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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Galo embriaga São Paulo e começa Libertadores com vitória incontestável



Por Maurício Pauluci


Atlético vence o tricolor paulista por 2 a 1, com ótima atuação
 de Ronaldinho, que se envolveu em lance curioso

R10 comemora gol da vitória com Réver. (Foto: Bruno Cantini)

Quem encheu a cara nesse carnaval deve saber exatamente como São Paulo se sentiu na partida contra o Galo na estreia das equipes na Libertadores 2013. Foram treze anos sem disputar o torneio intercontinental, mas o Atlético parece ter ficado com a motivação latente nesse período. Parecia um boi esperando ansiosamente a abertura da porteira para derrubar o peão em oito segundos. Com uma pegada muito forte e uma marcação precisa, o Galo fez uma partida muito boa, com um ímpeto incrível, mas sem demonstrar afobação e mesmo levando uma pressão o fim, saiu com os três pontos. Apesar de ter um time com muitos jogadores com idade avançada, parecia estar em campo um equipe com fôlego de garoto.
Inversão tática do Galo
Diego Tardelli retornou ao Galo com uma recepção quase que de um santo. O atacante já chegou botando banca e falando que gostaria de jogar na esquerda, posição muito bem exercida por Bernard na última temporada, além de ter pegado a camisa nove de Jô, que teve que aceitar a sete. No entanto não é fácil para Cuca desbancar Bernard. Então o treinador atleticano resolveu fazer um carnaval da defesa do São Paulo. Por várias vezes Tardelli e Bernard invertiam as pontas deixando a marcação da defesa tricolor maluca. Os defensores Lúcio e Rhodolfo são experientes e técnicos, mas lentos.
Em 2012, as laterais do Galo foram um trunfo da boa campanha do time na temporada, principalmente com as investidas ofensivas de Marcos Rocha. No entanto, o que se viu na partida desta quarta-feira foram Júnior César  e Marcos Rocha muito menos incisivos e presentes no ataque, até porque os flancos do Galo estavam sendo bem ocupados por Tardelli e Bernard.
São Paulo apático no primeiro tempo
O Atlético pôs o São Paulo na roda no primeiro tempo, principalmente. Apesar de trocar passes muito bem o time não conseguia acertar o último passe, e a bola não chegava ao centroavante  Luís Fabiano. Paulo Miranda fez uma partida muito ruim, errava passes de meio metro. Jadson, que até então vinha fazendo ótimos jogos, recebeu uma forte marcação de Pierre e não conseguiu jogar.
Jogada ensaiada ou falta de Fair Play?
Acho que o primeiro gol do Galo, do atacante Jô, merece um comentário especial. A jogada é curiosa, Ronaldinho vai até Rogério Ceni, pede um gole d’água, na camaradagem, para o goleiro tricolor, enquanto o jogo está paralisado para o atendimento de Júnior César. Para o delírio dos comentaristas de arbitragem, que puderam explicar que na cobrança de lateral não tem impedimento, Ronaldinho ficou ali, na miúda, na banheira, esperando o lançamento de Marcos Rocha. O lateral fez um arremesso perfeito e, com a zaga do São Paulo desprevenida, o Atlético chegou a primeiro gol com Jô.
É preciso frisar, também, que a zaga tricolor foi muito juvenil no lance. Apesar do jogo estar parado, os defensores do São Paulo não podem nem tirar o olho de um craque como o Ronaldinho.
Que me perdoem os admiradores do acaso, mas eu tenho certeza que foi uma jogada combinada. O R10 corre claramente para a esquerda e fica esperando a cobrança do lateral. No desenrolar da jogada Ronaldinho mal olha para área porque algo já dizia a ele que Jô estaria lá. Jogada ensaiada e pra mim falta de Fair Play. Alguns chamam de malandragem, mas o fato é que o Ronaldinho forjou uma situação, que envolveu a boa vontade e companheirismo de Rogério Ceni, para tirar a vantagem e construir a jogada do gol.
Não que eu discorde, mas o lance tem a mesma essência daquela jogada do Luiz Adriano, do Shaktar, na Champions League. A verdade é que eu acho o Fair Play obrigatório uma palhaçada e eu acredito que são lances oportunistas e provocativos como esse que fazem o futebol ser divertido e tão interessante.
Segundo tempo: Galo cansou e tricolor melhorou
O São Paulo conseguiu sua primeira finalização no jogo apenas no segundo tempo. Ney Franco parece ter percebido que a linha de passe do tricolor paulista não estava conseguindo furar a muralha defensiva do Galo, que teve no primeiro tempo um Réver impecável. O treinador do São Paulo deve ter dado um tapinha nas costas do Osvaldo e falado “Vai pra dentro deles, meu filho”. Porque a correria e o individualismo do ponta eram boas estratégias para furar o bloqueio mineiro.
Parece que o treinador tricolor deu um Engov para os jogares no intervalo, que voltaram muito mais sóbrios e com mais energia. O futebol de Osvaldo apareceu e a substituição do Paulo Miranda melhorou a saída de bola da equipe, que fez um primeiro tempo péssimo, errando muito passes. O São Paulo cresceu no jogo e as oportunidades começaram a surgir. Foi nesse momento que surgiu um dos elementos mais importantes deste time do Galo. Victor. O goleiro quase não trabalhou na primeira etapa, mas quando precisou, fez boas defesas.
E foi exatamente no momento que o São Paulo crescia no jogo, que o Galo deu uma ducha de água fria nas pretensões tricolores. Em um lance bastante simbólico, que resume bem como são as equipe do Atlético ofensivamente e do São Paulo defensivamente. Em uma jogada de gênio de Ronaldinho Gaúcho, pela ponta direta, o craque fez um cruzamento preciso na cabeça de Réver, que fez 2 a 0 para o Galo.
O time mineiro usou uma jogada que sabe fazer muito bem: jogada individual de Ronaldinho e bola alçada na área. E o São Paulo mostrou todo seu afrouxamento defensivo. Em uma das gingadas de R10, Ganso, simplesmente virou as costas para o lance. Apesar de ter uma zaga alta, o time paulista mostrou que sua defesa não tem agilidade para antecipar a jogada aérea do alvinegro mineiro.
Na marra, Aloísio diminuiu para o São Paulo, com uma assistência feita pelo pivô de Luís Fabiano. Porém já era tarde, o Galo conseguiu segurar bem o resultado e saiu do Independência com muito mais do que uma vitória e três pontos. O Atlético viu que tem a possibilidade de chegar longe na competição, que é o sonho de consumo da torcida atleticana.
Enfim, quem gosta de futebol viu uma partida incrível. Raça, malandragem, pegada, jogadas individuais, lançamentos longos e muitos craques em campo. O Galo mostrou que realmente tem um time muito competitivo técnico e com muito vigor. É importante ter a humildade de saber que é preciso aumentar a versatilidade de jogadas, porque o jogo aéreo pode não funcionar sempre. Já o São Paulo sofre com a perda de Lucas, e apesar de ter um time frio e cirúrgico precisa perder a dependência da armação de Jadson e melhorar a transição do meio para o ataque.
O próximo compromisso do Galo na Libertadores é contra o Arsenal de Sarandí, na Argentina, daqui a duas semanas, às 21h45. O São Paulo recebe o The Strongest no Morumbi para tentar a primeira vitória no Grupo 3, no dia 28, às 21h30.
Alfinetada no Cruzeiro
O Galo não perde a oportunidade de tirar uma com a cara do Cruzeiro. O jogo teve um público pagante de 18.167 e estes torcedores não passaram sede. No clássico contra o Cruzeiro, no dia três de fevereiro, com o clube celeste como mandante, faltou água para beber, nos banheiros, papel e muita, muita organização. O Galo imprimiu no selo dos copos de água vendidos nesta noite, no Independência, a inscrição “Aqui tem água”. Eu acho essas provocações válidas demais, principalmente em tempos de um futebol tão burocrático, em que os mandatários brasileiros querem transformar o esporte, que tem uma essência tão popular, em um opera elitizada.

