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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Derrota nem tão amarga

Por Pedro Lucas Amim

Depois de dois anos e meio praticamente jogados no lixo, a seleção brasileira corre contra o tempo para conseguir o que seria seu sexto título de copa do mundo, porém desta vez jogando ao lado de sua torcida.

E analisando a estreia de Felipão no comando do time canarinho podemos ficar esperançosos, mesmo com o resultado adverso (derrota de 2x1 para a Inglaterra). Como há muito não se via, o time brasileiro se portou bem disposto taticamente e criou muitas jogadas de perigo. Oscar foi o destaque da nossa seleção contra o time inglês, que possui um fortíssimo meio campo composto por Wilshere, Gerrard, Cleverley e Walcott. Esse último por sinal fez uma excelente partida e deitou e rolou pra cima do lateral esquerdo Adriano.

Foi este forte meio campo inglês que "engoliu" o time canarinho. Tocando a bola com rapidez os ingleses se infiltravam com facilidade na defesa brasileira. Isso acontecia pois Ramires e Paulinho não fizeram uma boa partida defensivamente,coisa absolutamente normal, visto que essa é a primeira partida da seleção com um novo comandante.
R10 após perder pênalti

Mas alguns jogadores do Brasil deixaram muito a desejar. Ronaldinho Gaúcho que completou o centésimo jogo com a camisa verde amarela decepcionou mais uma vez na seleção. Não apenas pelo pênalti que ele perdeu aos 18 minutos da primeira etapa quando o placar ainda apontava 0x0, mas principalmente pela postura de R10 em campo. Nervoso e afobado, Ronaldinho errou muitos passes e abusou dos lançamentos que quase sempre deram em nada. O jogador já desperdiçou sua primeira chance e se continuar nesse ritmo não chegará nem mesmo a disputar a Copa das Confederações. Além de Ronaldinho, Neymar também está devendo. O jogador santista demonstra potencial mas ele precisa se soltar para render na seleção o que ele rende no alvinegro da Vila Belmiro.

Outro veterano também desapontou. Luis Fabiano pouco tocou na bola e quando o fez, errou tudo aquilo que tentou. Definitivamente, Fred é a melhor opção para o ataque brasileiro, e o camisa 9 do Fluminense mostrou isso ao marcar o gol de empate e acertar a trave com apenas 4 minutos dentro de campo.

Mas em um contexto geral vemos que Luiz Felipe Scolari está centrado em montar uma equipe. A base da seleção já parece se desenhar, coisa que não aconteceu com Mano Menezes. Como exemplo, podemos analisar a posição de goleiro a qual Mano durante mais de dois anos não conseguiu definir seu titular. Depois do amistoso desta quarta-feira, vemos que Júlio César parece decidido a recuperar a sua posição.

Apesar da derrota por 2x1 nesse amistoso o que incomodava na seleção de Mano Menezes já não incomoda mais. Tudo indica que Felipão não vai perder tempo e vai dar a chance para os melhores conseguirem sua vaga para a Copa do Mundo. Isso somado a uma leitura tática muito superior em comparação ao seu antecessor no cargo de treinador da seleção mais vitoriosa de todos os tempos.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Mano contra Hermanos






Mano convocou ontem os jogadores que enfrentarão
a Argentina na Copa Roca

O Brasil jogou ontem e fez um placar tranquilo de 8 a 0 contra a “poderosíssima“ China no Estádio do Arruda. A verdade é que na hora que a corda apertou no pescoço de Mano Menezes, lá estava mais um daqueles amistosos ridículos que a CBF acaba sempre marcando para o deleite dos nossos endinheirados cartolas. Resultado: estádio com um público fraco em Pernambuco, como não poderia ser diferente.

Logicamente eu não vou ficar falando demais daquela piada que foi o amistoso de ontem. Vamos falar da única coisa que, talvez, tenha mantido nossos torcedores tupiniquins estagnados em frente à telinha: convocação para o amistoso para a Argentina.
Manos Menezes convocou um total de 21 jogadores que jogam no Brasil para disputar a Copa Roca. A lista apresentou boas novidades, mas também assinalou ausências que merecem destaque.

Goleiros

Jefferson deve ser o titular contra a Argentina
Jefferson (Botafogo): Seguramente, o melhor goleiro do Brasil no momento. Certamente será o titular nas partidas contra os nossos hermanos.

