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quarta-feira, 20 de junho de 2012

UEFA Euro 2012: 1ª fase sem grandes surpresas e anfitriões dão adeus a competição

por Pedro Lucas Amim





Depois de 32 jogos e muita emoção, a primeira fase da Eurocopa terminou sem grandes surpresas.  De surprendente mesmo, apenas a eliminação da Rússia na última rodada e a péssima campanha da irreconhecível Holanda, vice-campeã mundial na África do Sul em 2010. Quem também lamentou bastante foram ucranianos e poloneses, que acabaram vendo suas seleções sucumbirem dentro de casa. Em geral tudo correu como a maioria já previa, já que as seleções mais fortes passaram. Alemanha, Itália, França, Inglaterra, Portugal e Espanha estão garantidas nas quartas de finais, que também terão a presença de Grécia e República Tcheca.
Um dado curioso é que nesta Euro não tivemos o desprazer de acompanhar nenhum 0x0. O futebol praticado até aqui é de muito toque de bola e eficiência tática. É difícil ver uma seleção que jogue na base do chutão e não saiba sair jogando da defesa para o ataque passando pelo meio de campo. Em contrapartida, é bom observar que, exceção feita à Alemanha, nenhuma seleção nos fez suspirar com um grande futebol, nem mesmo a tão festejada Espanha comandada por Xavi e Iniesta.
Das 16 seleções que iniciaram a competição, restaram as oito citadas acima, mas qual foi a história de cada grupo?

GRUPO A

O grupo A era teoricamente o mais fraco, e tinha como favorita à classificação a seleção russa liderada por Arshavin. Este também era o grupo em que se encontrava a anfitriã Polônia, de Lewandowski, ao lado da Grécia, de Karagounis, e da República Tcheca, de Petr Cech.  Os donos da casa decepcionaram, se despediram com dois empates e uma derrota e um futebol bem abaixo do que se espera de um time com o apoio de sua torcida e com um elenco composto por bons jogadores como Szczesny, Piszczek, Blaszczykowski e é claro, Lewandowski. Os gregos aprontaram mais uma vez, relembrando 2004, e se classificaram ao bater a Rússia na última rodada se beneficiando do regulamento, que prevê como primeiro critério de desempate o confronto direto, e não o saldo de gols. Rússia e República Tcheca, que se enfrentaram na primeira rodada com um chocolate russo por 4x1, fizeram valer o ditado “Quem ri por último, ri melhor”. No final, quem riu foi a República Tcheca, que se recuperou, venceu as 2 partidas restantes e terminou como campeã da chave, presenciando a agonia dos russos que caíram para os gregos.

GRUPO B

Se havia algum grupo que poderia ser tratado como mais complicado que os demais, esse era o Grupo B, formado por Alemanha, Dinamarca, Holanda e Portugal.  Quem se viu acuada nesse cenário foi a seleção dinamarquesa, que lutou muito e até conseguiu vencer na estréia, mas acabou sendo eliminada. Porém quem pode chamar esse grupo de “Grupo da Morte”, é a Holanda. Os laranjas amargaram três derrotas e deixaram a competição sem marcar ao menos um ponto, decepcionando todos que apontavam a seleção dos astros Robben, Sneidjer e Van Persie como favorita ao título. Quem se fez valer do favoritismo foi a Alemanha comandada pelo excelente Joachim Löw, que não tomou conhecimento de nenhum adversário, vencendo todos os seus jogos e sendo a única seleção do torneio a possuir 100% de aproveitamento, demonstrando um futebol eficiente e bonito.  A outra seleção classificada foi a lusitana, comandada pelo super astro Cristiano Ronaldo, que após atuações apagadas que suscitaram muitas críticas nas duas primeiras rodadas, desencantou e decidiu na rodada derradeira. Portugal venceu Holanda e Dinamarca sem praticar um futebol encantador, mas terminou a fase de grupos com méritos indiscutíveis em sua classificação.



