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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Jornal argentino aponta Cazares “apalavrado” com o Galo; Meia cita interesse do Cruzeiro

Na mira do Atlético-MG, Cazares afirmou que o Cruzeiro também mostrou interesse em sua contratação (Banfield/Divulgação)

Por Gustavo Aleixo


Atlético-MG e Cruzeiro prometem fazer um clássico fora das quatro linhas pelo meia equatoriano Juan Cazares, de 23 anos, que atualmente defende o Banfield, da Argentina. Nos últimos dias, o nome do jogador tem aparecido com frequência no noticiário atleticano, porém, o armador, em entrevista à Rádio La Deportiva, do Equador, afirmou que o clube celeste também manifestou interesse em sua contratação.

“Também tem o Cruzeiro. Estou em férias, e ainda não estou vendo isso. Há sim (opções). Mas ainda não tem nada de concreto”, disse o armador.

Apesar de Cazares afirmar que o Cruzeiro também está de olho em seu futebol, o meia equatoriano já estaria apalavrado com o Atlético-MG. É o que informou, nesta terça-feira, o jornal argentino Olé, que define como avançadas as negociações entre o Banfield e o Galo.

“Na cabeças dos dirigentes do Talandro (como é chamado o Banfield) o único tema que importa no momento é Juan Cazares. O Atlético Mineiro (onde joga Lucas Pratto) vem com tudo pelo equatoriano. O clube brasileiro negocia com a diretoria do Banfield, que tem 50% do passe do jogador, e o quer o quanto antes. Além disso, a situação está muito avançada, já que entre o atacante e o Galo existiria um acordo verbal”, coloca o jornal argentino.

Apalavrado ou não com o Atlético-MG, o jogador equatoriano está no meio de um imbróglio entre sua atual equipe e seu clube formador, o Independiente del Valle, do Equador. Isto, porque as diretorias de ambas os times afirmam serem donas da maior parte dos direitos econômicos de Cazares.

Segundo a cúpula do clube equatoriano, Cazares está apenas emprestado ao Banfield. Já a diretoria do time argentino afirma ter exercido o direito de compra do armador ao final deste ano, o que, inclusive, complicaria bastante a transferência do meia para o Atlético-MG.

Jornal argentino Olé afirmou que Cazares tem um acordo verbal com o Atlético-MG (Reprodução)

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Jesus te ama, Pierre. E a torcida do Galo também!

Volante Pierre está de saída para o Fluminense (Foto: Bruno Cantini)

Por Marcus Vinícius Vasconcelos

Nas relações humanas é tão raro encontrar amigos ou casais que torçam uns pelo sucesso dos outros, que acreditem que o bem do próximo significa o próprio bem. Novamente, o futebol nos ensina. Não há como desejar o mal para os jogadores do nosso time. Um amor quase paternal nos toma e somos obrigados pela nossa consciência a desejarmos realizações profissionais e pessoais daqueles que ostentam a mesma camisa que nós.
Consagrado com títulos, Pierre deixará
 saudades no Galo (Foto: Bruno Cantini)
Hoje o Pierre oficializou sua saída do Atlético. Se não fosse um campo, um par de chuteiras e uma bola, o "Pitbull" seria só Lucas Pierre Santos Oliveira, provavelmente mais um trabalhador anônimo, desses que o Brasil tem aos montes. O futebol é uma lente que nos permite perceber as virtudes dos homens comuns. Ganhou a torcida por jogar sempre sua vida por uma vitória, por temer a derrota como a morte.
O camisa 5 do Galo tem em sua essência algo que é impossível de não se aprovar. Bom caráter, profissionalismo, seriedade e solidariedade. Há alguns anos, estava no CT do Atlético para um trabalho e o vi descer do carro, ouvir, conversar e aconselhar uma dezena de meninos de uma favela próxima que estavam na portaria esperando por segundos de atenção de qualquer jogador. Aquilo me ensinou muito. Atenção é o maior gesto de amor que se pode ter.
Na sua carta de despedida, ele assinou: "Jesus te ama". Eu digo que Jesus ama o Pierre também, assim como 8 milhões de torcedores aprenderam a amá-lo nesses últimos 4 anos. E hoje choram o adeus do Pitbull. Obrigado por tudo e seja feliz no Fluminense, Pierre. Que você só perca pro Galo.
Um grande abraço!


domingo, 29 de setembro de 2013

Rupturatotaldomúsculoadutordacoxaesquerda



Ramon Bitencourt/GazetaPress


Agonia, esquimose, desconforto. Fora do returno.

O final de ano que podia ser e que não será.
Dores, dores, dores.

Mandou chamar o médico:
- Diga grau três.
- Grau três...grau três...grau três...
- Transpire.

- O senhor tem uma ruptura total do músculo adutor da coxa esquerda.
- Então, doutor, não é possível jogar o Mundial?
- Não. A única coisa a fazer é gritar: “Eu acredito!”

terça-feira, 9 de julho de 2013

Drama à vista

Por Gustavo Aleixo



Como bem disse Ronaldinho Gaúcho, o jogo desta quarta-feira contra o Newell’s Old Boys, é o jogo mais importante da história do Clube Atlético Mineiro. Em jogo está uma vaga para a final da tão cobiçada Libertadores, mas para seguir sonhando o Galo precisa vencer a equipe argentina por três gols de diferença.


Aparentemente, a tarefa não parece ser tão indigesta quanto parece para os comandados de Cuca. Na atual temporada, em 16 jogos disputados como mandante, o Atlético, em oito oportunidades, venceu por três ou mais gols de diferença. Contra o Grêmio, pela 2ª rodada do Brasileirão, o Galo triunfou por dois tentos a zero, resultado este que se repetido na quarta-feira, levará a disputa para os pênaltis.

Pois é. Aparentemente a situação é “tranquila”. Se as estatísticas por um lado dão esperança para a torcida alvinegra, por outro lado, estes mesmos números indicam um cenário que muitos desejam evitar contra o Newell’s: sofrer o fatídico gol em casa.