Cássio (Corinthians): Enquanto alguns lutam anos e anos para merecer a chance na seleção, a oportunidade parece ter caído no colo do goleiro corintiano, que se firmou no time paulista somente este ano. Victor do Atlético, Fábio do Cruzeiro, Rafael do Santos e Diego Cavallieri do Fluminense, me pareciam ser melhores opções.



Laterais
Carlinhos vem se destacando na lateral do Fluminense
neste Campeonato Brasileiro

Marcos Rocha (Atlético Mineiro): Convocação merecidíssma. É sem dúvida o lateral direito que apresenta o melhor futebol no Brasileirão. Vejo com bastante satisfação a evolução deste atleta, que no início da carreira não se firmou no Galo.

Lucas Marques (Botafogo): Devido à falta de jogadores na posição foi convocado. Vem fazendo um campeonato razoável pelo Fogão.

Carlinhos (Fluminense): Vem fazendo um bom campeonato pelo Flu, especialmente nos apoios ao ataque. Deve ser o titular da posição.

Fábio Santos (Corinthians): Me parece um jogador um tanto quanto limitado. Márcio Azevedo, destaque do Botafogo, merecia uma oportunidade na Seleção Brasileira.

Zagueiros

Dedé vem se firmando na Seleção
Dedé (Vasco): Com certeza o melhor zagueiro em atividade no Brasil, não a toa vem sendo seguidamente convocado por Mano Menezes.

Réver (Atlético Mineiro): Junto de Leonardo Silva, vem formando uma das mais fortes zagas do país. Dono de um grande poder de marcação e de muita qualidade na saída de bola será certamente titular contra a Argentina.

Rhodolfo (São Paulo): Desde os tempos de Atlético Paranaense vem mostrando seu potencial e no tricolor paulista vem justificando os elogios. Ótimo zagueiro.


Volantes

Paulinho: Jogador de nível europeu
atuando no Brasil
Arouca (Santos): Um dos volantes mais seguros do futebol brasileiro, que finalmente vem ganhando sequência na Seleção.

Ralf (Corinthians): Sua qualidade não se discute. Excelente na marcação, o jogador do Timão domina a intermediária com muito talento e vontade.

Paulinho (Corinthians): Melhor volante em atividade no Brasil. É completo. Sabe marcar e atacar com primazia. Poderia estar jogando na Europa tranquilamente.

Fernando (Grêmio): Finalmente o volante gremista foi convocado! Já deveria ter jogado nas Olimpíadas. É certamente uma das grandes revelações do futebol brasileiro. Olho nele!


Meias

Bernard é uma das principais
novidades na lista de Mano


Jadson (São Paulo): Após se readaptar ao Brasil, vem sendo o “motorzinho” do São Paulo no Brasileirão. É o líder de assistências no campeonato e recebe merecida convocação.

Bernard (Atlético Mineiro): Revelação do Brasileiro e um dos principais nomes do campeonato. Rápido e habilidoso é um bom nome para se observar.

Lucas (São Paulo): É segundo o melhor jogador do Brasil, estando apenas atrás de Neymar. Vamos ver se ele finalmente mostra seu potencial com a amarelinha.

Thiago Neves (Fluminense): Não vem em boa fase. Me parece ter sido convocado pelo seu passado e não pelo seu futebol atual, que apresenta notória irregularidade.


Atacantes


Neymar (Santos): É o craque do Brasil, mas precisa jogar de maneira mais objetiva e agressiva com a camisa canarinha. Tem sido muito passivo em campo e escondido seu verdadeiro potencial. Nada melhor do que a Argentina para ele mudar seu rumo na Seleção.
Luís Fabiano está de volta
à Seleção Brasileira

Leandro Damião (Internacional): Nome certo desde o início na convocação. Não é nenhum craque, mas vem bem na seleção de Mano e merece ter continuidade com a amarelinha.

Luís Fabiano (São Paulo): O centroavante, que para mim deveria ser o 9 do Brasil, ainda tem muita lenha para queimar com a camisa da seleção. É diferenciado e tem mostrado isso através de seus excelentes números nesse ano. Tomara que ganhe a confiança de Mano Menezes e se mantenha no grupo, no lugar por exemplo de Jonas.