GRUPO C


Outro grupo forte era o C. Nada mais nada menos que as duas últimas vencedoras da Copa do Mundo, Espanha e Itália, formavam a chave ao lado da boa seleção croata e da frágil seleção irlandesa. O time da Irlanda, por sinal, só pode se orgulhar da festa maravilhosa proporcionada por sua torcida que não desanimou mesmo com os três reveses e o fraquíssimo futebol apresentado na primeira fase. Outra decepção foi a Espanha, que mesmo passando em primeiro lugar no grupo não mostrou nada brilhante e passou por sufoco incrível contra a Croácia na última rodada, sendo

beneficiada pelo árbitro, que não marcou pênalti claríssimo de Busquets sobre Corluka, quando o placar ainda apontava 0x0. Pouco depois, Jesus Navas marcou o gol da vitória espanhola, eliminando a Croácia que surpreendeu positivamente e não beliscou a vaga por um pouco de azar e deficiências técnica em alguns setores, além, é claro, da arbitragem citada anteriormente. Já a Itália jogou o esperado. Com um futebol pragmático e nada vistoso o time do goleiro Buffon só venceu na terceira rodada, mas provou que superou o fracasso na África em 2010 fazendo valer o peso da sua camisa, e é o tipo de seleção que nunca deve ser menosprezada.


GRUPO D

O grupo D apresentava outra briga de gente grande. A Ucrânia, jogando ao lado de sua torcida e com o veterano Shevchenko no elenco, deu sinais de que daria trabalho, ao vencer a Suécia na estréia, mas decepcionou perdendo as duas partidas restantes. Todavia, é importante ressaltar que os ucranianos, assim como os croatas, foram prejudicados pela arbitragem, que na última rodada, contra a Inglaterra, alegou que a bola de Devic, cortada por John Terry após cruzar a linha de gol, não entrou. A bola entrou e todo mundo viu, exceto os 5 árbitros de campo, com destaque para o auxiliar posicionado ao lado do gol, e que, na verdade, parece nada mais do que um enfeite em campo. Arbitragem de lado, o grupo D contava ainda com a forte seleção francesa e a medíocre seleção sueca, que é totalmente dependente do craque do Milan Zlatan Ibrahimovic e que, na última rodada, já desclassificada, conseguiu um único feito marcante no torneio, que foi quebrar a invencibilidade de 24 jogos dos franceses. Dos classificados França e Inglaterra, um futebol eficiente pode ser visto. Apesar da derrota francesa no último compromisso, os bleus foram o time que se mostrou mais forte no grupo, com um toque de bola envolvente e um ataque talentoso, com Ribery, Benzema e Nasri.  A Inglaterra sofreu com a ausência de Rooney nas 2 primeiras rodadas, mas teve nos pés de Gerrard o toque de qualidade e a confiança necessária para conquistar bons resultados. Porém, acredito que o time inglês sofre com deficiências técnicas em setores importantes, e não apostaria minhas fichas no English Team para a conquista do título. Mas afirmo, se os ingleses levarem a Euro 2012 para casa, não será nada anormal, pois apesar de tudo, são eles os inventores do esporte, e possuem bastante tradição.
Depois da agitada primeira fase, os confrontos das quartas ficaram definidos da seguinte maneira:


República Tcheca x Portugal, no Estádio Nacional Varsóvia, dia 21/06;
Alemanha x Grécia, na Arena Gdansk, dia 22/06;
Espanha x França, na Donbass Arena, dia 23/06;
Inglaterra x Itália, no Estádio Olímpico de Kiev, dia 24/06.


   Após a excelente primeira fase, a partir de agora se inicia um novo campeonato. Todos os confrontos prometem, e provavelmente serão disputadíssimos. Muitas surpresas podem acontecer, mas a certeza que fica é que, daqui pra frente, presenciaremos jogos ainda melhores e quem conseguir sobreviver terá muitos motivos para comemorar a vitória neste torneio, que é praticamente uma mini Copa do Mundo. 

domingo, 17 de junho de 2012

Espelho, Espelho Meu




Espelho, espelho meu, existe algum jogador melhor do que eu? Para muitos pseudo-analistas por aí, tal frase resume o que é Cristiano Ronaldo como jogador. Egocêntrico, marrento e chato são alguns dos nomes gritados aos quatro ventos para definir o perfil do jogador português. Mas, para aqueles que se apegam ao que menos interessa no futebol, CR7 deu seu recado hoje com uma atuação impecável pela seleção de Portugal.

Concordo que o atacante português é um jogador que gosta de se promover e carrega consigo um ego gigantesco, mas a questão é que o fato do jogador lusitano se olhar no telão após um lance de perigo tem se tornado mais comentado do que a atuação do jogador na partida. E, infelizmente, eu vejo grande parte da imprensa brasileira fazer tal análise rasa que em nada tem a acrescentar ao jornalismo.