domingo, 18 de novembro de 2012

Cruzeiro coloca água no chopp do campeão Flu



Por Maurício Paulucci

O Cruzeiro carimbou a faixa de campeão brasileiro de 2013 do Fluminense. Em um jogo que não valia muita coisa diretamente para as equipes no Brasileirão, a equipe mineira mostrou motivação e qualidade de alguns jovens valores para ser uma das poucas equipes que venceu o campeão dentro do Rio.


Para quem achava que o jogo não valia nada para as equipes, Cruzeiro e Fluminense trataram de demonstrar o contrário. O tricolor buscava o recorde de aproveitamento em Brasileiros por pontos corridos, que pertence ao adversário desta tarde, que chegou aos 100 pontos em 2003, quando a competição era disputada por 24 equipes. O Fluminense entrou em campo com um aproveitamento de 72,1%, contra 72,5% do Cruzeiro de 2003. E, se os tricolores pensaram que seria fácil alcançar o recorde, viram o time celeste jogar por terra as pretensões fluminenses. Com a vitória, o Cruzeiro impediu que o recorde seja quebrado.


Em campo, o Cruzeiro fez um início de primeiro tempo muito bom. Parece que a tranquilidade, ou o comodismo de não brigar por mais nada do campeonato, fez bem ao time celeste. É bem verdade que o Coritiba ainda pode tirar a vaga da Copa Sul-Americana do Cruzeiro, o que será definido no confronto direto entre as duas equipes na próxima rodada, mas o time jogou como se não tivesse mais obrigações.


Fábio, contundido, foi um desfalque sentido. O jovem Rafael, que não é tão inexperiente assim, já que estava no polêmico 6 a 1 contra o Galo na última rodada do Brasileirão do ano passado, que salvou o Cruzeiro do rebaixamento, se mostrou inseguro, principalmente nas saídas do gol em bolas aéreas.


Coincidentemente, quando o Cruzeiro foi campeão incontestável do primeiro Campeonato Brasileiro por pontos corridos, o jogo da festa foi contra o Fluminense. Na ocasião, a Raposa não tomou conhecimento do adversário e despachou o tricolor por 5 a 2. Desta vez, quem comemorava o título era o Fluminense, mas um pênalti sofrido por Anselmo Ramon e convertido por Montillo começou a colocar água no chope do título tricolor e demonstrar que a história do campeão fazer a festa com vitória fácil não iria se repetir.


O campeão reagiu depois do gol, mas claramente sentiu a falta do ponta Wellington Nem, que conduzia muito bem a bola pela lateral do campo e criava um bom volume de jogo por aquela faixa do campo. Thiago Neves, que entrou em campo com o cabelo verde, substituiu Nem na escalação, mas não conseguiu nem de perto exercer sua função com a mesma eficácia.


Embalada pelo ritmo de festa, a torcida tricolor empurrou o time na segunda metade do primeiro tempo e o time exerceu uma verdadeira blitz pra cima da defesa do Cruzeiro. Defesa que foi uma das maiores incógnitas. Sem uma dupla fixa, o treinador Celso Roth não conseguiu definir a dupla de zaga, seja por contusão ou por falta de qualidade. A improvisação de Leandro Guerreiro na defesa deu bastante segurança no sistema defensivo pressionado da equipe azul.

Na blitz tricolor, Deco começou a colocar a bola no chão e distribuir o jogo, mostrando toda importância que teve durante todo o campeonato, e a partir daí o time dominou a posse de bola e curiosamente obrigou o Cruzeiro a definir a característica de jogo que seria crucial na partida. A estratégia de posse de bola tricolor é muito suscetível ao erro e acabou por gerar espaços para a equipe mineira atacar.


Foi examente em uma jogada de contra ataque que surgiu o segundo gol do Cruzeiro, com uma belíssima jogada de Élber, que é uma grande aposta para 2013, já que o ano vindouro deverá trazer à cena muitos jogadores da base, visto que a crise financeira na Toca impede a direção celeste de montar um time com a folha salarial elevada. Entretanto, é importante frisar que Élber, apesar do potencial, tem muito que amadurecer. O jovem marcou um belo gol, mas o individualismo ainda é um defeito do veloz atacante. Em vários momentos da partida o avançado cruzeirense teve a oportunidade de tocar para os companheiros e fez opção por segurar a bola.


E se o torcedor do Cruzeiro anda pessimista com o futuro do clube, seja pelas frequentes ações contestáveis de seu presidente ou pela provável contratação de Marcelo Oliveira, a base acende uma fagulha de esperança. Jogadores como Alisson que tem jogado muito bem na Copa do Brasil Sub-20, entrou bem e pode compor bem o elenco para 2013. É bom ficar de olho também no lateral Mayke e no atacante Vínicius.