Wellington Nem (Fluminense): É bom abrir o olho para a jovem promessa do tricolor. É habilidoso e conduz muito bem a bola, sem cair quando tocado pelos adversários. É uma opção muito interessante que temos dentro do país


Ausências

Destaques de suas equipes no Brasileirão, Fred
e Ronaldinho não foram convocados


Ronaldinho (Atlético Mineiro): Mano Menezes falou na coletiva que privilegiou quem vinha bem no Brasileiro. Não dá para entender então como R49 está fora da lista. Sem poder chamar Oscar, que joga na Europa, e Ganso, que está muito mal, o dentuço era melhor opção para ocupar a camisa 10 e liderar a seleção repleta de jovens jogadores.

Fred (Fluminense): É difícil encontrar um centroavante tão competente quanto Fred. É o artilheiro do Brasileirão e merecia uma chance de brigar pela posição. Infelizmente, Mano prefere ignorar o atacante do Flu sobre o pretexto de que Fred tem falado demais. Aparentemente qualidade técnica não é o principal atributo para um jogador ser convocado para defender o Brasil. Ridículo.


Escalação (Sugestão)
Mano Menezes tem boas opções
para montar a equipe


Nesta formação, seria dada liberdade para que Bernard, Lucas e Neymar trocassem de posição durante a partida. O craque santista poderia também funcionar como armador pelo meio campo e Paulinho poderia também se infiltrar pela meia cancha como elemento surpresa. Seria inicialmente um 4-4-2-2 que poderia permutar para o 4-2-3-1, caracterizando um time mais veloz e ofensivo para buscar o resultado em casa. Jadson seria uma opção para um jogo mais cadenciado, sendo mais útil ao final da partida.

Fica a expectativa se agora contra um adversário de nível mais alto a Seleção Brasileiro vai apresentar um bom futebol ou se teremos novamente mais um jogo chato e pragmático da equipe de Mano Menezes. Sorte aos nossos jogadores!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Algumas verdades sobre a Seleção Brasileira e afins



Por Gustavo Aleixo

 A Seleção Olímpica Brasileira estreou nas Olimpíadas de Londres nesta quinta feira. Venceu a equipe do Egito por 3 a 2 em um jogo que chamou muito pouco a atenção dos aficionados tupiniquins.
O Brasil sub-23 celebrou uma vitória sofrida diante de um adversário menos qualificado. Porém essa não é a razão principal para justificar tamanho desinteresse do torcedor brasileiro pela amarelinha. 
O fato de a seleção não empolgar, se refere muito mais a perda de identidade do povo brasileiro com o selecionado verde e amarelo. A diferença entre acompanhar um jogo e torcer de verdade é muito grande, e pode-se dizer que o “torcedor”, atualmente, pouco se importa se a equipe canarinha venceu ou perdeu uma partida, ele apenas assistiu ao jogo porque gosta de futebol, e nada mais.
É claro que isso não é culpa daqueles que apenas se sentam no sofá para acompanhar uma simples partida de futebol. É necessário ir mais além para encontrar a raiz do problema. Mais precisamente na alta cúpula do esporte, que já há algum tempo trabalha para fazer da paixão nacional um jogo de interesses. Não à toa, a Seleção Brasileira parece ser, hoje, muito mais um esboço de um plano mercadológico do que uma equipe de futebol.
Ricardo Teixeira, o líder de um grupo de corruptos que reinou no futebol brasileiro por longos 23 anos, é com certeza um dos responsáveis pelo desapego do povo pela seleção. Sua polêmica gestão na Confederação Brasileira de Futebol contribuiu e muito, para que este sentimento se perpetuasse. Durante sua presidência, contratos extremamente lesivos à CBF, mas benéficos ao ex-presidente, foram feitos a torto e a direito, e minaram os recursos financeiros da instituição. Exemplo simples disso foi o escândalo dos contratos assinados entre CBF e Nike, que trouxeram prejuízos subsequentes à confederação. Ainda assim, Teixeira permaneceu de maneira incompreensível no cargo, mesmo após o caso ter sido investigado. Para piorar, o que se viu foi o apoio de diversos craques brasileiros ao ex-presidente, dentre eles Pelé, dando a entender que futebol e corrupção caminhavam lado a lado no país. Essa era a mensagem que estava sendo passada à população.
Logicamente com os rendimentos financeiros em baixa, a CBF começou a “tirar” a seleção de perto do povo brasileiro. Amistosos caça-níqueis se tornaram recorrentes para pura arrecadação, e o interesse sobre o time verde amarelo diminuiu, obviamente porque não há apelo em torcer a favor de alguém que jogará com um combinado de Lucerna, como ocorreu em 2006. Com os amistosos, alguns recursos foram recuperados, e após isso, Ricardo acabou aproveitando para continuar a nutrir suas gordas contas bancárias espalhadas nos mais diversos paraísos fiscais com a realização de mais e mais jogos que interessavam somente a ele. A farra de Teixeira prosseguiu, portanto, e a preparação da seleção para competições como a Copa do Mundo também passou a ser negociada na base da oferta e procura, e foi assim que, em 2006, chegamos à Weggis e vimos uma campanha vexatória da seleção na Copa, muito em virtude do péssimo período de treinos na cidade suíça, que não tinha condições para receber o Brasil, mas que oferecia bastante dinheiro, e por isso foi escolhida. Na Copa de 2010, as estratégias não se alteraram de maneira significativa e vimos mais um desastre da seleção na competição mundial.

