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terça-feira, 9 de julho de 2013

Drama à vista

Por Gustavo Aleixo



Como bem disse Ronaldinho Gaúcho, o jogo desta quarta-feira contra o Newell’s Old Boys, é o jogo mais importante da história do Clube Atlético Mineiro. Em jogo está uma vaga para a final da tão cobiçada Libertadores, mas para seguir sonhando o Galo precisa vencer a equipe argentina por três gols de diferença.


Aparentemente, a tarefa não parece ser tão indigesta quanto parece para os comandados de Cuca. Na atual temporada, em 16 jogos disputados como mandante, o Atlético, em oito oportunidades, venceu por três ou mais gols de diferença. Contra o Grêmio, pela 2ª rodada do Brasileirão, o Galo triunfou por dois tentos a zero, resultado este que se repetido na quarta-feira, levará a disputa para os pênaltis.

Pois é. Aparentemente a situação é “tranquila”. Se as estatísticas por um lado dão esperança para a torcida alvinegra, por outro lado, estes mesmos números indicam um cenário que muitos desejam evitar contra o Newell’s: sofrer o fatídico gol em casa.

Nos 16 jogos realizados dentro dos domínios atleticanos neste ano, o Galo sofreu gols em 11 partidas (68% dos jogos). Na Libertadores, os números são ainda mais cruéis – o Atlético sofreu gols em todos os jogos realizados no Independência.

Já dizia o profeta que os números não entram em campo, mas certamente servem de sobreaviso para os jogadores e para a torcida do Galo. A classificação pode ser atleticana no final, mas o jogo que se imagina difícil antes da bola rolar, pode ganhar contornos ainda mais dramáticos durante a partida.

Jogos do Atlético em casa neste ano:

Campeonato Mineiro

Atlético 3 x 0 Araxá
Atlético 3 x 1 Guarani-MG
Atlético 5 X 2 América-MG
Atlético 4 x 1 Tupi
Atlético 4 x 0 Boa
Atlético 2 x 1 Villa Nova-MG *jogo realizado no Mineirão
Atlético 5 x 1 Tombense
Atlético 3 x 0 Cruzeiro

Campeonato Brasileiro

Atlético 2 x 0 Grêmio *jogo realizado na Arena do Jacaré
Atlético 0 x 0 São Paulo
Atlético 3 x 2 Criciúma

Taça Libertadores

Atlético 2 x 1  São Paulo
Atlético 2 x 1 The Strongest
Atlético 5 x 2 Arsenal
Atlético 4 x 1 São Paulo
Atlético 1 x 1 Tijuana


quarta-feira, 17 de abril de 2013

A hora do 'fatality' atleticano é agora

Por Pedro Lucas Amim

"Hoje é dia de decisão para o Galo na Libertadores da América". Essa frase pode ser considerada um absurdo considerando o fato de que o Atlético já assegurou a melhor campanha na fase de grupos da competição e que essa etapa foi atingida tranquilamente pelo alvinegro. Afinal, porque o jogo da sexta e última rodada, contra um time praticamente eliminado, e com o Galo nessa posição privilegiada haveria de ser uma decisão para o time mineiro?

A resposta é simples: a equipe moribunda e que duelará com os atleticanos é nada mais nada menos que o São Paulo, 6 vezes finalista da Libertadores (ganhou 3) e por 3 vezes campeão do mundo. E somando-se a isso, o fato de que caso saia derrotado do Morumbi, o Galo tem enormes chances de enfrentar o próprio tricolor paulista nas oitavas de final, já que no outro jogo do grupo acontecerá outro duelo decisivo entre Arsenal e The Strongest na Argentina em que ambos têm chances de classificação. Por isso é bem provável que o time boliviano não saia vitorioso, já que o Arsenal jogará a vida dentro de casa e o retrospecto do Strongest fora de seus domínios é pífio (pra se ter uma ideia, o último triunfo fora de casa do time boliviano na Libertadores foi em 1982. Já são 21 derrotas seguidas no torneio em jogos fora de casa).

Emoção é o que não falta nessa rodada derradeira do Grupo 3. Até a possibilidade de um sorteio de desempate acontecer entre São Paulo e The Strongest não é descartada (para isso basta que o jogo entre os brasileiros fique 2x1 para os paulistas e que o jogo da Argentina fique no 1x1. Assim, SPFC e Strongest ficariam empatados em todos os critérios de desempate). As possibilidades são inúmeras. Só o galo está garantido. E só no caso de uma vitória dos bolivianos é possível que o adversário do Galo nas oitavas não seja do próprio grupo 3.