A derrota dentro de casa não estragou a festa do campeão, em uma decisão sensata a CBF concedeu o direito de o campeão levantar a taça dentro dos gramados, ao invés daquela cerimônia engravatada ao término da competição. O tricolor vai até Recife na próxima rodada enfrentar o Recife enquanto o Cruzeiro define contra o Coritiba o acesso ou não a Copa Sul-Americana em 2013.

domingo, 4 de novembro de 2012

O sonho realmente acabou


Por Maurício Paulucci


O título já era para os mineiros. E na próxima rodada se o Galo perder e o Fluminense pontuar o tricolor carioca já ergue o caneco. Em compensação, a vaga na Libertadores está garantida, já que o Botafogo não alcança mais o alvinegro das Minas Gerais. O Atlético fez e faz um campeonato acima da média para a expectativa de seus torcedores comparando com as últimas temporadas, talvez por isso essa euforia toda. No entanto, é hora de terminar a competição com brio, mas já ir pensando no planejamento de 2013.
O texto é sobre o jogo do Atlético Mineiro, no entanto vamos começar falando do Fluminense. Em um jogo marcado por falhas individuas o tricolor carioca perdeu dois pontos, mesmo dois pontos que o Galo perdeu na última rodada contra o Flamengo. A diferença é que o líder empatou fora de casa com um dos grandes times desse Brasileiro e o Atlético empatou com um time fraco e desestruturado.

Enfim, o Atlético entrou em campo no Couto Pereira sabendo que se vencesse o Coritiba poderia diminuir a distancia para o líder para 5 pontos mantendo viva a esperança no título do Brasileiro. Porém não foi o que se viu na escalação do técnico Cuca, que entrou com três volantes: Leandro Donizete pela esquerda, Serginho pela direita e Fillipe Soutto centralizado. O não entrou apenas com a escalação retraída, mas também com uma postura tímida.

A falta que o suspenso Pierre faz ao time do Galo é evidente, os três volantes que entraram em campo contra o alviverde paranaense não impõe a mesma contenção e respeito que demonstra o cão de guarda atleticano. 
O Coritiba aproveitou esse desligamento do time mineiro e durante os primeiros minutos pressionou demais a defesa alvinegra com jogadas agudas pelas pontas com Rafinha, Everton Ribeiro, todas elas coordenadas pelo experiente Lincoln que, apesar da idade avançada, é um elemento importante de organização do meio de campo do Coxa.
O ímpeto do Coritiba foi premiado com um pênalti cometido em cima de Everton Ribeiro, por Fillipe Souto. Deivid, que, bem como no Flamengo funciona mais como um figurante em campo, bateu bem e abriu o placar no sul do país.

O gol, mesmo que contra, inflamou o Atlético, que a partiu de então tomou as rédeas do jogo e foi com tudo para cima do gol de Vanderlei, goleiro do Coritiba. Ironicamente, o Coxa que tem a 5ª pior defesa do campeonato, formou um esquema defensivo bem estruturado que impedia as investidas atleticanas.

Desorganização completa. Essa foi a postura adotada pelo time mineiro durante o primeiro tempo. O Coritiba levantou apenas uma bola na área, enquanto o Atlético o fez doze vezes, apenas uma levando perigo ao gol de Vanderlei.

Parece que o técnico Cuca percebeu a desorganização do Galo, e o time voltou com uma forma de jogo totalmente diferente. Colocando a bola no chão e rodando, a bola passou pelos pés de Ronaldinho o que rendeu duas boas chances ao time mineiro.

Ao perceber que a chacoalhada psicológica do vestiário não foi efetiva, o treinador Cuca, resolver mexer nas peças. Guilherme e Leornado entraram bem, nos lugares de Serginho e Jô, respectivamente. Com Guilherme em campo o ataque do Atlético ficou mais dinâmico, com frequentes inversões entre os atacantes para confundir a zaga do Coxa. Mas, o time mineiro errava muitos passes e por ter perdido um volante com as substituições, o Galo ficou mais vulnerável abrindo espaços para o Coritiba que não soube aproveitar as oportunidades.



A entrada de Escudero, no lugar de Fillipe Soutto, que deveria ter sido feita desde o inicio da partida deu um pouco mais de liberdade ao R49, que pode atacar sem se preocupar tanto em fazer a transição do meio para o ataque, que agora passou a ser função do meia argentino.
No primeiro turno, o Galo venceu por 1 a 0 o Coritiba no Independência em um jogo que foi marcado por um lance à la Tarantino. O centro avante Leonardo, que ainda jogava no Coxa, deu uma cotovelada em Leonardo Silva que teve que tomar vários pontos que sangrava muito. 19 rodadas depois, Leonardo tentava marcar, dessa vez para o Galo, em uma jogada muito feita entre ele e Bernard.

Parece que o Galo só percebeu que o título do Campeonato Brasileiro estava indo por água abaixo com o resultado nos últimos minutos da partida. O time mineiro imprimiu uma verdadeira blitz pra cima da defesa do Coritiba, mas esbarrou na inspiração do goleiro Vanderlei e na falta de pontaria de seus jogadores. Essa postura deveria ter sido adotada desde o inicio e provavelmente a história seria diferente.

domingo, 2 de setembro de 2012

3 gols com sabor de 3 pontos

Por Maurício Paulucci

O Cruzeiro afundou o Náutico, hoje, no Independência , com um público pequeno, por 3 a 0. No entanto quem vê o placar tranquilo não imagina as dificuldades que o time celeste passou para conseguir os três pontos e alcançar a 6ª posição e se manter firme em busca de sua vaga no G4. Com um primeiro tempo fraco, o segundo tempo passou a ficar movimentado graças a atitude ofensiva do time mineiro.

A equipe azul fez um péssimo primeiro tempo, em virtude, também, da precisão defensiva do Timbú. Ligações diretas, lançamentos longos que não resultavam em nada provocaram bocejos nos espectadores que tentaram assistir a primeira etapa. Borges se via incrustrado dentro da alta zaga do Náutico, brigando no alto por lances muito difíceis para sua estatura.

Wallysson segue irregular, parece que o ponta celeste joga quando lhe convém. Transpassando desânimo, o atacante tem abdicado de sua característica mais importante: a velocidade. Sem esse diferencial, Wallysson tem sido um jogador comum fraco.

Ficou evidente na primeira etapa a falta que Montillo fez ao time do Cruzeiro. O meia argentino, pode não estar fazendo um campeonato espetacular como o de 2010, mas ele é peça principal para organização das jogadas do Cruzeiro. Quando ele está em campo, quase que todas as jogadas passam por ele, que dá um toque técnico e consegue armar as jogadas sem ter que apelar para os chutões.


Souza, mais uma vez, mostrou que não é jogador de jogo inteiro. Que sua condição física está aquém de um atleta de alto nível. Ele começa a partida muito bem, participativo e depois se omite.

