Há
20 anos, com a conquista da Copa do Brasil, Cruzeiro afirmava
sua
tradição copeira e dava início à hegemonia
celeste na competição
celeste na competição
Por Gustavo Aleixo
Nas páginas heroicas e imortais celestes, uma competição merece um capítulo a parte. Com quatro títulos, o Cruzeiro é, ao lado do Grêmio-RS, o clube que mais vezes conquistou a Copa da Brasil. E foi justamente sobre o time gaúcho que a Raposa há 20 anos levantava pela primeira vez o troféu do mais tradicional torneio eliminatório do Brasil. Era o ano de 1993 e o clube estrelado disputava mais uma Copa do Brasil buscando afirmar em uma competição nacional a alcunha que começava a ser associada ao Maior de Minas: time copeiro.
“Costumo dizer que uma copa é diferente. Você tem que estar muito mais concentrado, porque são jogos eliminatórios. O Cruzeiro pegou gosto por esse tipo de torneio ganhando a Supercopa em 1991 e 1992, o que ajudou muito para que entrássemos na Copa do Brasil mais preparados”, lembra o ex-zagueiro celeste Célio Lúcio, que hoje é auxiliar técnico da equipe júnior da Raposa.
Com um time que unia jovens formados no clube, como Célio, e atletas experientes, o Cruzeiro não deu chances às outras equipes. Eliminando a Desportiva-ES, o Náutico-PE, o São Paulo, que seria o campeão da Libertadores daquele ano, e o Vasco da Gama-RJ, o Cruzeiro chegava a sua primeira final da competição para enfrentar o Grêmio.
O adversário já tinha história no torneio – foi campeão em 1989 e dois anos depois perdeu o bicampeonato para o Criciúma-SC por conta de um gol sofrido dentro de casa. Se isso não bastasse, em 1993 o Grêmio contava ainda com a presença de um talentoso craque no meio-campo. “O Dener era um baita jogador, muito nos moldes hoje do Neymar. Neutralizamos o futebol dele, o que foi importante para conseguirmos segurar o empate no Olímpico”, diz o defensor, que revela ter trocado de camisa com Dener: “Minha irmã guarda ela até hoje lá no interior”.
Naquele primeiro jogo, o goleiro celeste Paulo César foi o nome da partida. Em meio a uma forte chuva e a um bombardeio gremista, o arqueiro segurou o 0 a 0, garantindo uma boa vantagem para a segunda partida, no Mineirão. Uma vitória simples bastava para que a Raposa levantasse a taça. Para o jogo decisivo, o Cruzeiro não pôde contar com o zagueiro Luisinho, suspenso. Da equipe júnior, foi chamado às pressas o beque Róbson, que logo em sua estreia nos profissionais ganharia seu primeiro título.
A vitória cruzeirense começou a ser construída pelo sempre decisivo Roberto Gaúcho, que, mesmo ardendo em 40º de febre, abriu o placar em um frangaço do goleiro Eduardo Heuser. Quatorze minutos depois, o volante Pingo empatou a partida e as equipes desceram para os vestiários em igualdade.
O segundo tempo era o tira-teima e o centroavante Cleisson, de cabeça logo no primeiro minuto, marcou pela sexta vez na Copa do Brasil aquele que seria o gol do título. “O Paulo Roberto cruzou bem muito bem. Eu estava no meio dos zagueiros e consegui fazer de cabeça. Aquele gol foi uma emoção muito grande para mim. Foi importantíssimo para a minha carreira, para eu ganhar confiança e me firmar ainda mais no Cruzeiro”, conta o herói do título, também formado no Clube.
Depois do gol, o Grêmio foi todo pressão. Porém, sob os olhares de mais de 70 mil pagantes, os jogadores cruzeirenses honraram as cinco estrelas no peito e seguraram o resultado. Quando o árbitro Renato Marsigila apitou o fim de jogo, o Mineirão explodiu em azul e branco. “Foi uma alegria muito grande no vestiário. Estavam todos lá, inclusive o presidente César Masci. Saímos no caminhão do Corpo de Bombeiros para a Avenida Afonso Pena, que estava tomada de torcedores. Quando converso com amigos sobre esse tempo fico muito feliz”, recorda Cleisson, que conquistaria, juntamente com Célio Lúcio, o bi da Copa do Brasil, em 1996.
*Matéria originalmente publicada na Edição 119 da Revista do Cruzeiro


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