É notório que tantas combinações deixam a cabeça de quem está lendo esse texto um pouco confusa. A conta da classificação para São Paulo, Arsenal e The Strongest também é um tanto quanto complicada.

Porém a missão do Galo é bastante simples: basta um empate para dar um 'fatality' nesse papa-títulos que é o SPFC. Se o resultado de hoje às 22h no Morumbi for igual para Atlético e São Paulo o time alvinegro eliminará o tricolor paulista e não permitirá que um gigante sul-americano saia de seu sono profundo no torneio.

Essa meta deve ser prioridade no elenco alvinegro e esse jogo deve sim ser tratado como decisão. Afinal é muito melhor encarar numa fase de mata-mata um time de pouca expressão e camisa (e até mesmo mais fraco tecnicamente, casos de Arsenal e The Strongest) no continente do que um grande clube do futebol brasileiro e internacional. E para isso acontecer o Galo tem que se impor como fez no primeiro duelo do ano, na técnica e na malandragem. E é melhor não deixar pra fazer isso na próxima fase...


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Galo embriaga São Paulo e começa Libertadores com vitória incontestável



Por Maurício Pauluci


Atlético vence o tricolor paulista por 2 a 1, com ótima atuação
 de Ronaldinho, que se envolveu em lance curioso

R10 comemora gol da vitória com Réver. (Foto: Bruno Cantini)