É importante também destacar a eficiência do sistema defensivo do Cruzeiro. Os zagueiros Rafael Donato e Mateus mostraram muito entrosamento e segurança. As laterais nunca ficaram tão seguras. Porquê? Apesar de Léo arriscar algumas subidas como lateral improvisado, ele tem uma consciência excelente e não deixa espaços para que o time adversário possa explorar. Ou seja, Celso Roth armou um esquema de suporte defensivo muito interessante para liberar Everton, que foi um dos principais nomes da partida. Por vezes, Leandro Guerreiro fazia a função de terceiro zagueiro e o zagueiro Mateus encostava na lateral esquerda para cobrir Everton.

O Náutico também não oferecia nenhum perigo. Sem Kieza, Araújo jogou isolado e não conseguia transpor, sozinho, a forte barreira defensiva do Cruzeiro. Com um time cheio de jogadores conhecidos da torcida mineira, como o volante Martinez, o lateral Patric, e o atacante Araújo, ex-Cruzeiro e Kim, ex-Galo. As boas jogadas do Timbú saiam dos pés de João Paulo, lateral esquerdo, que fez um boa partida, destoando do resto de sua equipe.

Era consenso que algo estava errado e que precisava ser feita alguma alteração para o segundo tempo. Os torcedores no estádio, arriscavam a entrada de Wellington Paulista e até Anselmo Ramón para brigar de forma mais eficaz as bolas lançadas pela defesa Cruzeirense. Mas o treinador do Cruzeiro pensava diferente e não mudou nada.
Mas o pensamento do time mudou.

O time voltou mais aguerrido, com mais vontade. A torcida azul teve papel muito importante nessa vitória, já que, diferente de outras vezes, apoiou e cantou o jogo inteiro. Quando eu falo que Roth está tirando leite de pedra, eu não estou mentindo. O Cruzeiro tem um time médio para fraco e só está onde está graças à humildade de seu técnico e em reconhecer as limitações de seu elenco.

Uma defesa segura foi crucial para dar liberdade para Everton atacar sem se preocupar muito em voltar, e assim confirmar sua boa fase com uma ótima e decisiva atuação.

E uma grata surpresa, não tão nova assim, também encheu os olhos da torcida cruzeirense de esperança. O menino Élber entrou bem, colocando fogo no jogo. Ele sofreu a falta que originou o gol de Borges e foi o autor do segundo. Uma dor de cabeça agradável para Roth, que agora tem uma alternativa concreta para escalar uma companhia para Montillo e tirar a sobrecarga encima do meia argentino na armação e condução do ataque.

Aliás, as mexidas de Roth deram efeito, Wellington Paulista também entrou muito bem, exatamente quando completava 150 partidas pelo time, marcou o gol que consolidou a vitória celeste em uma ótima jogada de Tinga.


O jogo esteve complicado para o Cruzeiro, até o gol de Borges aos 30 minutos da etapa complementar. A partida caminhava para duas direções: ou o Náutico arriscava atacar e dava espaço para o time mineiro penetrar, ou a esquadra celeste passaria maus bocados para furar a defesa pernambucana, bem como foi no primeiro tempo. O gol de bola parada veio na hora certa, já que fez o Timbú afrouxar a marcação e que fez com que o Cruzeiro marcasse mais dois gols de contra-ataque.

O Náutico faz uma campanha razoável e ocupa o meio da tabela, e sabe que não é nenhum desastre perder para o Cruzeiro em Belo Horizonte. Já o Cruzeiro começa o segundo turno com o pé direito, com duas vitórias e uma média de 2,5 gols por partida e nenhum gol sofrido. Com um estilo de jogo feio, porém eficiente o time celeste vai se mantendo na parte de cima da tabela e começa a mostrar qualidades de um elenco, como união e raça, para compensar uma eventual deficiência técnica.

O próximo desafio do Cruzeiro é na quarta-feira, contra o Botafogo, de novo em Belo Horizonte. Uma equipe forte, com um meio de campo de qualidade que vai testar os volantes azuis que não tiveram muito trabalho no jogo de hoje.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Soberano, de novo

Por Maurício Paulucci


Parece que neste ano o Galo abdicou do papel de coadjuvante no Brasileirão, e passou a atuar como protagonista. Em um jogo difícil contra o vice-campeão da Copa do Brasil, mesmo que desfalcado, o Galo mandou no jogo e ditou o ritmo da partida. E o placar magro não resume o domínio que o time teve no jogo. Em um Independência lotado, a torcida empurrou o alvinegro para mais uma vitória importante.


A torcida atleticana já sabe de cor a escalação e o esquema tático do time de Cuca, no entanto, pelo que parece os adversários também tem se familiarizado com o esquema. Mas a troca de uma simples peça mudou um pouco o jeito de jogar do Galo. A entrada de Guilherme no lugar de Danilinho conferiu um aumento considerável na técnica, possibilitando melhores triangulações ofensivas, porém a equipe atleticana perdeu muito nas investidas de Marcos Rocha, que teve de se resguardar mais, visto que Guilherme não volta pra marcar como Danilinho.

O primeiro tempo foi lá e cá.


O Galo chegava muito bem com um Bernard inspiradíssimo, que fazia o que queria em cima do lateral Gil, que por muitas vezes subia displicentemente. Ronaldinho também jogou muito bem, acertando lançamentos e chamando o jogo para si. Parece que a confiança e a boa fase são ótimos remédios para o craque atleticano. Serginho fez um bom primeiro tempo, ofensivamente, porque defensivamente, deixou muitos espaços que rendeu bons contra ataques ao Coxa.


Mas se o alvinegro jogou tão bem, porque não abriu o placar no primeiro tempo? Sabendo da importância do centroavante Jô, como ponto de equilíbrio do ataque, Marcelo Oliveira fez uma marcação muito forte em cima do pivô que ficou com dificuldades de jogar em boa parte do primeiro tempo. Como falamos lá em cima, o Atlético tem um esquema conhecido, mas longe de ser previsível. A arma de Cuca para dar versatilidade ao time tem um nome: inversão.


Você se lembra daquela aula de matemática sobre permutação? Não? Provavelmente você matou ela, assistindo a algum jogo da Champions League. Entretanto, o Cuca não esqueceu e quando ele põe esse conceito em prática o Galo vira uma máquina, confundindo toda a defesa adversária. Quando Jô deslocou-se, ele atraiu a marcação dos zagueiros deixando espaço pra Bernard na área. É um efeito cascata, já que Lucas Mendes, lateral esquerdo vinha marcar no centro, fazendo os volantes do Coxa se deslocarem para marcar R49, dando bastante liberdade para Guilherme.