Devido a estes e outros fatores, o resultado está evidente hoje na indiferença com que o torcedor encara a seleção. O Brasil jogou hoje pelas Olimpíadas e a audiência do jogo foi insignificante. A culpa é sim do senhor Ricardo Teixeira, mas também é de toda uma imprensa que acobertou os escândalos do dirigente e seguiu a ideia de que, “se a seleção vai bem, tudo está bem”, sem falar do governo, que tocando em miúdos, parece ter feito um pacto com o ex-presidente da CBF. Algo do tipo “eu não falo de você e você não fala de mim”. E não adianta falar que em Londres o Brasil jogou sem o emblema da CBF, porque querendo ou não, lá a seleção está representando o COB, de Carlos Arthur Nuzman, que não difere em nada da raça de corruptos da qual procede Ricardo Teixeira. Pior do que isso é ver que a imprensa, mais uma vez, está alienando seu telespectador promovendo somente a busca do futebol brasileiro pela famigerada medalha de ouro, enquanto pipocam por aí dossiês e mais dossiês das peripécias de Teixeira e de seus aliados nas instituições esportivas.
Infelizmente, o legado que um dirigente deixa não se resume apenas às conquistas, mas também a todo o trabalho sujo que é feito por trás das cortinas. Tudo isso transformou o time brasileiro no que ele é hoje. Ricardo Teixeira, como um bom artista, deixou sua obra para todo o Brasil ver. Os tolos baterão palmas, porque para eles pouco interessa o quanto foi roubado e muito menos o que a seleção se tornou. Teixeira “ganhou” duas Copas do Mundo e diversos campeonatos mundiais e americanos, e é isso o que importa. Afinal “ao vencedor os espólios”, não é mesmo?
E quanto ao torcedor? Ah, o torcedor. Esse não ganhou nada. Parafraseando Machado de Assis, “ao torcedor, as batatas” e que ele engula nossa seleção mequetrefe e a corja de Ricardo Teixeira que continua por lá, mas que agora atende pelo nome de José Maria Marin. Lamentável.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Entre temores e acertos: O Brasil novamente atrás do Ouro Olímpico