Nos 16 jogos realizados dentro dos domínios atleticanos neste ano, o Galo sofreu gols em 11 partidas (68% dos jogos). Na Libertadores, os números são ainda mais cruéis – o Atlético sofreu gols em todos os jogos realizados no Independência.

Já dizia o profeta que os números não entram em campo, mas certamente servem de sobreaviso para os jogadores e para a torcida do Galo. A classificação pode ser atleticana no final, mas o jogo que se imagina difícil antes da bola rolar, pode ganhar contornos ainda mais dramáticos durante a partida.

Jogos do Atlético em casa neste ano:

Campeonato Mineiro

Atlético 3 x 0 Araxá
Atlético 3 x 1 Guarani-MG
Atlético 5 X 2 América-MG
Atlético 4 x 1 Tupi
Atlético 4 x 0 Boa
Atlético 2 x 1 Villa Nova-MG *jogo realizado no Mineirão
Atlético 5 x 1 Tombense
Atlético 3 x 0 Cruzeiro

Campeonato Brasileiro

Atlético 2 x 0 Grêmio *jogo realizado na Arena do Jacaré
Atlético 0 x 0 São Paulo
Atlético 3 x 2 Criciúma

Taça Libertadores

Atlético 2 x 1  São Paulo
Atlético 2 x 1 The Strongest
Atlético 5 x 2 Arsenal
Atlético 4 x 1 São Paulo
Atlético 1 x 1 Tijuana


quarta-feira, 17 de abril de 2013

A hora do 'fatality' atleticano é agora

Por Pedro Lucas Amim

"Hoje é dia de decisão para o Galo na Libertadores da América". Essa frase pode ser considerada um absurdo considerando o fato de que o Atlético já assegurou a melhor campanha na fase de grupos da competição e que essa etapa foi atingida tranquilamente pelo alvinegro. Afinal, porque o jogo da sexta e última rodada, contra um time praticamente eliminado, e com o Galo nessa posição privilegiada haveria de ser uma decisão para o time mineiro?

A resposta é simples: a equipe moribunda e que duelará com os atleticanos é nada mais nada menos que o São Paulo, 6 vezes finalista da Libertadores (ganhou 3) e por 3 vezes campeão do mundo. E somando-se a isso, o fato de que caso saia derrotado do Morumbi, o Galo tem enormes chances de enfrentar o próprio tricolor paulista nas oitavas de final, já que no outro jogo do grupo acontecerá outro duelo decisivo entre Arsenal e The Strongest na Argentina em que ambos têm chances de classificação. Por isso é bem provável que o time boliviano não saia vitorioso, já que o Arsenal jogará a vida dentro de casa e o retrospecto do Strongest fora de seus domínios é pífio (pra se ter uma ideia, o último triunfo fora de casa do time boliviano na Libertadores foi em 1982. Já são 21 derrotas seguidas no torneio em jogos fora de casa).

Emoção é o que não falta nessa rodada derradeira do Grupo 3. Até a possibilidade de um sorteio de desempate acontecer entre São Paulo e The Strongest não é descartada (para isso basta que o jogo entre os brasileiros fique 2x1 para os paulistas e que o jogo da Argentina fique no 1x1. Assim, SPFC e Strongest ficariam empatados em todos os critérios de desempate). As possibilidades são inúmeras. Só o galo está garantido. E só no caso de uma vitória dos bolivianos é possível que o adversário do Galo nas oitavas não seja do próprio grupo 3.

É notório que tantas combinações deixam a cabeça de quem está lendo esse texto um pouco confusa. A conta da classificação para São Paulo, Arsenal e The Strongest também é um tanto quanto complicada.

Porém a missão do Galo é bastante simples: basta um empate para dar um 'fatality' nesse papa-títulos que é o SPFC. Se o resultado de hoje às 22h no Morumbi for igual para Atlético e São Paulo o time alvinegro eliminará o tricolor paulista e não permitirá que um gigante sul-americano saia de seu sono profundo no torneio.

Essa meta deve ser prioridade no elenco alvinegro e esse jogo deve sim ser tratado como decisão. Afinal é muito melhor encarar numa fase de mata-mata um time de pouca expressão e camisa (e até mesmo mais fraco tecnicamente, casos de Arsenal e The Strongest) no continente do que um grande clube do futebol brasileiro e internacional. E para isso acontecer o Galo tem que se impor como fez no primeiro duelo do ano, na técnica e na malandragem. E é melhor não deixar pra fazer isso na próxima fase...


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Galo embriaga São Paulo e começa Libertadores com vitória incontestável



Por Maurício Pauluci


Atlético vence o tricolor paulista por 2 a 1, com ótima atuação
 de Ronaldinho, que se envolveu em lance curioso

R10 comemora gol da vitória com Réver. (Foto: Bruno Cantini)

