
Por Gustavo Aleixo
Na montanha russa do Brasileirão, o Atlético vive agora o seu pior momento do campeonato. A justificativa tem nome e vem se mostrando bem clara nos últimos jogos do time mineiro: previsibilidade.
Aparentemente, a receita das vitórias do mestre Cuca está se
transformando em um verdadeiro prato feito. Não há surpresas. Todos sabem muito
bem como o Galo joga e, muito em virtude disso, o Atlético vem fazendo jogos
pífios e sem inspiração nas últimas rodadas do campeonato nacional.
No jogo de ontem, o Galo foi mais uma vez inofensivo. Foram
pouquíssimas finalizações alvinegras durante toda a partida, especialmente no
primeiro tempo, quando a equipe mineira não fez nada. Dorival Júnior, assim
como a maioria dos técnicos neste Brasileirão, já sabe que o Atlético joga na
base do contra ataque, através de lançamentos para as laterais do campo ou para
o centroavante Jô. Para isso, o técnico flamenguista fez uso da marcação
pressão no campo defensivo atleticano, impedindo que a bola fosse lançada com
rapidez.
Com a opção do contra ataque descartada, restou ao Galo
utilizar o seu único jogador capaz de carregar a bola desde a defesa até o
ataque, que no caso é o lateral Marcos Rocha. Porém, tal saída também se tornou
inofensiva na partida, à medida que Dorival colocou Léo Moura no lado esquerdo
para impedir as subidas do camisa 2 atleticano, que na primeira etapa nada fez.
Resultado: o Flamengo foi o único time a jogar nos primeiros 45 minutos de
partida. O gol era só questão de tempo, e Vagner Love, após bate e rebate na
área, abriu o placar com um voleio, em um gol improvável, que deixou Victor
estatelado na trave do gol atleticano. Golaço e Fla 1 a 0 no Engenhão.
Cuca então colocou no jogo Carlos César, com o objetivo de
fortalecer ofensivamente o lado direito atleticano. O resultado da alteração
foi sentido somente no segundo tempo. O Galo melhorou um pouco na etapa final e
equilibrou a partida nos minutos iniciais. O gol atleticano acabou saindo após
um lance confuso e até certo ponto fortuito na área do Flamengo. A bola chegou
aos pés de Jô que marcou com oportunismo.
Seria a virada atleticana? Não! O Galo não se aproveitou do
tento marcado e voltou à apatia do primeiro tempo. O Flamengo empurrado pela
sua torcida, se aproveitou do apagão do Atlético e em um contra ataque fez o mestre Cuca provar do seu próprio veneno, ou melhor, tempero. Contra golpe
rápido do Fla pelo lado direito com Wellington Silva, bola cruzada na área e
falha incrível de Rever, que deixou Liédson sozinho para marcar o segundo do
rubro negro. Vale lembrar que quem marcava o lateral rubro negro era o
argentino Escudero (!), enquanto que Richarlysson observava de camarote o gol
do Flamengo ser construído,
Após o gol, o Galo se perdeu totalmente em campo. O mestre
Cuca então colocou um novo ingrediente na partida. Neto Berola, que novamente
não fez nada no jogo. Caiu o tempo todo e se criou algo na partida, foi só
indigestão na torcida atleticana. Para piorar, Rever, entrou na pilha do
volante Cáceres do Flamengo, acertou um soco no rosto do paraguaio e praticamente
decretou a derrota do Galo no Rio de Janeiro.
Final de jogo, derrota, e o Galo agora está quatro pontos
atrás do líder Fluminense. Chances de título para o Atlético é óbvio que
existem, mas neste momento de total previsibilidade da equipe atleticana, a hora
é de mudar. Resta agora esperarmos para ver se o mestre Cuca pensa de mesma maneira,
e assim possa mudar o cardápio alvinegro nos próximos jogos. Ainda há tempo.


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