quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Mais do Mesmo


O período que vai do meio de Julho até o início de Setembro é inegavelmente o momento que define "quem é quem" no Campeonato Brasileiro. Os clubes passam a jogar duas vezes por semana, e nesse vai e vem de jogos torna-se mais claro as qualidades, ou na maioria das vezes, os defeitos das equipes que disputam o torneio.

O calendário, portanto, é cruel e pune quem não se preparou adequadamente para o campeonato. O tempo é implacável e não permite que os treinadores treinem de fato suas equipes, uma vez que os jogos são muitos próximos uns dos outros. De uma partida para outra resta tempo apenas para a regeneração dos atletas e olhe lá.

Mas pra não dizer que não falei das flores, fica um alento para os treinadores que desde já sofrem com seus elencos. A maratona de jogos pode ser sim positiva para aqueles que amargaram um infortúnio na última rodada. Ao contrário das rodadas iniciais, uma derrota não mais significa uma semana inteira de pressão e cobrança. Neste momento do campeonato, o time tem a chance de se recuperar no campeonato poucos dias depois de perder e assim, recuperar o bom astral da equipe. E é justamente nisso que apostavam Santos e Cruzeiro, que se enfrentaram na Vila Belmiro, em busca de esquecer as desanimadoras derrotas que sofreram na rodada passada.

Diante de um público decepcionante de pouco mais de 3000 pagantes, a bola rolava na vila mais famosa do mundo. O Cruzeiro repetia mais uma vez o painel tático de partidas anteriores para buscar um bom resultado. O Santos por outro lado, apostava suas fichas nos Meninos da Vila, que devido aos inúmeros desfalques da equipe de Muricy, ocupavam posições no time titular do Peixe nesta quarta feira. Uma verdadeira bomba para os garotos que tinham a missão de afastar a equipe praiana da zona vermelha do campeonato.

O jogo começou movimentado, com Montillo ditando os lances da partida. O meia argentino jogou mais uma vez pelo lado direito atraindo os volantes do Santos para a lateral e assim, acabava abrindo espaço para penetrações no meio do campo. Foram no mínimo duas bolas boas do camisa 10 azul, que encontraram Wallyson livre para marcar, mas que foram interrompidas pelo bandeira, que erroneamente assinalou impedimento em ambos os lances. Segurando o ímpeto estrelado, a equipe santista manteve-se bem atrás e passou a marcar muito bem a esquadra celeste, utilizando sempre os contra ataques puxados por Felipe Anderson que encontravam nos lados do campo os jovens e velozes Leandrinho e Victor Andrade que se movimentaram constantemente durante todo o jogo.

Neste momento do jogo o Cruzeiro, mostrou mais uma vez que, quando é obrigado a atacar, se comporta muito mal na defesa. Os dois laterais cruzeirenses avançavam simultaneamente, enquanto que os volantes deixavam um buraco no meio de campo. Sandro Silva se mostrava fora de forma, enquanto que Leandro Guerreiro ocupava a posição de terceiro zagueiro, tornando o combate à equipe adversária muito tardio. O caminho do gol santista estava desenhado. A jogada se iniciava pelo meio e chegava as laterais com facilidade, e exatamente assim Felipe Anderson, o nome do jogo, recebeu uma bola rolada por Bill e fez um golaço.

Após o gol sofrido, o Cruzeiro puxado por um aguerrido Montillo buscou o empate logo depois. Em uma falta batida por Ceará, o homem gol Borges, empatou em um bonito giro. O time celeste parece ter encontrado no período de transferências um bom batedor de faltas e um artilheiro nato. Mas isso não foi o suficiente.

A defesa mineira após o gol celeste foi mal novamente. Em mais uma jogada de contra ataque, a bola chegou à lateral, o time santista triangulou fácil na área azul e Victor Andrade, atacante de apenas 16 anos, fez 2 a 1. No lance se observa que Ceará não consegue voltar para marcar, fazendo Léo sair da área para combater, deixando livre o jogador que faria a assistência para o gol. Mais uma vez a má distribuição defensiva levava o Cruzeiro ao placar adverso.

Observando a má marcação no meio, Celso Roth sacou no intervalo Sandro Silva, que fazia péssima partida e parecia visivelmente sem ritmo de jogo. Entrou Charles para melhorar a marcação e o passe da equipe. O menino Élber também entrou no jogo no lugar de Wallyson, que fez partida razoável na primeira etapa. As mudanças deram resultado e o Cruzeiro voltou bem para o segundo tempo. Com um ataque mais incisivo, o time estrelado pressionou e em mais uma cobrança de falta de Ceará, chegou novamente ao empate. Seria a reação celeste? Não.

O time azul seguiu sua sina de empatar e levar o gol logo em seguida. O Santos sempre bem armado continuou bem na partida, trabalhando a bola com velocidade e eficiência. Numa jogada puxada pelo meio, Charles chegou atrasado e fez falta. A bola foi alçada na área e Fábio rebateu mal, e após dois rebotes dentro da pequena área, Durval marcava o terceiro gol santista.

O time azul e branco sentiu o gol. Tentou buscar o ataque, mas cometeu os mesmos erros de toda a partida. A saída de bola do Cruzeiro estava mais lenta ainda, e Montillo já era facilmente marcado nos lados do campo pelos volantes santistas. Com a lentidão do toque de bola azul, o Santos ganhava tempo para se recompor e formar uma defesa compacta. A equipe celeste se aproximava aos poucos e Diego Renan acabou perdendo a bola na frente e o time praiano atacou pela avenida que ficou no lado esquerdo para fazer seu quarto gol com Bill. Zaga vendida novamente e muita dor de cabeça para Celso Roth.

Com o apito final, o torcedor cruzeirense amarga mais uma derrota no campeonato, e olha de maneira desconfiada para o sistema defensivo azul, que assim como em partidas anteriores, comprometeu. Em contrapartida, o ataque parece estar se acertando com Borges, mas ainda parece ser um grande desperdício ter Montillo como ponta de lança e não como meia.

Finalizada a 15ª partida pelo Brasileirão, o que pode ser dizer é que o momento definitivamente não é favorável ao time cinco estrelas. Estamos agora na fase de maratona de jogos no campeonato e é complicado que Celso Roth faça o Cruzeiro melhorar da água para o vinho. "Esse é o preço que se paga por escolhas feitas no início do ano" já disse o treinador celeste. A Raposa apresenta problemas no elenco que todos já conhecem deste o começo de 2012 e acrescido a isso, apresenta um plantel de idade avançada. A sorte da equipe azul é que ao final da rodada, o time se mantém no oitavo lugar do certame.

Para manter o Cruzeiro em uma posição confortável na tabela, resta principalmente aos jogadores uma dose a mais de superação para vencer suas deficiências e conseguir somar pontos no campeonato. A resposta pode mais uma vez ser dada rapidamente no jogo contra o Bahia já no próximo sábado. Celso Roth e seus comandados terão a chance de mostrar novamente que podem seguir bem no torneio, mesmo que as previsões digam o contrário.

Nenhum comentário:

Postar um comentário