Quem encheu a cara nesse carnaval deve saber exatamente como São Paulo se sentiu na partida contra o Galo na estreia das equipes na Libertadores 2013. Foram treze anos sem disputar o torneio intercontinental, mas o Atlético parece ter ficado com a motivação latente nesse período. Parecia um boi esperando ansiosamente a abertura da porteira para derrubar o peão em oito segundos. Com uma pegada muito forte e uma marcação precisa, o Galo fez uma partida muito boa, com um ímpeto incrível, mas sem demonstrar afobação e mesmo levando uma pressão o fim, saiu com os três pontos. Apesar de ter um time com muitos jogadores com idade avançada, parecia estar em campo um equipe com fôlego de garoto.
Inversão tática do Galo
Diego Tardelli retornou ao Galo com uma recepção quase que de um santo. O atacante já chegou botando banca e falando que gostaria de jogar na esquerda, posição muito bem exercida por Bernard na última temporada, além de ter pegado a camisa nove de Jô, que teve que aceitar a sete. No entanto não é fácil para Cuca desbancar Bernard. Então o treinador atleticano resolveu fazer um carnaval da defesa do São Paulo. Por várias vezes Tardelli e Bernard invertiam as pontas deixando a marcação da defesa tricolor maluca. Os defensores Lúcio e Rhodolfo são experientes e técnicos, mas lentos.
Em 2012, as laterais do Galo foram um trunfo da boa campanha do time na temporada, principalmente com as investidas ofensivas de Marcos Rocha. No entanto, o que se viu na partida desta quarta-feira foram Júnior César  e Marcos Rocha muito menos incisivos e presentes no ataque, até porque os flancos do Galo estavam sendo bem ocupados por Tardelli e Bernard.
São Paulo apático no primeiro tempo
O Atlético pôs o São Paulo na roda no primeiro tempo, principalmente. Apesar de trocar passes muito bem o time não conseguia acertar o último passe, e a bola não chegava ao centroavante  Luís Fabiano. Paulo Miranda fez uma partida muito ruim, errava passes de meio metro. Jadson, que até então vinha fazendo ótimos jogos, recebeu uma forte marcação de Pierre e não conseguiu jogar.
Jogada ensaiada ou falta de Fair Play?
Acho que o primeiro gol do Galo, do atacante Jô, merece um comentário especial. A jogada é curiosa, Ronaldinho vai até Rogério Ceni, pede um gole d’água, na camaradagem, para o goleiro tricolor, enquanto o jogo está paralisado para o atendimento de Júnior César. Para o delírio dos comentaristas de arbitragem, que puderam explicar que na cobrança de lateral não tem impedimento, Ronaldinho ficou ali, na miúda, na banheira, esperando o lançamento de Marcos Rocha. O lateral fez um arremesso perfeito e, com a zaga do São Paulo desprevenida, o Atlético chegou a primeiro gol com Jô.
É preciso frisar, também, que a zaga tricolor foi muito juvenil no lance. Apesar do jogo estar parado, os defensores do São Paulo não podem nem tirar o olho de um craque como o Ronaldinho.
Que me perdoem os admiradores do acaso, mas eu tenho certeza que foi uma jogada combinada. O R10 corre claramente para a esquerda e fica esperando a cobrança do lateral. No desenrolar da jogada Ronaldinho mal olha para área porque algo já dizia a ele que Jô estaria lá. Jogada ensaiada e pra mim falta de Fair Play. Alguns chamam de malandragem, mas o fato é que o Ronaldinho forjou uma situação, que envolveu a boa vontade e companheirismo de Rogério Ceni, para tirar a vantagem e construir a jogada do gol.
Não que eu discorde, mas o lance tem a mesma essência daquela jogada do Luiz Adriano, do Shaktar, na Champions League. A verdade é que eu acho o Fair Play obrigatório uma palhaçada e eu acredito que são lances oportunistas e provocativos como esse que fazem o futebol ser divertido e tão interessante.
Segundo tempo: Galo cansou e tricolor melhorou
O São Paulo conseguiu sua primeira finalização no jogo apenas no segundo tempo. Ney Franco parece ter percebido que a linha de passe do tricolor paulista não estava conseguindo furar a muralha defensiva do Galo, que teve no primeiro tempo um Réver impecável. O treinador do São Paulo deve ter dado um tapinha nas costas do Osvaldo e falado “Vai pra dentro deles, meu filho”. Porque a correria e o individualismo do ponta eram boas estratégias para furar o bloqueio mineiro.
Parece que o treinador tricolor deu um Engov para os jogares no intervalo, que voltaram muito mais sóbrios e com mais energia. O futebol de Osvaldo apareceu e a substituição do Paulo Miranda melhorou a saída de bola da equipe, que fez um primeiro tempo péssimo, errando muito passes. O São Paulo cresceu no jogo e as oportunidades começaram a surgir. Foi nesse momento que surgiu um dos elementos mais importantes deste time do Galo. Victor. O goleiro quase não trabalhou na primeira etapa, mas quando precisou, fez boas defesas.
E foi exatamente no momento que o São Paulo crescia no jogo, que o Galo deu uma ducha de água fria nas pretensões tricolores. Em um lance bastante simbólico, que resume bem como são as equipe do Atlético ofensivamente e do São Paulo defensivamente. Em uma jogada de gênio de Ronaldinho Gaúcho, pela ponta direta, o craque fez um cruzamento preciso na cabeça de Réver, que fez 2 a 0 para o Galo.
O time mineiro usou uma jogada que sabe fazer muito bem: jogada individual de Ronaldinho e bola alçada na área. E o São Paulo mostrou todo seu afrouxamento defensivo. Em uma das gingadas de R10, Ganso, simplesmente virou as costas para o lance. Apesar de ter uma zaga alta, o time paulista mostrou que sua defesa não tem agilidade para antecipar a jogada aérea do alvinegro mineiro.
Na marra, Aloísio diminuiu para o São Paulo, com uma assistência feita pelo pivô de Luís Fabiano. Porém já era tarde, o Galo conseguiu segurar bem o resultado e saiu do Independência com muito mais do que uma vitória e três pontos. O Atlético viu que tem a possibilidade de chegar longe na competição, que é o sonho de consumo da torcida atleticana.
Enfim, quem gosta de futebol viu uma partida incrível. Raça, malandragem, pegada, jogadas individuais, lançamentos longos e muitos craques em campo. O Galo mostrou que realmente tem um time muito competitivo técnico e com muito vigor. É importante ter a humildade de saber que é preciso aumentar a versatilidade de jogadas, porque o jogo aéreo pode não funcionar sempre. Já o São Paulo sofre com a perda de Lucas, e apesar de ter um time frio e cirúrgico precisa perder a dependência da armação de Jadson e melhorar a transição do meio para o ataque.
O próximo compromisso do Galo na Libertadores é contra o Arsenal de Sarandí, na Argentina, daqui a duas semanas, às 21h45. O São Paulo recebe o The Strongest no Morumbi para tentar a primeira vitória no Grupo 3, no dia 28, às 21h30.
Alfinetada no Cruzeiro
O Galo não perde a oportunidade de tirar uma com a cara do Cruzeiro. O jogo teve um público pagante de 18.167 e estes torcedores não passaram sede. No clássico contra o Cruzeiro, no dia três de fevereiro, com o clube celeste como mandante, faltou água para beber, nos banheiros, papel e muita, muita organização. O Galo imprimiu no selo dos copos de água vendidos nesta noite, no Independência, a inscrição “Aqui tem água”. Eu acho essas provocações válidas demais, principalmente em tempos de um futebol tão burocrático, em que os mandatários brasileiros querem transformar o esporte, que tem uma essência tão popular, em um opera elitizada.