Ainda sim, o Coritiba não se apequenou, nem diante do poder do grande time do Brasileirão, e nem mesmo diante de seus onze desfalques. É quase clichê prever que um time que vá jogar no Independência no contra ataque, mas essa foi a estratégia do Coxa, apesar de ter um toque de bola muito bom, o time criou suas melhores chances com a velocidade de Robinho, que foi o único que aproveitou o buraco no meio campo deixado por Serginho e Donizete.


O primeiro tempo foi bom, mas o destaque da primeira etapa foi árbitro da partida. O juiz estava leiloando sua arbitragem. E a moeda era decibéis. Apitou tudo no grito, e a culpa foi dele, ouviu muitas reclamações e deixou os jogadores falarem demais. Fez uma arbitragem confusa, apitando faltas inexistentes, deixando de marcar infrações claras, tendo pouco critério nos cartões. Errou pros dois lados, tirando qualquer suspeita de parcialidade, dando espaço à ruindade mesmo.
Para o segundo não houve nenhuma substituição, mas um fato mudaria o jogo. Se a bola não entrava com as jogadas corridas, entrou na bola parada. Com a primazia de Ronaldinho Gaúcho para bater na bola e a precisão e altura de Réver, o Galo abriu o placar. O Coritiba sentiu o golpe e o jogo mudou de rumo.


O time mineiro não tinha mais aquela sangria desatada para atacar e, consequentemente, não deixava mais tantos espaços no meio campo para o alviverde aproveitar. Foi impressionante ver como o Atlético se compactou depois do gol, sem se retrancar e também não abdicando do ataque. O Coritiba não conseguia se infiltrar na defesa atleticana e começou a apelar para os chutões e bolas paradas. E quantas vezes você viu o Galo apostar nos chutões?


O Atlético, diferente de outras equipes, sai jogando com a bola no chão, muito em virtude da categoria dos seus zagueiros. Eu estava pensando se valia apena escrever um parágrafo sobre o Leonardo Silva, mas depois da cotovelada do atacante Leonardo no zagueiro alvinegro eu não titubeei. Além da cena protagonizada à la Quentin Tarantino, ele cumpriu um papel importante na segunda etapa. Com Marcos Rocha mais seguro, o Bonecão de Olinda pode se aventurar algumas vezes ao ataque, criou a jogada que originou o escanteio do gol e apareceu bem em algumas oportunidades.


Com o resultado adverso, o técnico Marcelo Oliveira jogou então sua última cartada. A entrada de Rafinha no lugar de Lincoln, que estava cansado, foi uma boa tentativa, pois deu mais velocidade ao Coritiba, porém a substituição não deu resultado. Para piorar o meia do Coxa canalizou toda sua vontade na infantilidade. Depois de sofrer um empurrão claro e não ter a falta marcada esperneou e fez pirraça, e tomou amarelo por reclamação. Depois, mais juvenil ainda, deu uma cotovelada em Leandro Donizete e foi para o chuveiro mais cedo.


O Atlético deu uma acomodada na etapa complementar, após o gol, o que não foi de todo ruim, já que não cedeu tantos espaços no meio campo, igual no primeiro tempo. O Galo venceu, pelo placar elementar, mas somou 3 pontos importantíssimos para a caminha ao título Brasileiro. Líder, na essência da palavra, o alvinegro segue a passos largos ao sonho que tem tudo para se concretizar.

domingo, 5 de agosto de 2012

Cruzeiro escorrega na banana e a Macaca aproveita


Por Maurício Paulucci
É consenso que o Cruzeiro não tem um time suficientemente bom para brigar na ponta de cima da tabela. O fato de o time celeste estar na parte de cima da tabela se deve muito ao ajuste tático que Celso Roth conferiu ao time. No entanto neste domingo, o treinador não conseguiu mudar a apatia do time quando a equipe azul sai atrás no placar. Foi numa noite sem poder de recuperação que o Cruzeiro perdeu em casa para a Ponte Preta, tolhendo as melhores pretensões de sua torcida.

O Cruzeiro começou bem, pressionando e jogando com uma linha de três na frente com Borges centralizado, Wallysson pela esquerda e Montillo pela direita, configurando praticamente um sistema 4-2-1-3, com Tinga um pouco mais adiantado. Gilson Kleina, treinador da Ponte Preta, parece ter estudado os jogos anteriores da Raposa, pois colocou o velocista Rildo, em cima do lateral direito Ceará que não conseguia acompanhar o ponta pontepretano e em muitas oportunidades, o cansaço impediu o lateral de voltar para marcar.

A Macaca no alto da sua humildade fez o jogo dela, se segurou bem defensivamente e aproveitou bem os contra ataques. O primeiro gol da Ponte nasceu de uma bola perdida no meio campo por Charles, que mais tarde se tornaria um dos personagens da partida. A bela enfiada de Marcinho deixou Cicinho livre para abrir o placar. Aliás, Cicinho este que ao lado de Rildo foi o melhor em campo, principalmente no segundo tempo, quando Celso Roth liberou mais o lateral Diego Renan em virtude do cansaço de Ceará, que ficou mais defensivo na etapa complementar. E quando Diego Renan se aventura no ataque é de praxe que se abra um rombo no lado em que ele ocupa.
É óbvio que um time sem investidas pelos flancos perde muito, porém esse tipo de proposta de jogo só é eficaz se tiver uma cobertura bem feita pelos volantes, que neste jogo estavam preocupados em marcar na parte central do gramado e deixavam a cobertura do lado do campo um pouco negligenciada. É importante dizer que esse controle da subida alternada dos laterais tem sido importante defensivamente para o Cruzeiro, mas na partida de hoje, tal ação se apresentou falha e muito por isso a equipe azul se mostrou deveras desprotegida em seu setor defensivo.

