Ele nem sabia quem eu era [risos]”, lembra.


Gramado do Estádio Olímpico estava coberto de neve no jogo de ida do Mundial de 76 (Revista Placar)

Na chegada ao estádio, a expectativa por um belo gramado esverdeado sucumbiu à vista da trave que se confundia com a neve. “Falei comigo mesmo: cadê o campo?’” relata Plasmann. Após o apito inicial, o que se viu foi um belo jogo entre dois timaços. O Cruzeiro, mesmo com vários jogadores em condições físicas debilitadas, mostrou qualidade frente à principal equipe do mundo na época. Superando a sensação térmica de -15ºC e o gelo em campo, que mais parecia cascalho, a Raposa foi derrotada só nos minutos finais, quando Müller acabou por marcar os dois gols da vitória alemã. “O adversário era espetacular. Na verdade, o Cruzeiro não perdeu, o Bayern é que ganhou”, ressalta Raul.


Passados 36 anos após o jogo em Munique, várias memórias se mantêm vivas na cabeça do ex-goleiro, especialmente o caso da luva, que acabou recebendo novos capítulos. “No jogo de Belo Horizonte, comprei uma lembrança para ele, uma coisa típica daqui, mas não foi possível entregar o presente, já que a delegação alemã saiu rapidamente do Mineirão.”

“Anos mais tarde, fui comentar um jogo entre Brasil e Alemanha para a Rede Globo. Estava transmitindo o jogo junto com o Galvão [Bueno]. O Roberto Cabrini era o repórter de campo. No intervalo, ele colocou o fone no Sepp Maier, que era treinador de goleiros da Alemanha, e me disse: Raul, adivinha quem está aqui e quer te presentear com uma nova luva?’ Pus o fone e eu e o Sepp nos falamos em um inglês muito ruim [risos]”, completa.

Eram tempos em que as histórias surgiam, dentro e fora do campo. ”O jogo foi tão memorável, tão grandioso e reuniu tantos grandes jogadores, que o resultado ficou irrelevante”, destaca Raul, o eterno goleiro da camisa amarela. Daquela partida ficou algo muito além do que um placar ou de uma simples notícia estampada nos jornais. Naquela noite, foi feita uma história que, em Minas Gerais, apenas o Clube Cinco Estrelas pode ter o prazer de contar.





A partida de volta, no Mineirão, terminou empatada em 0 a 0 (Cruzeiro/Arquivo)

*Matéria originalmente publicada na edição 117 (fevereiro/março) da Revista do Cruzeiro.