domingo, 4 de novembro de 2012

O sonho realmente acabou


Por Maurício Paulucci


O título já era para os mineiros. E na próxima rodada se o Galo perder e o Fluminense pontuar o tricolor carioca já ergue o caneco. Em compensação, a vaga na Libertadores está garantida, já que o Botafogo não alcança mais o alvinegro das Minas Gerais. O Atlético fez e faz um campeonato acima da média para a expectativa de seus torcedores comparando com as últimas temporadas, talvez por isso essa euforia toda. No entanto, é hora de terminar a competição com brio, mas já ir pensando no planejamento de 2013.
O texto é sobre o jogo do Atlético Mineiro, no entanto vamos começar falando do Fluminense. Em um jogo marcado por falhas individuas o tricolor carioca perdeu dois pontos, mesmo dois pontos que o Galo perdeu na última rodada contra o Flamengo. A diferença é que o líder empatou fora de casa com um dos grandes times desse Brasileiro e o Atlético empatou com um time fraco e desestruturado.

Enfim, o Atlético entrou em campo no Couto Pereira sabendo que se vencesse o Coritiba poderia diminuir a distancia para o líder para 5 pontos mantendo viva a esperança no título do Brasileiro. Porém não foi o que se viu na escalação do técnico Cuca, que entrou com três volantes: Leandro Donizete pela esquerda, Serginho pela direita e Fillipe Soutto centralizado. O não entrou apenas com a escalação retraída, mas também com uma postura tímida.

A falta que o suspenso Pierre faz ao time do Galo é evidente, os três volantes que entraram em campo contra o alviverde paranaense não impõe a mesma contenção e respeito que demonstra o cão de guarda atleticano. 
O Coritiba aproveitou esse desligamento do time mineiro e durante os primeiros minutos pressionou demais a defesa alvinegra com jogadas agudas pelas pontas com Rafinha, Everton Ribeiro, todas elas coordenadas pelo experiente Lincoln que, apesar da idade avançada, é um elemento importante de organização do meio de campo do Coxa.
O ímpeto do Coritiba foi premiado com um pênalti cometido em cima de Everton Ribeiro, por Fillipe Souto. Deivid, que, bem como no Flamengo funciona mais como um figurante em campo, bateu bem e abriu o placar no sul do país.

O gol, mesmo que contra, inflamou o Atlético, que a partiu de então tomou as rédeas do jogo e foi com tudo para cima do gol de Vanderlei, goleiro do Coritiba. Ironicamente, o Coxa que tem a 5ª pior defesa do campeonato, formou um esquema defensivo bem estruturado que impedia as investidas atleticanas.

Desorganização completa. Essa foi a postura adotada pelo time mineiro durante o primeiro tempo. O Coritiba levantou apenas uma bola na área, enquanto o Atlético o fez doze vezes, apenas uma levando perigo ao gol de Vanderlei.

Parece que o técnico Cuca percebeu a desorganização do Galo, e o time voltou com uma forma de jogo totalmente diferente. Colocando a bola no chão e rodando, a bola passou pelos pés de Ronaldinho o que rendeu duas boas chances ao time mineiro.

Ao perceber que a chacoalhada psicológica do vestiário não foi efetiva, o treinador Cuca, resolver mexer nas peças. Guilherme e Leornado entraram bem, nos lugares de Serginho e Jô, respectivamente. Com Guilherme em campo o ataque do Atlético ficou mais dinâmico, com frequentes inversões entre os atacantes para confundir a zaga do Coxa. Mas, o time mineiro errava muitos passes e por ter perdido um volante com as substituições, o Galo ficou mais vulnerável abrindo espaços para o Coritiba que não soube aproveitar as oportunidades.



A entrada de Escudero, no lugar de Fillipe Soutto, que deveria ter sido feita desde o inicio da partida deu um pouco mais de liberdade ao R49, que pode atacar sem se preocupar tanto em fazer a transição do meio para o ataque, que agora passou a ser função do meia argentino.
No primeiro turno, o Galo venceu por 1 a 0 o Coritiba no Independência em um jogo que foi marcado por um lance à la Tarantino. O centro avante Leonardo, que ainda jogava no Coxa, deu uma cotovelada em Leonardo Silva que teve que tomar vários pontos que sangrava muito. 19 rodadas depois, Leonardo tentava marcar, dessa vez para o Galo, em uma jogada muito feita entre ele e Bernard.

Parece que o Galo só percebeu que o título do Campeonato Brasileiro estava indo por água abaixo com o resultado nos últimos minutos da partida. O time mineiro imprimiu uma verdadeira blitz pra cima da defesa do Coritiba, mas esbarrou na inspiração do goleiro Vanderlei e na falta de pontaria de seus jogadores. Essa postura deveria ter sido adotada desde o inicio e provavelmente a história seria diferente.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Prato Feito


Por Gustavo Aleixo





Na montanha russa do Brasileirão, o Atlético vive agora o seu pior momento do campeonato. A justificativa tem nome e vem se mostrando bem clara nos últimos jogos do time mineiro: previsibilidade.

Aparentemente, a receita das vitórias do mestre Cuca está se transformando em um verdadeiro prato feito. Não há surpresas. Todos sabem muito bem como o Galo joga e, muito em virtude disso, o Atlético vem fazendo jogos pífios e sem inspiração nas últimas rodadas do campeonato nacional.

No jogo de ontem, o Galo foi mais uma vez inofensivo. Foram pouquíssimas finalizações alvinegras durante toda a partida, especialmente no primeiro tempo, quando a equipe mineira não fez nada. Dorival Júnior, assim como a maioria dos técnicos neste Brasileirão, já sabe que o Atlético joga na base do contra ataque, através de lançamentos para as laterais do campo ou para o centroavante Jô. Para isso, o técnico flamenguista fez uso da marcação pressão no campo defensivo atleticano, impedindo que a bola fosse lançada com rapidez.