Pessoalmente, prefiro falar de Cristiano Ronaldo como o jogador que neste domingo chegou ao seu 68º gol na atual temporada, sendo superado somente pelo argentino Lionel Messi com absurdos 82 gols na temporada. E esse é o azar de Cristiano: ter Messi como concorrente ao posto de melhor do mundo. Se não fosse pelo argentino, o craque lusitano teria muito mais do que “apenas” um título de melhor do mundo, que por sinal é um fato muito pouco lembrado pela imprensa.




Dentre os europeus CR7 é, sem dúvida, o melhor, e fez questão de mostrar tal superioridade no jogo de hoje pela Euro 2012. O “gajo” foi o principal responsável pela vitória que deu a classificação para a próxima fase a Portugal. Dono de uma habilidade incrível, Ronaldo surpreendeu não apenas pela qualidade técnica, mas também pela explosão física, que em alguns momentos, lembrou Ronaldo Fenômeno. Guardadas, é claro, as devidas proporções.

As proporções também devem ser guardadas na desnecessária comparação entre Cristiano Ronaldo e Messi. Ambos são grandes jogadores e não é tarefa do jornalista escolher entre amar ou odiar um jogador por razões torpes ou meramente pessoais. Messi é o melhor, mas Cristiano também merece ter seu lugar de destaque no futebol, inclusive aqui no Brasil, onde preferem comparar Neymar apenas à Messi, colocando o atacante português para escanteio.

A verdade é que Cristiano Ronaldo não é apenas puro marketing. No alto de seus 27 anos, o português já conquistou muita coisa e pode ganhar muito mais, mesmo numa razoável seleção portuguesa. Ronaldo pode (e por que não?) cravar seu nome como um dos grandes da história. Potencial para isso ele tem, mesmo que isso incomode àqueles que analisam futebol pelo corte de cabelo de um jogador.



segunda-feira, 21 de maio de 2012

Heróis? Vilões? Não. Apenas humanos.


por Roberto Rodrigues




Arjen Robben e Bastian Schweinsteiger. Reconhecidamente dois excepcionais jogadores. Junto a Ribèry, com certeza, os melhores do gigante alemão Bayern de Munique. Bayern este, que chegou repleto de méritos à final da edição 2011-12 da UEFA Champions League, após bater o poderoso Real Madrid nas semifinais, e que na decisão de sábado, foi superior ao Chelsea durante os 120 minutos da decisão.

Em 2010, o Bayern também havia alcançado a final da Champions League, e muito em razão do desempenho do holandês Robben. Ele foi o grande destaque da campanha, jogando bem e marcando gols decisivos, como o golaço contra o Manchester United nas quartas. No entanto, na final contra a Internazionale, Robben foi anulado por Chivu, e o time alemão sucumbiu perante os italianos. Ainda em 2010, Robben realizou uma Copa do Mundo abaixo de crítica, mas ainda assim chegou como titular à final, quando teve nos pés pelo menos duas chances claras para definir a partida e levar o primeiro título mundial a seu país de origem, e falhou em ambas.

 Diferentemente do colega de equipe, Bastian Schweinsteiger ainda não havia deixado sua equipe na mão em momentos decisivos. Natural da Baviera, o excelente meia chegou ao Bayern aos 14 anos, e desde então nutre grande identificação com o clube e com a torcida. Assim como Robben, foi destaque do Bayern na Champions de 2010, e foi um dos poucos lúcidos no time derrotado na final pela Inter de José Mourinho. Naquele mesmo ano, ainda fez grande Copa do Mundo, conduzindo a Alemanha ao terceiro lugar no pódio.

Com o baixo rendimento da outra estrela do time, Ribèry, na final contra o Chelsea, Robben e Schweinsteiger foram os melhores jogadores da equipe alemã em campo. Robben não tomou conhecimento do jovem Bertrand, que entrou em campo exclusivamente para auxiliar Ashley Cole a marcar o holandês, e criou boas oportunidades se aproveitando de sua principal característica, que é trazer a bola em velocidade da direita para o centro.

Já Schweinsteiger, que vinha atuando como segundo volante, se viu obrigado a atuar na função de primeiro homem à frente da defesa em razão da ausência do volante Luiz Gustavo. E o meia alemão foi ainda melhor que o winger holandês, sendo o melhor jogador do Bayern na decisão. Ele comandou todas as ações ofensivas da equipe, e ainda impediu, durante boa parcela do tempo, que Frank Lampard avançasse para armar o Chelsea. O meia alemão pensou o jogo, trabalhou a bola, arriscou alguns tiros de longe e deu trabalho à eficiente defesa inglesa.