Aliada a má distribuição celeste no campo de jogo, a atuação abaixo da média dos volantes cruzeirenses foi outro ponto negativo da esquadra mineira. O volante Charles, por exemplo, fez um primeiro tempo muito ruim, errando muito passes e perdendo muitas bolas, e em razão disso a torcida começou a vaiá-lo no fim da primeira etapa. Infelizmente, o jogador se abateu com os apupos que vinham das arquibancadas e em uma atitude infantil, Charles ironizou a torcida gesticulando para que os presentes no estádio o vaiassem mais. No intervalo, ele chegou a sugerir a Celso Roth sua própria substituição, caso assim quisesse o treinador celeste. Fato é que Celso Roth se omitiu e não tirou o volante que até fez uma boa segunda etapa amenizando as críticas da torcida.
Polêmicas à parte, o Cruzeiro, além da má formação tática da equipe, teve na partida outro ponto que merece ser destacado: o posicionamento do meia Montillo. O argentino começou jogando na ponta direita, onde fez as melhores jogadas (e onde tem jogado melhor, aliás), mas depois foi deslocado para a esquerda trocando de posição com Wallysson, que fez uma partida omissa e apática, muito diferente da partida contra o Palmeiras. Dessa forma, Montillo ficou isolado na esquerda durante o segundo tempo inteiro e produziu pouco. Há quem prefira que ele jogue centralizado, mas o Tinga hoje, apesar dos erros de conclusão, cumpriu muito bem essa função ocupando bem os espaços e sendo uma peça importante de conexão entre o meio e o ataque.
O Cruzeiro então passou a insistir muito em chuveirinhos na área, e depois de muitas tentativas sem sucesso, o gol de empate acabou surgindo em um cruzamento que Tinga interceptou e passou para Montillo, que fez ótima jogada pela ponta e tocou para Borges só empurrar para as redes.
O alvinegro de Campinas tem um time feio, ruim mesmo. Porém é eficaz. O Cruzeiro controlou o jogo inteiro, mas sem oferecer muito risco ao gol de Roberto. Este tem sido um problema comum nos jogos do time celeste, nos quais a equipe tem posse de bola, mas não arrisca e muito menos finaliza exceção feita a Borges, que em alguns momentos de jogos parece ser o único responsável por lances mais agudos nas partidas.

Se por um lado a equipe celeste não soube marcar gols, por outro o time mostrou que sabe fazer faltas. No campeonato já são 339 infrações. E foi exatamente em uma falta desnecessária cometida pelo volante Charles, que adora parar o jogo, que o gol da vitória da Ponte Preta saiu. Fábio, que há bastante tempo não falhava, aceitou uma cobrança fraca e de longa distância do ex-cruzeirense Marcinho. Ponte Preta 2 a 1.


Celso Roth até tentou mexer no time colocando Souza e Wellington Paulista, mas o time não reagiu. Importante ressaltar que faltou ousadia na substituição de Tinga, quando o treinador poderia ter colocado o menino Élber, ao invés de Marcelo Oliveira.
Com a derrota o Cruzeiro colecionou seu terceiro revéz em casa e para melhorar, pode seguir uma receita que vem dando certo no seu maior rival. O Atlético-MG é um exemplo para o Cruzeiro no que se trata o aspecto emocional, que faltou ser mais bem ajustado hoje. O alvinegro mineiro tem poder de reação e não se abate ao tomar gols, diferente da esquadra celeste, que não tem o menor poder de recuperação.
Ao final da 14ª rodada, o que se pode dizer é que dificilmente o Cruzeiro vai brigar por Libertadores. A torcida celeste terá que se conformar com uma posição intermediária na tabela e torcer para que os cartolas azuis planejem melhor o ano de 2013. O próximo compromisso da Raposa é contra o Santos, fora, e é uma boa partida para o Cruzeiro deixar de lado uma palavra que tem caracterizado ele muito bem neste campeonato: instabilidade.

sábado, 14 de julho de 2012

Galo na ponta graças aos flancos


Por Maurício Paulucci



Em um jogo quentíssimo, Galo mantêm a liderança e mostra sua força pelas laterais do campo.


O Galo é mais líder do que nunca. Não é só pela liderança isolada no Brasileirão e pelos 4 pontos de distância para o segundo colocado, mas por jogar o melhor futebol do campeonato. 

Em um jogo sensacional em que a vitória esteve nas mãos duas equipes, a equipe mineira conseguiu correr atrás do resultado e conquistar os três pontos. Nesse jogo foi possível notar a importância das jogadas pela lateral do campo para o Galo.

O inicio do jogo foi um pouco truncado e a marcação do meio de campo do Galo estava um pouco condicionada  à movimentação do 10 do Figueira, Almir. Cuca deslocava Pierre conforme a movimentação do meia. O técnico Argel percebeu isto e apostou nesse rodizio de posicionamento, principalmente ente Doriva e Almir.

No primeiro gol do Galo, foi possível ver como as jogadas pelos flancos estão sendo importantes para o esquema de Cuca. Marcos Rocha fez uma bela jogada pela direita, porém seu cruzamento não alcançou Jô, mas Bernard esperava na ponta esquerda, e enquanto isso, o lateral-direito atleticano já fechava dentro da área para sofrer o pênalti. Essa presença do Marcos Rocha é muito importante porque ela se configura como um elemento surpresa, já que a marcação do Figueirense se concentrava muito em Jô e Ronaldinho.

Quem vê a formação do Atlético-MG no 4-2-3-1, imagina que o esquema pode ser um pouco conservador já que tem apenas um atacante. No entanto esse esquema é muito nítido quando o Galo se defende, mas ataca com pelo menos 5 jogadores quando está com a bola nos pés. Os quatro avançados: Jô, Ronaldinho, Bernard e Danilinho, e sempre com a presença de um dos laterais, com Marcos Rocha se fazendo mais presente.

O pivô Jô, com o perdão da rima, cumpre um papel fundamental, nessa participação efetiva dos lados do campo, no esquema de jogo do Galo. Ele funciona como o ponto de referência e de equilíbrio. As jogadas do Atlético são sempre afuniladas em direção ao centroavante, que não significa, necessariamente, um fim da jogada. Jô é uma alternativa de continuidade, ele pára, gira, vê as possibilidades.

Isso só é possível graças a dupla de volantes, que tem Pierre num momento excepcional. A dupla de volantes do Galo joga um pouco adiantada. Apesar de ser uma estratégia preventiva , é um pouco perigosa. Todas as bolas roubadas pelo Figueirense no meio de campo do Galo foram perigosas.

O gol de empate do Figueirense saiu de uma jogada aérea em bola parada, mas que, para a surpresa geral não teve a participação do estreante Loco Abreu. Uma participação indireta, já que a simples presença do uruguaio na zaga atleticana promove uma mobilização grande do sistema defensivo mineiro, e muitas vezes esquece de outros jogadores. Em uma jogada muito bem ensaiada pela equipe de Argel, Anderson Conceição testou para o fundo das redes de Victor, que ainda não inspira muita confiança e é pouco acionado graças a uma pseudosegurança da defesa atleticana.

O primeiro tempo foi bem movimentado no Orlando Scarpelli, e se pôde ver um Atlético consciente e com maior posse de bola, porém a objetividade do time de Santa Catarina prevaleceu.