Com a opção do contra ataque descartada, restou ao Galo utilizar o seu único jogador capaz de carregar a bola desde a defesa até o ataque, que no caso é o lateral Marcos Rocha. Porém, tal saída também se tornou inofensiva na partida, à medida que Dorival colocou Léo Moura no lado esquerdo para impedir as subidas do camisa 2 atleticano, que na primeira etapa nada fez. Resultado: o Flamengo foi o único time a jogar nos primeiros 45 minutos de partida. O gol era só questão de tempo, e Vagner Love, após bate e rebate na área, abriu o placar com um voleio, em um gol improvável, que deixou Victor estatelado na trave do gol atleticano. Golaço e Fla 1 a 0 no Engenhão.

Cuca então colocou no jogo Carlos César, com o objetivo de fortalecer ofensivamente o lado direito atleticano. O resultado da alteração foi sentido somente no segundo tempo. O Galo melhorou um pouco na etapa final e equilibrou a partida nos minutos iniciais. O gol atleticano acabou saindo após um lance confuso e até certo ponto fortuito na área do Flamengo. A bola chegou aos pés de Jô que marcou com oportunismo.
 
Seria a virada atleticana? Não! O Galo não se aproveitou do tento marcado e voltou à apatia do primeiro tempo. O Flamengo empurrado pela sua torcida, se aproveitou do apagão do Atlético e em um contra ataque fez o mestre Cuca provar do seu próprio veneno, ou melhor, tempero. Contra golpe rápido do Fla pelo lado direito com Wellington Silva, bola cruzada na área e falha incrível de Rever, que deixou Liédson sozinho para marcar o segundo do rubro negro. Vale lembrar que quem marcava o lateral rubro negro era o argentino Escudero (!), enquanto que Richarlysson observava de camarote o gol do Flamengo ser construído,

Após o gol, o Galo se perdeu totalmente em campo. O mestre Cuca então colocou um novo ingrediente na partida. Neto Berola, que novamente não fez nada no jogo. Caiu o tempo todo e se criou algo na partida, foi só indigestão na torcida atleticana. Para piorar, Rever, entrou na pilha do volante Cáceres do Flamengo, acertou um soco no rosto do paraguaio e praticamente decretou a derrota do Galo no Rio de Janeiro.

Final de jogo, derrota, e o Galo agora está quatro pontos atrás do líder Fluminense. Chances de título para o Atlético é óbvio que existem, mas neste momento de total previsibilidade da equipe atleticana, a hora é de mudar. Resta agora esperarmos para ver se o mestre Cuca pensa de mesma maneira, e assim possa mudar o cardápio alvinegro nos próximos jogos. Ainda há tempo.


domingo, 2 de setembro de 2012

Sinal de alerta ligado

Por Pedro Lucas Amim

Depois de 21 rodadas de Campeonato Brasileiro, o Atlético continua na liderança da competição mesmo com uma partida a menos do que seus concorrentes ao caneco. Já são 15 rodadas consecutivas no topo da tabela, o que demonstra que o time alvinegro não está para brincadeira nesse Brasileirão. Porém, o rendimento excepcional do primeiro turno caiu naturalmente, e não vem sendo repetido nessas 2 primeiras partidas da segunda metade do torneio. Já são 3 jogos sem vitórias sendo que nas últimas 5 partidas o Galo somou apenas 6 pontos, aproveitamento baixo pra quem quer ser campeão. 

Mas deixando a matemática de lado, futebolisticamente falando, o momento ainda não é para se desesperar. Hoje, contra um forte Corinthians no Pacaembu, o Galo se mostrou um time maduro taticamente e com  jogadores de técnica muito apurada. Ronaldinho Gaúcho, por exemplo, parece ter reencontrado de vez o bom futebol que havia sumido no Flamengo. 

Com um time bastante equilibrado em campo, a equipe mineira teve oportunidades de sair com um placar favorável em um primeiro tempo bastante estudado por ambos os times e com um Atlético um pouco mais superior do que o Corinthians na partida. Corinthians que se preocupou bastante na marcação principalmente pelo lado direito do Galo que tinha Marcos Rocha sempre perigoso e que foi seguido de perto por Fábio Santos. Ainda na primeira etapa, Tite percebeu que a marcação do Atlético anulava seu meio campo e inverteu as posições de Douglas e Danilo em campo.

Na volta para o segundo tempo essa modificação de Tite surtiu efeito. Danilo começou a trabalhar bem pelo lado esquerdo do ataque corinthiano e o time paulista começava a tomar gosto pelo jogo. A marcação atleticana afrouxou principalmente pelo lado direito e a pressão se tornou insustentável. Aos 18 minutos em falha de Réver o Corinthians abriu o marcador com Paulo André de cabeça após cobrança de escanteio de Douglas. Depois do gol, o Galo se perdeu em campo e o Corinthians só não ampliou o marcador pois perdeu boas chances e teve um pênalti claro ignorado pelo juiz. Porém, um fato mudou o rumo da partida. Émerson foi expulso aos 31 e Cuca colocou o time pra frente. Guilherme, Berola e Escudero, 3 jogadores ofensivos entraram em campo nos lugares de Jô, Marcos Rocha e Leandro Donizete, respectivamente. O zagueiro Leonardo Silva virou atacante e o Galo buscava o empate de todas as formas. Mesmo assim, o Corinthians se fechou como pôde, e a equipe das Minas Gerais não conseguiu furar o bloqueio paulista. Quando, enfim, conseguiu balançar as redes, o jogo já estava parado, pois o árbitro já havia marcado, corretamente, falta de Leonardo Silva em Fábio Santos.

Depois de muita cera corinthiana e uma expulsão infantil de Júnior César, o jogo terminou, e o Galo sentiu o gosto amargo da derrota pela segunda vez no Brasileiro.