Quem encheu a cara nesse carnaval deve saber exatamente como São Paulo se sentiu na partida contra o Galo na estreia das equipes na Libertadores 2013. Foram treze anos sem disputar o torneio intercontinental, mas o Atlético parece ter ficado com a motivação latente nesse período. Parecia um boi esperando ansiosamente a abertura da porteira para derrubar o peão em oito segundos. Com uma pegada muito forte e uma marcação precisa, o Galo fez uma partida muito boa, com um ímpeto incrível, mas sem demonstrar afobação e mesmo levando uma pressão o fim, saiu com os três pontos. Apesar de ter um time com muitos jogadores com idade avançada, parecia estar em campo um equipe com fôlego de garoto.
Inversão tática do Galo
Diego Tardelli retornou ao Galo com uma recepção quase que de um santo. O atacante já chegou botando banca e falando que gostaria de jogar na esquerda, posição muito bem exercida por Bernard na última temporada, além de ter pegado a camisa nove de Jô, que teve que aceitar a sete. No entanto não é fácil para Cuca desbancar Bernard. Então o treinador atleticano resolveu fazer um carnaval da defesa do São Paulo. Por várias vezes Tardelli e Bernard invertiam as pontas deixando a marcação da defesa tricolor maluca. Os defensores Lúcio e Rhodolfo são experientes e técnicos, mas lentos.
Em 2012, as laterais do Galo foram um trunfo da boa campanha do time na temporada, principalmente com as investidas ofensivas de Marcos Rocha. No entanto, o que se viu na partida desta quarta-feira foram Júnior César  e Marcos Rocha muito menos incisivos e presentes no ataque, até porque os flancos do Galo estavam sendo bem ocupados por Tardelli e Bernard.
São Paulo apático no primeiro tempo
O Atlético pôs o São Paulo na roda no primeiro tempo, principalmente. Apesar de trocar passes muito bem o time não conseguia acertar o último passe, e a bola não chegava ao centroavante  Luís Fabiano. Paulo Miranda fez uma partida muito ruim, errava passes de meio metro. Jadson, que até então vinha fazendo ótimos jogos, recebeu uma forte marcação de Pierre e não conseguiu jogar.
Jogada ensaiada ou falta de Fair Play?
Acho que o primeiro gol do Galo, do atacante Jô, merece um comentário especial. A jogada é curiosa, Ronaldinho vai até Rogério Ceni, pede um gole d’água, na camaradagem, para o goleiro tricolor, enquanto o jogo está paralisado para o atendimento de Júnior César. Para o delírio dos comentaristas de arbitragem, que puderam explicar que na cobrança de lateral não tem impedimento, Ronaldinho ficou ali, na miúda, na banheira, esperando o lançamento de Marcos Rocha. O lateral fez um arremesso perfeito e, com a zaga do São Paulo desprevenida, o Atlético chegou a primeiro gol com Jô.
É preciso frisar, também, que a zaga tricolor foi muito juvenil no lance. Apesar do jogo estar parado, os defensores do São Paulo não podem nem tirar o olho de um craque como o Ronaldinho.
Que me perdoem os admiradores do acaso, mas eu tenho certeza que foi uma jogada combinada. O R10 corre claramente para a esquerda e fica esperando a cobrança do lateral. No desenrolar da jogada Ronaldinho mal olha para área porque algo já dizia a ele que Jô estaria lá. Jogada ensaiada e pra mim falta de Fair Play. Alguns chamam de malandragem, mas o fato é que o Ronaldinho forjou uma situação, que envolveu a boa vontade e companheirismo de Rogério Ceni, para tirar a vantagem e construir a jogada do gol.
Não que eu discorde, mas o lance tem a mesma essência daquela jogada do Luiz Adriano, do Shaktar, na Champions League. A verdade é que eu acho o Fair Play obrigatório uma palhaçada e eu acredito que são lances oportunistas e provocativos como esse que fazem o futebol ser divertido e tão interessante.
Segundo tempo: Galo cansou e tricolor melhorou
O São Paulo conseguiu sua primeira finalização no jogo apenas no segundo tempo. Ney Franco parece ter percebido que a linha de passe do tricolor paulista não estava conseguindo furar a muralha defensiva do Galo, que teve no primeiro tempo um Réver impecável. O treinador do São Paulo deve ter dado um tapinha nas costas do Osvaldo e falado “Vai pra dentro deles, meu filho”. Porque a correria e o individualismo do ponta eram boas estratégias para furar o bloqueio mineiro.
Parece que o treinador tricolor deu um Engov para os jogares no intervalo, que voltaram muito mais sóbrios e com mais energia. O futebol de Osvaldo apareceu e a substituição do Paulo Miranda melhorou a saída de bola da equipe, que fez um primeiro tempo péssimo, errando muito passes. O São Paulo cresceu no jogo e as oportunidades começaram a surgir. Foi nesse momento que surgiu um dos elementos mais importantes deste time do Galo. Victor. O goleiro quase não trabalhou na primeira etapa, mas quando precisou, fez boas defesas.
E foi exatamente no momento que o São Paulo crescia no jogo, que o Galo deu uma ducha de água fria nas pretensões tricolores. Em um lance bastante simbólico, que resume bem como são as equipe do Atlético ofensivamente e do São Paulo defensivamente. Em uma jogada de gênio de Ronaldinho Gaúcho, pela ponta direta, o craque fez um cruzamento preciso na cabeça de Réver, que fez 2 a 0 para o Galo.
O time mineiro usou uma jogada que sabe fazer muito bem: jogada individual de Ronaldinho e bola alçada na área. E o São Paulo mostrou todo seu afrouxamento defensivo. Em uma das gingadas de R10, Ganso, simplesmente virou as costas para o lance. Apesar de ter uma zaga alta, o time paulista mostrou que sua defesa não tem agilidade para antecipar a jogada aérea do alvinegro mineiro.
Na marra, Aloísio diminuiu para o São Paulo, com uma assistência feita pelo pivô de Luís Fabiano. Porém já era tarde, o Galo conseguiu segurar bem o resultado e saiu do Independência com muito mais do que uma vitória e três pontos. O Atlético viu que tem a possibilidade de chegar longe na competição, que é o sonho de consumo da torcida atleticana.
Enfim, quem gosta de futebol viu uma partida incrível. Raça, malandragem, pegada, jogadas individuais, lançamentos longos e muitos craques em campo. O Galo mostrou que realmente tem um time muito competitivo técnico e com muito vigor. É importante ter a humildade de saber que é preciso aumentar a versatilidade de jogadas, porque o jogo aéreo pode não funcionar sempre. Já o São Paulo sofre com a perda de Lucas, e apesar de ter um time frio e cirúrgico precisa perder a dependência da armação de Jadson e melhorar a transição do meio para o ataque.
O próximo compromisso do Galo na Libertadores é contra o Arsenal de Sarandí, na Argentina, daqui a duas semanas, às 21h45. O São Paulo recebe o The Strongest no Morumbi para tentar a primeira vitória no Grupo 3, no dia 28, às 21h30.
Alfinetada no Cruzeiro
O Galo não perde a oportunidade de tirar uma com a cara do Cruzeiro. O jogo teve um público pagante de 18.167 e estes torcedores não passaram sede. No clássico contra o Cruzeiro, no dia três de fevereiro, com o clube celeste como mandante, faltou água para beber, nos banheiros, papel e muita, muita organização. O Galo imprimiu no selo dos copos de água vendidos nesta noite, no Independência, a inscrição “Aqui tem água”. Eu acho essas provocações válidas demais, principalmente em tempos de um futebol tão burocrático, em que os mandatários brasileiros querem transformar o esporte, que tem uma essência tão popular, em um opera elitizada.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Timão das Américas


Por Gustavo Aleixo

   

Acredite torcedor, o Corinthians é campeão da Copa Libertadores 2012. E com justiça alias.
    