Os times voltaram com mudanças para o segundo tempo, Cuca sacou Danilinho que está totalmente improdutivo nesse time do Galo. Em seu lugar entrou Guilherme, que não jogava desde a final do Campeonato Mineiro, totalmente sem ritmo de jogo e perdido dentro do esquema do time, mas que reservava uma grande surpresa para torcida. Serginho também entrou, no lugar de Leandro Donizete, a intenção de Cuca era dar um pouco mais de qualidade no passe. A entrada de Serginho mudou a dinâmica do time, muito mais efetivo no ataque que Leandro Donizete, o volante, muitas vezes criticado pela torcida foi nome essencial no segundo tempo.

Mesmo assim, brilhou foi a estrela do técnico Argel que colocou Ronny, que numa falha de Leonardo Silva gerou o escanteio que surgiria o 3º gol do Figueirense. Na bola parada a bola sobrou para o Ronny que chutou e contou com a generosa ajuda do goleiro Victor, que até então não mostrou a que veio.

E o jogo começou a pegar fogo, graças ao ímpeto do Figueira movido por sua torcida. O jogo ficou movimentadíssimo, já que a equipe catarinense passou a atacar mais, principalmente depois da entrada de Aloísio no lugar do cansado Abreu, substituição esta que deu mais velocidade à equipe catarinense. A saída de Loco Abreu também teve seu ponto negativo para o Figueirense, que sem o ponto de referência na área ficou perdido, e viu a defesa do Galo avançar, diminuindo os espaços.

Ironicamente, o terceiro gol do Figueirense fez bem ao Galo, já que o time catarinense não perdeu o freio, dando espaço aos contra ataques do alvinegro mineiro. Uma falta que surgiu de um lance veloz do Atlético, Ronaldinho com toda sua primazia na bola parada colocou a bola na cabeça de Leonardo Silva, que diminuiu o marcador.


Em outra jogada de contra ataque muito rápida, o Galo chegou ao empate em uma jogada com participação dos que vem sendo os três jogadores mais importantes da equipe: Jô, Marcos Rocha e Bernard. Com um lançamento perfeito para Jô, que inverteu de posição com Bernard, este cruzou para o jovem craque que cabeceou com propriedade de centroavante.

E que engraçado é o futebol! Guilherme não tinha se encontrado em campo, mas com apenas um chute, em uma tabela com Serginho, virou o jogo de maneira heróica e colocou o Galo de novo na liderança.

É cedo pra falar, mas o Atlético tem pinta de campeão. Fato é que se o time mineiro não brigar pelo título certamente ficará nas cabeças até o fim do campeonato. A equipe tem um esquema tático muito bem definido e entra em campo certa de seus objetivos, com cada jogador cumprindo bem sua função, salvo algumas falhas individuais. O Galo tem o que é essencial para um time ter sucesso em um campeonato com a fórmula de pontos corridos: opção. Cuca tem muitas opções no banco e pode mudar tudo com uma ou duas substituições. Sem contar a confiança, a raça e entrega dos jogadores.

O mineiro costuma ser cauteloso, mas o atleticano nunca esteve tão esperançoso. O próximo passo do Galo é contra o Internacional, na quarta no Independência, e será um grande desafio devido a ausência de Jô e a situação de André com o Dinamo de Kiev, que não pode ser escalado devido a pendências contratuais. Sem dúvida nenhuma a massa atleticana estará presente lotando o alçapão do Horto para empurrar a equipe atleticana a permanecer na posição mais nobre do campeonato.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

E ressurge o alviverde imponente...


Por Maurício Paulucci


O Palmeiras não tem exatamente um time excelente, mas, depois de esperar na fila por 12 anos, foi campeão incontestável da Copa do Brasil nesta noite. Depois de muito tempo amargando as disputas internas de poder, o Porco pode enfim comemorar um feito dentro das quatro linhas.

Segurança foi uma palavra que acompanhou a trajetória do alviverde paulista nessa competição. Segurança esta que foi construída no jogo de ida da final, na Arena Barueri, contra o Coritiba. No segundo jogo, a tranquilidade foi ameaçada com um gol de falta de Ayrton, aos 16 minutos do segundo tempo, e se anunciava uma blitz do Coxa Branca, que fazia qualquer palmeirense sentir um frio na barriga. No entanto, não demorou muito para a maior arma – que não é mais nem um pouco secreta – mostrar sua eficácia. Em uma falta, como não podia ser diferente, Marcos Assunção faz um cruzamento, e com uma casquinha de Betinho, a bola morreu no fundo das redes de Vanderlei junto com as esperanças de qualquer torcedor do Coritiba.

O Palmeiras é um campeão invicto que mostrou força em um conjunto comandado por um treinador experiente que conseguiu dividir a glória entre protagonistas e coadjuvantes. No entanto, é importante dizer que essa mediação feita por Felipão só pôde ser viabilizada graças à chegada de César Sampaio, que amenizou os conflitos internos no clube, principalmente, entre o treinador e direção e entre o treinador e o elenco.

Luiz Felipe Scolari, que já afirmou que deixa o clube no fim do ano, deu ao Palmeiras uma segurança e maturidade ao sistema defensivo do time muito grande, teve personalidade para sacar Deola e lançar o goleiro Bruno em um momento difícil, teve peito para adiantar Henrique para volante, tirando a vaga de Marcio Araújo, e deu outra dinâmica ao meio campo do Palmeiras.

A campanha vitoriosa do Porco começou com um gol de Barcos, nome que seria entoado pela torcida durante toda competição, por ter sido um dos principais jogadores da equipe. Existe uma máxima no futebol que afirma que um time campeão se faz de um elenco completo, com peças de reposição para eventuais imprevistos. A princípio, o Palmeiras não tinha isso, mas parece ser uma característica de Felipão transformar um time desacreditado em uma família em que cada jogador é ciente de suas funções.

O campeão da Copa do Brasil passou por vários adversários, mas, de fato, a maior dificuldade superada nessa campanha não estava nos outros clubes, mas internamente. A lesão de Wesley, o sequestro e a instabilidade de Valdívia, a cirurgia súbita de Barcos no final do campeonato e a desconfiança da torcida e da imprensa foram fatores que engrandecem ainda mais essa conquista.