O que é preciso mudar é o discurso atleticano. Kalil, Cuca e os jogadores atleticanos mais uma vez culparam a arbitragem, sem razão, e transferiram a responsabilidade pela derrota. Erros acontecem para os dois lados, e na partida de hoje, se algum time pode reclamar da arbitragem, esse time é o Corinthians, que teve um pênalti claro não marcado, além de a expulsão de Émerson ser, no mínimo, discutível. É até chato repetir, mas é hora novamente de Kalil parar de nos brindar com suas besteiras e trabalhar para fazer desse forte time atleticano um time Campeão Brasileiro (já comentei sobre Kalil no post "Valeu mais do que um ponto"). O sinal de alerta tem de estar ligado, pois o segundo turno está só no começo e é hora de voltar a somar 3 pontos em uma partida. E a vitória tem de vir contra o Bahia, pois a "gordura" acabou e os adversários encostaram.


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Novo Tropeço


Por Gustavo Aleixo

Ontem a torcida atleticana lotou mais uma vez o terreiro do Galo esperando mais uma vitória dentro da Arena Independência. O adversário era o time bem armado da Ponte Preta, que prometia jogar bem fechadinho para conseguir um bom resultado fora de casa.

Além de ter pela frente uma equipe bem treinada, o Atlético se via sem Pierre e principalmente sem Bernard. Para suprir a falta do jovem meia, o mestre Cuca apostou em Escudero e também procurou soltar ainda mais o lateral Marcos Rocha que em diversos momentos caiu pelo setor esquerdo do campo para ajudar o jogador argentino.

A tática proposta pelo comandante alvinegro deu bastante certo no início de jogo. O Atlético foi superior à Ponte Preta e empurrou a Macaca junto a seu campo de defesa. Com trocas de passe rápidas e uma marcação bem feita, o Atlético chegou ao primeiro gol em um arremate de Danilinho (foto) de fora da área que desviou na zaga e enganou o goleiro Edson Bastos.

Neste momento se esperava que a Ponte fosse atacar o Atlético para conseguir o gol de empate, porém não foi isso que aconteceu. A equipe de Gílson Kleina sabia que o ponto forte do Galo é o contra ataque e por isso, preferiu seguir jogando de maneira defensiva, saindo para o ataque só “na boa”. E em uma das poucas investidas pontepretanas no primeiro tempo, Marcinho puxou um veloz contra ataque e serviu à Cicinho que com grande categoria balançou as redes de Victor.

Na volta para o segundo tempo, Cuca sacou o volante Serginho e promoveu a entrada de Guilherme em campo. O Atlético foi todo pressão no início da etapa complementar e o gol vinha amadurecendo, até que Guilherme fez o segundo gol alvinegro após bola que sobrou para o atacante conferir dentro da área. Após o gol, o Galo permaneceu bem na partida, sufocando a Macaca e mantendo uma maior posse de bola. Porém o placar se mantinha apertado no Independência.

Buscando matar o jogo o mais rápido possível, Cuca escutou o clamor da torcida e colocou Neto Berola em campo. Para muitos esse foi um momento fulcral que determinou a sorte atleticana na partida. O time alvinegro ficou ofensivo em demasia e deu mais campo a Ponte Preta que passou a ser mais agressiva no final do segundo tempo.

O Atlético não conseguiu prender a bola no ataque. Jô fez novamente uma partida ruim, colocando em cheque mais uma vez o empréstimo de André ao Santos, que é muito melhor que o centroavante Leonardo que estreou de forma discreta. Berola entrou mal e na maior parte do tempo procurou cavar faltas ao invés de buscar a continuidade dos lances. A Ponte Preta aproveitou-se dos erros atleticanos e conseguiu o gol do empate, mais uma vez com o ala Cicinho (foto), nome do jogo, que assim como Danilinho marcou após desvio da zaga em um chute de fora da área. Final de jogo e mais um empate frustrante no Independência.

O Galo mais uma vez leva dois gols no Independência e esse parece ser um dos motivos da queda de rendimento da equipe alvinegra. Nas últimas três partidas, contra Botafogo, Cruzeiro e agora contra a Ponte Preta, o Atlético levou dois gols, e se não fosse pela boa média de tentos marcados pela equipe, o Atlético poderia estar em uma situação mais complicada. A dupla de zaga do Galo é disparada a melhor do país, mas nesse momento é necessário que o setor defensivo volte a se comportar da maneira mais segura durante as partidas.

Por sorte, o Fluminense também tropeçou na rodada e o Galo segue bem na liderança, mas fica aqui o sinal de alerta para que o Atlético corrija seus erros. Agora é a hora de o técnico Cuca mostrar que pode gerir um grupo em momentos difíceis como este. O novo teste já é no próximo fim de semana e esperamos que a equipe alvinegra volte ao caminho das vitórias.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O circo está na cidade!




Ele voltou. Depois de 2 anos de ausência, o Grande Clássico das Minas Gerais retorna à Belo Horizonte. O palco não é o principal, é alternativo, temporário, mas o espetáculo ainda é o mesmo.

Os jornais e a televisão anunciam que depois de um período longe da capital mineira: “o circo está na cidade!”. Nesse domingo, as torcidas de Cruzeiro e Atlético serão novamente platéia e os jogadores mais uma vez se transformarão em artistas da bola. As cortinas se abrirão, e o dono do picadeiro, o nosso famigerado árbitro, dará início a um daqueles finais de tarde dignos das melhores tragédias e também das maiores alegrias.
Cuca e Roth são os técnicos do
Clássicodeste domingo

Assim como nos mais conhecidos espetáculos, o Super Clássico Mineiro não tem como protagonistas principais apenas os jogadores em campo. O público é também parte importante do show. Os mais diferentes tipos de aficionados pelo futebol viverão a partida, acompanharão cada ato que se desenvolverá na famosa trama entre o Galo e a Raposa, que mais uma vez irá parar a cidade.