Por tudo isto, o sábado 19 de maio tinha tudo para ser o dia da redenção de Arjen Robben e o dia da consagração de Bastian Schweinsteiger. Diferentemente de 2010, o Bayern chegou à final como favorito. Jogando em casa, contra um Chelsea que foi apenas sexto colocado na Premier League inglesa. O time alemão tinha um ambiente amplamente favorável à conquista, que não vinha desde 2001. E o time correspondeu em campo: jogou melhor, teve grande posse de bola, e dominou as ações por quase todo o tempo. No entanto, o futebol não se explica apenas por números, estatísticas ou por suposta superioridade de alguma equipe sobre outra.

O Chelsea armou um esquema cauteloso, que priorizava fechar os espaços da equipe alemã e impedi-la de adentrar sua grande área. E funcionou. Durante 83 minutos, o Bayern tentou de todas as maneiras. Tentou penetrações pelos flancos, tentou arriscar chutes de média distância, tentou chuveirinhos em bolas paradas (foram 20 escanteios para o Bayern e apenas 1 para o Chelsea), mas faltou objetividade à equipe alemã.

Mas, mesmo com a ineficácia do ataque do Bayern, e apesar da excelente atuação da defesa inglesa, o time alemão conseguiu, por fim, furá-la. Aproveitando cruzamento de Schweinsteiger, o discreto Tomas Müller cabeceou para o chão e deixou poucas chances de recuperação para o excepcional Petr Cech. A torcida em Munique foi à loucura, e os fãs mais pessimistas do Chelsea já se conformavam com a derrota, mas...

Quando tudo parecia resolvido, o Chelsea, que se preocupou durante a maior parte do tempo em se defender, foi obrigado a se lançar à frente. E então, como contra o Barcelona, a objetividade da equipe falou mais alto, e brilhou a estrela de Didier Drogba.Se aproveitando do único escanteio da equipe no jogo, o marfinense testou violentamente para as redes, e contou com uma tentativa não muito feliz de defesa por parte do goleiro Manuel Neuer. Após 83 minutos de batalha por um gol chorado, o Bayern via o Chelsea demonstrar a precisão que faltou a equipe alemã. E o jogo terminou empatado, como desde o início pareciam querer os azuis de Londres.

Veio então a prorrogação, e o jogo dava sinais de estar fadado à decisão por pênaltis. O Chelsea novamente postou 10 de seus 11 jogadores atrás da linha do meio campo, anulando a maioria das jogadas alemãs, até que o apagado Ribèry fez salseiro pelo setor mais frágil da equipe inglesa, o lado direito, e invadiu a área e foi derrubado pelo até então herói Drogba, que passava a ser candidato a vilão da final.

A tão esperada chance de redenção para Arjen Robben não podia ser mais clara. Com um gol àquela altura, o Bayern colocaria novamente uma mão na orelhuda taça da Champions League. Mas quando tudo parecia conspirar para um final feliz para o holandês, Robben falhou de novo. Assim como no Campeonato Alemão, quando desperdiçou um pênalti, e junto a ele, a chance de passar à frente do Borussia Dortmund, Robben teve nos pés a chance de liquidar o Chelsea e a decisão. E novamente falhou. Cobrou mal, e facilitou a defesa de Cech. Talvez tenha falhado também o técnico Jupp Heynckes ao permitir que o holandês realizasse a cobrança. Já está mais do que provado que Robben não mantém os nervos no lugar em momentos como estes, mas ninguém o tirou dali. E Robben novamente caiu em desgraça. Após o pênalti, ele ainda tentou em jogadas individuais, se redimir, mas era tarde. Robben se abalou, e parecia que, para ele, o jogo já estava perdido.

Mas ainda restava Schweinsteiger. Foi na prorrogação que o meia mais chamou o jogo. Praticamente abandonou sua função de primeiro volante, e passou a atuar ainda mais próximo do gol, caindo pelos lados e arriscando ainda mais chutes de longe. Ele bem que tentou, mas não foi o suficiente, e a decisão foi para os pênaltis. E nos pênaltis, Schweinsteiger teve a responsabilidade de cobrar o quinto e último pênalti do Bayern e se consagrar como um dos grandes na história de seu clube de coração. Antes dele, Olic havia desperdiçado sua cobrança, e o Bayern contava com seu prata-da-casa, seu grande jogador em campo para carregar a responsabilidade de manter a equipe viva na disputa...