A equipe corintiana alcançou ontem o topo das Américas ao vencer o Boca Juniors por 2 a 0, talvez com um pouco de sorte e com um futebol um tanto pragmático, mas questionar o quê diante de uma conquista invicta, como a que conseguiu o time paulista?
    
Me lembro agora, daquela velha máxima do futebol que diz que “em time que ganha não se mexe”.  E é mais ao menos por aí que eu guio o meu raciocínio. O Corinthians ganhou um título de enorme importância, e colocar em dúvida a equipe ou até mesmo a legitimidade do título é acima de tudo, uma grande burrice. O momento agora é de louvar o trabalho de Tite e de todo um grupo de jogadores que antes mesmo do triunfo de ontem, comemorou ano passado a conquista do Campeonato Brasileiro.
    
Olhando apenas por esse lado a equipe do Parque São Jorge já era uma boa aposta para a conquista da Libertadores desse ano, mas assim como em disputas anteriores, sempre existiu uma forte desconfiança sobre um time que jamais havia chegado nem a final da competição continental. Diferente de participações anteriores, o “time do povo”, soube nesta edição jogar com a torcida e exibiu um comportamento tático que se manteve sempre sólido, mesmo em momentos de pressão, como nos jogos contra o Santos e na partida disputada contra o Boca na La Bombonera, e muito em virtude disso levantou o inédito caneco.
    
 É inegável que o momento do futebol atual se resume e muito à disciplina tática, e a conquista do Corinthians na Libertadores mostra que este estilo de jogo pode e deve ser valorizado. Logicamente, não podemos apenas colocar como fator definidor da final a competência tática corintiana. Por trás de toda a movimentação executada em perfeita sintonia no campo de jogo, existiam não apenas atletas com qualidade para cumprir as ordens do treinador, mas também jogadores capazes de definir partidas.
   
Na final, a conhecida fórmula se repetiu. A defesa mosqueteira foi impecável e deu segurança para que os avantes alvinegros tivessem chance de buscar os gols nos contra ataques. Foi nesse momento que brilhou a estrela de Émerson (foto ao lado). O jogador comandou com maestria a vitória alvinegra com dois gols de oportunismo e levantou seu quarto grande título desde que voltou ao Brasil. Sabendo da proximidade da conquista, o camisa 11 ainda teve tempo de tirar onda com os jogadores do Boca ao melhor estilo “hermano”. Mas ele podia fazer isso, porque quando muitos achavam que Riquelme seria o nome da decisão, o "Sheik" tirou o meia xeneize de cena e confirmou a fama de pé quente e é claro, de ótimo jogador.
    
Final de jogo, festa no Pacaembú e nas ruas de São Paulo, e dor de cabeça para todos aqueles que secaram o time alvinegro, afinal, o mito de que o Corinthians jamais ganharia uma Libertadores caiu por terra, e de maneira indiscutível. Parabéns a equipe e também a torcida corintiana, que deve sim, comemorar bastante esse título, porque na noite de ontem o Corinthians passou a ser não apenas “Timão” no Brasil, mas também nas Américas. 


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Regulamento com cheiro de suor corinthiano


Por Maurício Paulucci


Corinthians aliou a vantagem que tinha a muita marcação e raça para garantir a vaga história para final


O sonho alvinegro paulista continua. Com um estilo pragmático de jogo, muita marcação e apostando nas bolas paradas, o Timão chega pela primeira vez na historia à final da Taça Libertadores da América e está cada vez mais maduro para erguer o caneco. E uma má notícia para a nação anticorinthiana no Brasil, o Timão tá com cara de campeão.


O quanto pode ser significativa uma vantagem construída no jogo de ida? Para o Corinthians só serviu para complicar a chegada do time à final. O Alvinegro da capital paulista entrou com regulamento debaixo do braço e tomou um susto no primeiro tempo, mas com muita marcação e um pouco de sorte conseguiu alcançar e segurar o empate.