É importante valorizar cada peça que ajudou a levar o Palmeiras a esse titulo: nas primeiras fases, Juninho e Maikon Leite tiveram participação essencial; Thiago Heleno, Mauricio Ramos e Henrique demonstraram que, com consciência tática, é possível fazer uma defesa segura; João Vitor, que por muitas vezes não recebeu o destaque que merecia, sustentava a subida dos volantes palmeirenses em diversos momentos; Valdívia, desde que adotou o visual “bigodón”, nas seminais contra o Paraná, voltou a ter papel fundamental na equipe. Tudo isso sem falar em Barcos, que foi decisivo em varias ocasiões nessa campanha. O Palmeiras foi capaz de revelar também nessa Copa do Brasil dois talentos que surgiram em situações inesperadas: Mazinho e Betinho.


O clichê no futebol é uma coisa que irrita muitos fãs deste esporte, mas é inegável dizer que Marcos Assunção é o principal jogador desse elenco, já que participou ativamente da maioria dos gols do Palmeiras na Copa do Brasil. É importante enxergar que o ambiente nos vestiários do Palmeiras melhorou tanto que depois de qualquer desconfiança, o técnico foi carregado nos braços dos jogadores.

E agora, o Palmeiras foi campeão invicto, mas será que esse titulo garante tranqüilidade para 2013, onde o clube disputará uma Libertadores da América? O clube passará por processo eleitoral no meio do ano, o que irá definir o futuro de Felipão. Caso o técnico permaneça, é provável a manutenção do bom clima interno, caso saia, todas as turbulências que sempre rondaram o alviverde Paulista podem voltar à tona.



quarta-feira, 20 de junho de 2012

Regulamento com cheiro de suor corinthiano


Por Maurício Paulucci


Corinthians aliou a vantagem que tinha a muita marcação e raça para garantir a vaga história para final


O sonho alvinegro paulista continua. Com um estilo pragmático de jogo, muita marcação e apostando nas bolas paradas, o Timão chega pela primeira vez na historia à final da Taça Libertadores da América e está cada vez mais maduro para erguer o caneco. E uma má notícia para a nação anticorinthiana no Brasil, o Timão tá com cara de campeão.


O quanto pode ser significativa uma vantagem construída no jogo de ida? Para o Corinthians só serviu para complicar a chegada do time à final. O Alvinegro da capital paulista entrou com regulamento debaixo do braço e tomou um susto no primeiro tempo, mas com muita marcação e um pouco de sorte conseguiu alcançar e segurar o empate.



O Santos precisava vencer, e isso já se refletiu na escalação da equipe de Muricy. A entrada de Borges, no lugar de Elano, deixou Alan Kardec e Neymar com mais liberdade, e colocou o Ganso mais recuado. O Santos jogou no 4-2-3-1, com Neymar flutuando entre a ponta esquerda e o meio. Arouca cumpriu um papel tático muito importante na armação das jogadas, com PH Ganso jogando mais fixo só jogando no ‘toco e me voy’, o volante foi um bom elemento surpresa vindo de trás. O fato de Henrique jogar quase como um terceiro zagueiro no lado direito do campo, deu muita liberdade ao Juan que pode chegar ao ataque diversas vezes, mas sem muito sucesso.


O primeiro tempo do Corinthians foi covarde, a estratégia de Tite era se defender e apostar nos contra ataques, mas o time, por incrível que parece sentiu falta da displicência defensiva do “Sheik” Émerson, que por mais que fosse negligente na marcação era uma referência ofensiva. William e Jorge Henrique atuavam de pontas quando a equipe atacava, mas quando o Timão se defendia, recuavam quase que como laterais. Os mais atentos viram em diversas oportunidades o Corinthians jogando com uma linha de cinco na defesa.



O Santos fez o papel dele, dominou a partida no meio de campo com Ganso articulando todas as jogadas e Neymar com um gás incrível. Parece que em resposta às criticas que indicavam que as convocações e sua agenda publicitária estavam desgastando o jovem craque. Em uma jogada que começou com uma arrancada, o camisa 11 lançou Kardec na ponta direita, que cruzou para Borges que acertou a trave. Com uma onipresença incrível, Neymar pegou o rebote e abriu o marcador.


No intervalo, o técnico Tite percebeu que chamar o Santos para sair nos contra ataques não era a melhor estratégia, então ele desfez a formação inicial, sacou William e colocou Liédson. Aí entra a estrela do técnico, já que o Timão chegou ao gol de empate, aos dois minutos, numa falta batida por Alex, e depois de uma falha grotesca, que já virou rotina nas bolas aéreas na defesa do Santos, Danilo só completou para as redes. A reação do Corinthians se deu muito mais pela mudança de postura do que pela alteração feita pelo treinador. Não tirando o mérito do Tite, que provavelmente, mexeu com os brios dos jogadores nos vestiários.


No meio do segundo tempo um episódio que tem se tornado comum no futebol brasileiro. Pela ponta direita do ataque do Corinthians um arremesso lateral quase tomou proporções maiores. Um gandula demorou para repor a bola para o Santos e Adriano perdeu a cabeça e agrediu o rapaz. Até quando o Brasil vai manter esses elementos de varzeamento do futebol? O futebol brasileiro tem que evoluir não apenas economicamente, mas também em aspectos relacionados à organização das partidas de futebol feitas no país.


Depois do gol, o Corinthians adiantou sua marcação,dessa forma conseguiu anular a formação das jogadas do Santos, que eram com o Ganso. Com essa possibilidade reduzida, o Santos teve dificuldade para levar a bola até seu ataque, e Borges passou a ficar muito isolado. É em um jogo como esse que eu passo a admirar o treinador Tite que com suas mudanças táticas conseguiu mudar a cara do jogo, percebendo o erro da primeira etapa. Quando não saia da ponta esquerda para fugir da marcação Neymar esbarrava nos desarmes impecáveis de Alessandro.
O empate levava o Timão a uma final inédita do torneio mais importante da América Latina. Muricy tentou mudar o panorama trocando Juan por Léo, substituição que deu certo nas quartas de final contra o Vélez. Além disso, a troca de Elano por Adriano dava uma boa perspectiva nos remates de longe, lançamento e bolas paradas. O treinador do alvinegro praiano colocou Dimba no lugar de Borges, que é mais seis por meia dúzia, apesar de achar o Borges mais decisivo.


Mesmo sabendo dos riscos o Corinthians voltou a recuar e chamar o Santos para seu campo. Involuntariamente o Timão colocou o regulamento debaixo do braço de novo, apostando novamente nos contra ataques.


Depois de um show a parte do bandeirinha Altemir Hausmann, que marcou várias faltas na partida, fez um semicírculo no melhor estilo compasso e parecia querer aparecer mais que o cabelo do Neymar, o arbitro Vuaden encerrou a partida com um tom épico. E agora é esperar o resultado da outra semifinal, e provavelmente teremos um Brasil e Argentina na final.