É verdade que nesse fim de semana não teremos as torcidas de Atlético e Cruzeiro juntas no estádio. A nossa (incompetente) polícia vetou a presença de torcedores alvinegros no recinto, e infelizmente o picadeiro do Independência não estará completo no dia do jogo contando apenas com o lado azul da cidade presente. O espetáculo pode acabar sendo prejudicado no que diz respeito às arquibancadas, mas pelo menos no campo de jogo podemos ter certeza que ali, não há proibição que limite o talento dos nossos equilibristas da bola.
Em 1969, Cruzeiro e Atlético jogaram sob o olhar de 123.521 pagantes, maior público da história do Super Clássico
Neste embate de mais de 90 anos de história, ainda será possível ouvir pela cidade os gritos de quem se guia por uma cega paixão. É a trilha sonora do Clássico. Um misto de tensão com euforia, de quem por 90 minutos se desliga de tudo para acompanhar o clímax de uma rivalidade que já viveu os mais diferentes enredos e já nos apresentou os mais diversos personagens.

É o Clássico de Reinaldo, Joãozinho, Dadá, Tostão, Piazza, Cerezo, Marques, Alex e tantos outros. É Clássico do gol anulado, da bola na trave, do drible desconcertante, do grito da torcida, do Mineirão, do Independência. É o gol marcado no fim, é a entrada mais dura, o gol de costas, o gol do título, o gol do alívio, da vitória inesperada, de goleadas memoráveis, de um 6 a 1, de um 9 a 2. É Cruzeiro contra Atlético, Atlético contra Cruzeiro.
Dadá e Tostão: Grandes nomes do
Clássico Mineiro

É claro que a história que se segue agora, logicamente é outra. Cada Clássico é diferente do outro. No passado tivemos um Atlético avassalador e mais recentemente um Cruzeiro sempre a frente do Galo nos Brasileiros e que por certo período se manteve melhor que o rival. E no próximo domingo, teremos um Atlético que parece imbatível e um Cruzeiro extremamente irregular.  Porém não podemos mais uma vez ditar o destino dessa partida. O Clássico Mineiro, não torna evidentes seus arranjos, nem mesmo seus heróis e muito menos o seu gran finale. É totalmente incerto.

Nesse domingo o nobre picadeiro do novo Independência se encherá de pompas para receber o Super Clássico. O espetáculo terá em campo tudo para se tornar perfeito. Vamos ver candidatos à protagonistas, como Ronaldinho e Montillo. Homens elástico como Victor e Fábio e até os tradicionais palhaços, os cartolas, que com um possível resultado negativo podem atacar de mágicos e sumir do recinto ao final da partida.

Ingredientes, portanto, não faltam para que o domingo seja um dia especial. O Clássico irá colorir novamente as ruas de Belo Horizonte de azul, preto e branco e às 18h30 teremos o tão aguardado retorno do nosso grande Clássico, que jamais deveria ter saído de cartaz da capital mineira.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Cantando de Galo


Por Gustavo Aleixo


Se existia ainda alguma dúvida quanto à candidatura do Atlético ao título brasileiro, ela caiu por terra neste domingo. O Galo recebeu o Vasco, vice-líder do campeonato, e colocou o bacalhau cruzmaltino para cozinhar no Caldeirão do Independência. Com uma atuação invejável, o alvinegro mineiro venceu a partida e se isolou na liderança do certame.

Mas o jogo não foi fácil. Diante de uma equipe tão organizada quanto a equipe mineira, os jogadores atleticanos tiveram trabalho para vencer. No primeiro tempo, o Atlético, empurrado por mais de 19 mil pagantes pressionou o Vasco. A receita do mestre Cuca era a mesma de outras partidas: forte marcação e conta ataques rápidos. Mais uma vez o Atlético vinha muito bem compactado e saía com muita velocidade para o ataque, principalmente com lançamentos para o talentoso Bernard. O Galo ainda tinha em Marcos Rocha um jogador de extrema mobilidade e que por diversas vezes deixava a lateral direita para atuar no meio de campo. O Atlético criou boas oportunidades e parecia estar próximo do primeiro gol.

No entanto, o Vasco não se intimidou com a pressão atleticana e fez uma apresentação muito segura na primeira etapa. A zaga cruzmaltina, que não sofria gols há sete jogos, confirmou seu poder defensivo e possibilitou que o time carioca ainda levasse perigo em investidas de Carlos Alberto no ataque. O primeiro tempo terminava, assinalando um 0 a 0 muito bom de ser visto.

Com a obrigação de vencer em casa, o Galo se lançou novamente ao ataque na segunda etapa. A equipe vascaína cercada por uma distribuição tática perfeita da equipe atleticana, não conseguia armar seus contra golpes, à medida que o setor defensivo alvinegro permanecia impecável nos desarmes. Porém a esquadra atleticana ainda tinha um paredão a transpor e para superar a organização vascaína, tática não bastava, era necessária qualidade técnica.

Sumido no primeiro tempo, Ronaldinho precisou apenas do segundo tempo para se tornar o homem do jogo. Depois de alguns jogos com a camisa atleticana, o dentuço finalmente decidira ser protagonista e logo na partida mais importante para a equipe até então.

O Gaúcho na segunda etapa abandonou a faixa central do campo e passou a atuar junto ao garoto Bernard no lado esquerdo do gramado. Por lá foi irreverente, habilidoso e decisivo. O time percebeu que R49 queria jogo e passou a tocar bola para o jogador que, inspirado, distribuía passes e fazia lances de efeito. Numa dessas jogadas, Ronaldinho trocou passes com Bernard, e como um bom tutor, mostrou à promessa atleticana como se joga. Corte seco no zagueiro e cruzamento venenoso que sobrou para Jô, sempre bem posicionado, conferir. O craque atleticano, um dos pivôs de uma pseudo-discussão com o presidente Kalil, era sim o cara da partida e saía de campo logo depois, ovacionado pela torcida presente no estádio.

Após o gol, o Atlético manteve a partida sob controle e não deu chances ao Vasco, que valorizou, e muito, a vitória atleticana. O Galo chega então ao fim da rodada com absurdos 84% dos pontos disputados e três pontos a mais que o segundo colocado, com uma partida a menos que seus adversários. O Galo canta sozinho na liderança.