O Santos precisava vencer, e isso já se refletiu na escalação da equipe de Muricy. A entrada de Borges, no lugar de Elano, deixou Alan Kardec e Neymar com mais liberdade, e colocou o Ganso mais recuado. O Santos jogou no 4-2-3-1, com Neymar flutuando entre a ponta esquerda e o meio. Arouca cumpriu um papel tático muito importante na armação das jogadas, com PH Ganso jogando mais fixo só jogando no ‘toco e me voy’, o volante foi um bom elemento surpresa vindo de trás. O fato de Henrique jogar quase como um terceiro zagueiro no lado direito do campo, deu muita liberdade ao Juan que pode chegar ao ataque diversas vezes, mas sem muito sucesso.


O primeiro tempo do Corinthians foi covarde, a estratégia de Tite era se defender e apostar nos contra ataques, mas o time, por incrível que parece sentiu falta da displicência defensiva do “Sheik” Émerson, que por mais que fosse negligente na marcação era uma referência ofensiva. William e Jorge Henrique atuavam de pontas quando a equipe atacava, mas quando o Timão se defendia, recuavam quase que como laterais. Os mais atentos viram em diversas oportunidades o Corinthians jogando com uma linha de cinco na defesa.



O Santos fez o papel dele, dominou a partida no meio de campo com Ganso articulando todas as jogadas e Neymar com um gás incrível. Parece que em resposta às criticas que indicavam que as convocações e sua agenda publicitária estavam desgastando o jovem craque. Em uma jogada que começou com uma arrancada, o camisa 11 lançou Kardec na ponta direita, que cruzou para Borges que acertou a trave. Com uma onipresença incrível, Neymar pegou o rebote e abriu o marcador.


No intervalo, o técnico Tite percebeu que chamar o Santos para sair nos contra ataques não era a melhor estratégia, então ele desfez a formação inicial, sacou William e colocou Liédson. Aí entra a estrela do técnico, já que o Timão chegou ao gol de empate, aos dois minutos, numa falta batida por Alex, e depois de uma falha grotesca, que já virou rotina nas bolas aéreas na defesa do Santos, Danilo só completou para as redes. A reação do Corinthians se deu muito mais pela mudança de postura do que pela alteração feita pelo treinador. Não tirando o mérito do Tite, que provavelmente, mexeu com os brios dos jogadores nos vestiários.


No meio do segundo tempo um episódio que tem se tornado comum no futebol brasileiro. Pela ponta direita do ataque do Corinthians um arremesso lateral quase tomou proporções maiores. Um gandula demorou para repor a bola para o Santos e Adriano perdeu a cabeça e agrediu o rapaz. Até quando o Brasil vai manter esses elementos de varzeamento do futebol? O futebol brasileiro tem que evoluir não apenas economicamente, mas também em aspectos relacionados à organização das partidas de futebol feitas no país.


Depois do gol, o Corinthians adiantou sua marcação,dessa forma conseguiu anular a formação das jogadas do Santos, que eram com o Ganso. Com essa possibilidade reduzida, o Santos teve dificuldade para levar a bola até seu ataque, e Borges passou a ficar muito isolado. É em um jogo como esse que eu passo a admirar o treinador Tite que com suas mudanças táticas conseguiu mudar a cara do jogo, percebendo o erro da primeira etapa. Quando não saia da ponta esquerda para fugir da marcação Neymar esbarrava nos desarmes impecáveis de Alessandro.
O empate levava o Timão a uma final inédita do torneio mais importante da América Latina. Muricy tentou mudar o panorama trocando Juan por Léo, substituição que deu certo nas quartas de final contra o Vélez. Além disso, a troca de Elano por Adriano dava uma boa perspectiva nos remates de longe, lançamento e bolas paradas. O treinador do alvinegro praiano colocou Dimba no lugar de Borges, que é mais seis por meia dúzia, apesar de achar o Borges mais decisivo.


Mesmo sabendo dos riscos o Corinthians voltou a recuar e chamar o Santos para seu campo. Involuntariamente o Timão colocou o regulamento debaixo do braço de novo, apostando novamente nos contra ataques.


Depois de um show a parte do bandeirinha Altemir Hausmann, que marcou várias faltas na partida, fez um semicírculo no melhor estilo compasso e parecia querer aparecer mais que o cabelo do Neymar, o arbitro Vuaden encerrou a partida com um tom épico. E agora é esperar o resultado da outra semifinal, e provavelmente teremos um Brasil e Argentina na final.