por Roberto Rodrigues



Mais uma vez em busca da tão sonhada medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, o Brasil já tem definidos os 18 jogadores que integrarão a Seleção em Londres. Na última quinta-feira, Mano Menezes divulgou a lista dos convocados com uma única surpresa: O atacante Hulk, que ficou com a vaga que, pretensamente, seria de David Luiz. A convocação gerou algumas repercussões positivas, mas, para parte da mídia, dos torcedores e até para o deputado e “corneteiro” Romário, a lista foi uma “m...”.
Entre os jogadores escolhidos para preencher a cota dos “sobre-23”, Romário considerou apenas a escolha por Thiago Silva acertada.O “baixo” queria a convocação de Daniel Alves e David Luiz para compor uma defesa mais sólida, experiente e que impusesse mais respeito sobre os adversários. “Temos vários outros jogadores acima de 23 anos. Tinha que levar um jogador que imponha mais respeito” – afirmou.
Sem dúvidas, a escolha por Marcelo gera temor. Apesar de ser um excelente jogador, sem questionamentos o melhor da posição no Brasil e um dos melhores do mundo, ao nível de estrelas como Evra e Ashley Cole, Marcelo já provou, por diversas vezes, deficiências que podem levar o Brasil à ruína na competição.
Em partidas contra o Barcelona, por exemplo, o setor de Marcelo foi freqüentemente buscado pelos blaugranas em suas investidas ao ataque e foi talvez a principal fonte de jogadas de perigo e gols barcelonistas na era de freguesia que se estendeu por um bom tempo no futebol europeu. Obviamente, Marcelo não é responsável exclusivo por tais fatos. O sistema defensivo madridista e o poderio ofensivo do Barcelona são muito mais “culpados” pela freguesia, o que não oculta as dificuldades defensivas que o jogador enfrenta há tempos, ainda que tenha melhorado bastante na última temporada. Na Seleção, que pela convocação jogará em um esquema ofensivo com dois volantes que marcam bem, mas não se limitam a jogar defensivamente (Rômulo e Sandro), Marcelo terá suas costas cobertas por um bom, mas inexperiente, Juan, o que causa certa apreensão.
Mais uma deficiência, a maior e mais preocupante em se tratando do lateral, é o chamado “excesso de vontade”. Tal excesso é o mesmo que fez Felipe Melo arrepiar os cabelos da torcida brasileira ao ser expulso na eliminação da Canarinho na Copa de 2010 e o mesmo que já fez o jogador levar cartões desnecessários que prejudicam sua equipe. Contra o já citado Barcelona, na última decisão de Supercopa Espanhola, Marcelo criou uma confusão generalizada por não ter os nervos no lugar, acabou expulso de campo e seu time saiu derrotado. Novamente em razão de sua falta de escrúpulos, Marcelo também foi mandado para fora contra a Argentina, no último amistoso da Seleção, após perder as estribeiras e desferir um soco em Ezequiel Lavezzi.
Apesar de todas as deficiências defensivas e mentais, Marcelo é, disparadamente, a melhor opção para a convocação. Não há, nem entre os menores nem entre os maiores de 23 anos, lateral-esquerdo que se aproxime do patamar do cabeludo. Alex Sandro, o reserva imediato na Seleção Olímpica (e que seria o titular no caso da não-convocação de Marcelo), teve lampejos no Santos, mas no FC Porto ainda não mostrou suas qualidades, tornando imperativa a convocação de uma opção mais confiável. Já na outra lateral, a reclamada ausência de Daniel Alves é simplesmente justificável. Uma temporada mediana no Barça, somadas às boas opções sub-23 para a posição, Rafael e Danilo, tornaram a escolha de Mano a mais correta.

Quanto à convocação de Hulk, outra escolha contestada na lista de Mano, me parece tão acertada quanto a de Marcelo. Quando escalado para jogar de atacante fixo, Hulk não rende, o que ficou provado em suas primeiras atuações com a camisa do Brasil. Tais fracos rendimentos em seu início podem ter gerado resistência nas mentes de quem o viu e fechado os olhos para suas qualidades.

Escalado para jogar no lado direito da linha de três no 4-2-3-1 de Mano, Hulk rendeu, e muito bem, nos amistosos da Seleção nos Estados Unidos. É dessa forma que “O Incrível” joga no FC Porto, onde é atualmente a grande estrela, e onde desempenha papel tão destacado que desperta o interesse do Chelsea, atuais campeões europeus, onde o jogador poderá formar uma linha de três incrível com Eden Hazard e Juan Mata. É pelo lado direito que Hulk, canhoto, consegue melhor utilizar sua força física para abrir espaços entre os setores de meio-campo e defesa adversários e arriscar seus potentes chutes de média distância, tabelar e receber já dentro da grande área ou até mesmo servir seus companheiros. Nos recentes amistosos, Hulk mostrou um entendimento admirável com o meia Oscar, que merece ser o armador titular da equipe no lugar de Ganso, que há muito não demonstra o futebol que encantou em 2010 e no começo de 2011, e que se preocupa mais com sua saúde financeira do que com seu bom desempenho em campo.