Mas Schweinsteiger também falhou. Falhou e chorou como uma criança. A taça não ficou em Munique, e talvez cairá sobre ele, injustamente, o estigma de vilão da final, de “pipoqueiro”, ou qualquer uma destas bobagens. O título de herói voltou para Drogba, que converteu o último pênalti, e deu o título de campeão europeu ao Chelsea. Para o Bayern, a decepção, e o perigo de um grande time ser lembrado por nomes pejorativos, assim como aconteceu com Baggio, Zico, Platini, e outros tantos gigantes que acabaram falhando em momentos decisivos.



O futebol é praticado por humanos, e assim como é em qualquer outro âmbito da vida, o humano está sujeito a falhas. O título de “herói” ou “vilão” não cabe no futebol. Na temporada 2012-13, Robben e Schweinsteiger continuarão sendo grandes jogadores, e continuarão fazendo parte de um dos cinco melhores elencos da Europa. O Bayern de Munique terá outra chance de conquistar a Europa, e desde já, pode ser apontado como um dos favoritos à conquista.




Da decisão da edição 2011-12 da UEFA Champions League, ficam as congratulações ao Chelsea. Apesar de muito poder se discutir quanto à origem do dinheiro que formou o time e quanto ao estilo de futebol adotado para conquistar a competição, é de se louvar a aplicação tática da equipe em função de seu objetivo. O time inglês é mais uma prova de que o estilo defensivista de se praticar futebol tem também seus méritos. Grandes jogadores como Lampard e Drogba podem enfim comemorar o maior título interclubes do Mundo (sim, maior que o famigerado Mundial de Clubes), assim como a torcida, que diferentemente dos jogadores, não foi comprada com dinheiro russo. Parabéns, Chelsea!



domingo, 13 de maio de 2012

God Save the Citizens





13 de maio de 2012. Manchester City conquista Premier League em jogo incrível e o futebol agradece

Épico. E não podia ser diferente, depois de um jejum de 44 anos sem conquistar a Premier League o lado azul de Manchester levou o caneco em alto estilo. Em 99, o Manchester United fez história com uma virada contra o Bayern de Munique nos minutos finais e conquistou a Champions League daquele ano. Quiseram os deuses do futebol que a história se repetisse, com um Manchester novamente, só que agora foi o City.

A verdade é que, quando os torcedores do City se encaminhavam para o Etihad Stadium, mal sabiam eles que iriam presenciar um jogo que foi, em mesma medida, emocionante e histórico. Para a maioria dos citizens, ia ser uma vitória fácil, e caneco garantido sem grandes problemas. Mas o que se viu durante todo o jogo foi o extremo oposto do que se esperava, e o resultado disso foi uma das disputas mais acirradas e emocionantes da história da Premier League.

Analisando tudo o que ocorreu antes, durante, e depois das partidas da rodada final do Campeonato Inglês nesse domingo, o que eu digo, caro leitor, é o seguinte: esqueça tudo o que você sabe sobre futebol, despreze previsões, ignore estatísticas. Futebol não é nada disso. Futebol é o inesperado, é um time como o Queens Park Rangers, que tinha a pior campanha como visitante na Premier League, bater de frente com o líder do campeonato, que estava invicto em casa, e até quase o final do jogo, vencer com um a menos.

E se isso já parecia o suficiente, o futebol resolve mostrar novamente que ele é sim o que há de mais imprevisível, que ele é de fato incrível. Quem diria que quando o quarto árbitro levantou sua placa indicando cinco minutos de acréscimo, o Manchester City faria história, viraria o jogo sobre o QPR nos minutos finais, e conquistaria a Premier League após 44 anos de jejum? Ninguém. E que ser saber por quê? Porque o futebol é algo de outro mundo e é por causa dele que frases tão simples como “o jogo só acaba quando termina”, se tornam algo tão verdadeiro, que nem sequer a lógica é capaz de contrariar. Melhor do que tudo isso, é saber que Manchester City contra QPR foi só mais um jogo, e que haverá tantos outros que nos farão sempre repensar sobre o que é o futebol. E toda essa incerteza é o que move este esporte, e por isso ele é apaixonante.

Parabéns ao Manchester City e aos seus torcedores por essa incrível conquista, e parabéns, principalmente, ao futebol, que mais uma vez quebra todos os prognósticos, e mostra que a melhor definição para esse esporte está nele mesmo. Porque futebol, é simplesmente futebol.