É claro que, no futebol, nenhum time ganha uma partida antes do juiz apitar, muito menos conquista um título no meio do campeonato. Mas a verdade é que se o Brasileirão terminasse hoje, o Galo seria campeão brasileiro. E que campeão seria esse Atlético Mineiro.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Soberano, de novo

Por Maurício Paulucci


Parece que neste ano o Galo abdicou do papel de coadjuvante no Brasileirão, e passou a atuar como protagonista. Em um jogo difícil contra o vice-campeão da Copa do Brasil, mesmo que desfalcado, o Galo mandou no jogo e ditou o ritmo da partida. E o placar magro não resume o domínio que o time teve no jogo. Em um Independência lotado, a torcida empurrou o alvinegro para mais uma vitória importante.


A torcida atleticana já sabe de cor a escalação e o esquema tático do time de Cuca, no entanto, pelo que parece os adversários também tem se familiarizado com o esquema. Mas a troca de uma simples peça mudou um pouco o jeito de jogar do Galo. A entrada de Guilherme no lugar de Danilinho conferiu um aumento considerável na técnica, possibilitando melhores triangulações ofensivas, porém a equipe atleticana perdeu muito nas investidas de Marcos Rocha, que teve de se resguardar mais, visto que Guilherme não volta pra marcar como Danilinho.

O primeiro tempo foi lá e cá.


O Galo chegava muito bem com um Bernard inspiradíssimo, que fazia o que queria em cima do lateral Gil, que por muitas vezes subia displicentemente. Ronaldinho também jogou muito bem, acertando lançamentos e chamando o jogo para si. Parece que a confiança e a boa fase são ótimos remédios para o craque atleticano. Serginho fez um bom primeiro tempo, ofensivamente, porque defensivamente, deixou muitos espaços que rendeu bons contra ataques ao Coxa.


Mas se o alvinegro jogou tão bem, porque não abriu o placar no primeiro tempo? Sabendo da importância do centroavante Jô, como ponto de equilíbrio do ataque, Marcelo Oliveira fez uma marcação muito forte em cima do pivô que ficou com dificuldades de jogar em boa parte do primeiro tempo. Como falamos lá em cima, o Atlético tem um esquema conhecido, mas longe de ser previsível. A arma de Cuca para dar versatilidade ao time tem um nome: inversão.


Você se lembra daquela aula de matemática sobre permutação? Não? Provavelmente você matou ela, assistindo a algum jogo da Champions League. Entretanto, o Cuca não esqueceu e quando ele põe esse conceito em prática o Galo vira uma máquina, confundindo toda a defesa adversária. Quando Jô deslocou-se, ele atraiu a marcação dos zagueiros deixando espaço pra Bernard na área. É um efeito cascata, já que Lucas Mendes, lateral esquerdo vinha marcar no centro, fazendo os volantes do Coxa se deslocarem para marcar R49, dando bastante liberdade para Guilherme.


Ainda sim, o Coritiba não se apequenou, nem diante do poder do grande time do Brasileirão, e nem mesmo diante de seus onze desfalques. É quase clichê prever que um time que vá jogar no Independência no contra ataque, mas essa foi a estratégia do Coxa, apesar de ter um toque de bola muito bom, o time criou suas melhores chances com a velocidade de Robinho, que foi o único que aproveitou o buraco no meio campo deixado por Serginho e Donizete.


O primeiro tempo foi bom, mas o destaque da primeira etapa foi árbitro da partida. O juiz estava leiloando sua arbitragem. E a moeda era decibéis. Apitou tudo no grito, e a culpa foi dele, ouviu muitas reclamações e deixou os jogadores falarem demais. Fez uma arbitragem confusa, apitando faltas inexistentes, deixando de marcar infrações claras, tendo pouco critério nos cartões. Errou pros dois lados, tirando qualquer suspeita de parcialidade, dando espaço à ruindade mesmo.
Para o segundo não houve nenhuma substituição, mas um fato mudaria o jogo. Se a bola não entrava com as jogadas corridas, entrou na bola parada. Com a primazia de Ronaldinho Gaúcho para bater na bola e a precisão e altura de Réver, o Galo abriu o placar. O Coritiba sentiu o golpe e o jogo mudou de rumo.


O time mineiro não tinha mais aquela sangria desatada para atacar e, consequentemente, não deixava mais tantos espaços no meio campo para o alviverde aproveitar. Foi impressionante ver como o Atlético se compactou depois do gol, sem se retrancar e também não abdicando do ataque. O Coritiba não conseguia se infiltrar na defesa atleticana e começou a apelar para os chutões e bolas paradas. E quantas vezes você viu o Galo apostar nos chutões?


O Atlético, diferente de outras equipes, sai jogando com a bola no chão, muito em virtude da categoria dos seus zagueiros. Eu estava pensando se valia apena escrever um parágrafo sobre o Leonardo Silva, mas depois da cotovelada do atacante Leonardo no zagueiro alvinegro eu não titubeei. Além da cena protagonizada à la Quentin Tarantino, ele cumpriu um papel importante na segunda etapa. Com Marcos Rocha mais seguro, o Bonecão de Olinda pode se aventurar algumas vezes ao ataque, criou a jogada que originou o escanteio do gol e apareceu bem em algumas oportunidades.


Com o resultado adverso, o técnico Marcelo Oliveira jogou então sua última cartada. A entrada de Rafinha no lugar de Lincoln, que estava cansado, foi uma boa tentativa, pois deu mais velocidade ao Coritiba, porém a substituição não deu resultado. Para piorar o meia do Coxa canalizou toda sua vontade na infantilidade. Depois de sofrer um empurrão claro e não ter a falta marcada esperneou e fez pirraça, e tomou amarelo por reclamação. Depois, mais juvenil ainda, deu uma cotovelada em Leandro Donizete e foi para o chuveiro mais cedo.


O Atlético deu uma acomodada na etapa complementar, após o gol, o que não foi de todo ruim, já que não cedeu tantos espaços no meio campo, igual no primeiro tempo. O Galo venceu, pelo placar elementar, mas somou 3 pontos importantíssimos para a caminha ao título Brasileiro. Líder, na essência da palavra, o alvinegro segue a passos largos ao sonho que tem tudo para se concretizar.