Apesar da baixa média de idade, a Seleção Olímpica certamente cederá um grande número de jogadores ao grupo brasileiro para a Copa de 2014. Nomes como o goleiro Rafael Cabral, o volante Sandro, o astro Neymar e os atacantes Leandro Damião e Pato além de, é claro, os três atletas acima dos 23 anos, já são figuras carimbadas no time principal, e têm grandes chances de estarem na convocação final para o Mundial. Apesar da falta de entusiasmo com a Seleção, o elenco atual se aproxima muito mais de históricos bons times que vestiram a Amarelinha do que, por exemplo, a equipe de Dunga em 2010. O time atual apresenta jogadores técnicos em todas as posições, que tocam bem a bola e se movimentam com eficácia. Além disso, Mano Menezes é um treinador que possui uma parte tática muito apurada, e, pelo menos no time olímpico, fez escolhas corretas para se encaixar ao esquema "da moda", o 4-2-3-1.

Por mais que existam vagas para alguns bons jogadores que não estão nesta lista, como os laterais Maicon e Daniel Alves, o zagueiro David Luiz, os meias Ramires e Hernanes, e quem sabe, Kaká, além de possíveis novos jogadores que alcancem o nível de Seleção Brasileira em dois anos, a base para 2014 está montada, e é um bom time. Resta saber se a incógnita Alexandre Pato deixará de se lesionar e retornará à boa forma para assumir com autoridade a camisa 9 e se Neymar aguentará carregar a responsabilidade de, tão jovem, ser o protagonista de duas campanhas importantíssimas para o Brasil. As chances são boas.





domingo, 13 de maio de 2012

Seleção ganha em vigor e perde no pagode



por Maurício Paulucci







Mano Menezes anunciou na sexta-feira a lista de convocados para os amistosos promovidos pela CBF, contra Dinamarca, Estados Unidos, México, e Argentina.


Para quem achava que a troca de Ricardo Teixeira por José Maria Marin seria “para inglês ver”, a mudança parece ter dado certa “aliviada” nos interesses que rondavam a convocatória da Seleção Brasileira. Depois de uma série de convocações injustificáveis, Ronaldinho Gaúcho enfim ficou de fora da lista, abrindo espaço para as gratas surpresas, que foram as convocações do zagueiro Bruno Uvini, do Tottenham, do meia Oscar, do Internacional e, principalmente, do excelente atacante do Fluminense, Wellington Nem.
Dos 23 convocados apenas Daniel Alves, David Luiz, Hulk, Jefferson, Marcelo e Thiago Silva não tem idade olímpica.

Desde que assumiu o comando da Seleção Canarinho, Mano Menezes pecou no planejamento para a disputa dos Jogos Olímpicos de Londres. Talvez por estar preocupado em manter seu cargo, que esteve desde sempre ameaçado pela ausência de resultados convincentes, o treinador sempre convocou aqueles que ele considerava os melhores disponíveis para disputar até mesmo amistosos.


No entanto, pelos nomes chamados para a próxima série de amistosos, o treinador terá um tempo considerável para definir o time que irá às Olimpíadas, mas pode ser tarde para preparar um time.

“Ainda não conseguimos desenvolver de forma isolada um projeto olímpico separado da seleção principal. Já convocamos jogadores jovens nos últimos nove meses, mas no início de julho vamos convocar exclusivamente”, explicou Mano.

Algumas ausências foram sentidas, como a de Kaká, do Real Madrid, e de Ramires, que tem se destacado no Chelsea no fim da temporada européia. No entanto, as opções sub-23 disponíveis para suas posições, são mais qualificadas do que, por exemplo, as para as laterais ou para o miolo da zaga. Talvez resida aí a justificativa para a presença dos titulares da seleção principal para tais posições, e a ausência de jogadores notáveis para as outras.



A convocação de Wellington Nem pode oferecer uma alternativa tática interessante pela ponta
esquerda. O ponta poderá formar parceria com Marcelo, o que pode funcionar muito bem. Já a convocação de Alexandre Pato, em minha opinião, é como convidar um asmático para um campeonato de encher bexigas. Apesar de considerar válida uma última chance ao atacante milanista, o momento para convocá-lo não era agora. Voltando de contusão, Pato pode se queimar ainda mais e perder definitivamente a chance que teria de integrar o escrete canarinho para a Copa de 2014.