domingo, 10 de junho de 2012

Não foi de encher os olhos


por Gustavo Aleixo


   
Lançamentos e alguns passes decisivos. Foi assim a partida de estréia de Ronaldinho Gaúcho pelo Atlético.
  
Concordo que foi uma atuação razoável do novo meia atleticano, que em alguns momentos apresentou aquele mesmo futebol burocrático da época do Flamengo, principalmente no fraco primeiro tempo disputado entre Palmeiras e Atlético. Parecia ser de fato um estréia abaixo da média para um jogo até então, abaixo da média.
  
A história se alterou no segundo tempo, não em razão de uma exibição espetacular de Ronaldinho, mas sim, de uma atuação extremamente segura da equipe atleticana. Diferentemente dos seus tempos de R10 no Flamengo, o agora R49, foi apenas uma das peças que levaram o Atlético à vitória e à liderança provisória do Brasileirão.
  
Tudo isso se deve ao técnico Cuca que preferiu manter o mesmo painel tático de partidas anteriores, mantendo Bernard e Danilinho como pontas e colocando Ronaldinho para atuar na faixa central do meio campo. E foi nesse ponto que o dentuço se mostrou importante para a equipe mineira. Sempre acossado por um marcador, Ronaldinho gerava espaços para outros jogadores alvinegros levarem perigo à meta palmeirense. Dentre eles, o garoto Bernard foi o que mais aproveitou o espaço que lhe foi dado.  Atuando na posição que muitos previam ser a de R49, o jovem jogador mais uma vez legitimou o seu crescimento técnico com belos dribles e por fim com o cruzamento que encontrou Jô, que de cabeça decretou a vitória por 1 a 0 da equipe atleticana.
  
Nesse time acertadinho do Atlético, Ronaldinho acabou ocupando um espaço que permanecia vazio dentro do meio campo alvinegro. Jogando entre os volantes e os atacantes, R49 gerou novas possibilidades de jogadas numa equipe que antes apenas criava pelos lados do campo. Apesar de uma atuação que não foi de encher os olhos, o meia contribuiu e muito para que sua equipe se tornasse mais compacta e por isso, o Palmeiras praticamente não ofereceu perigo, mesmo jogando em casa.

Com o placar a favor da equipe alvinegra, o ex-melhor do mundo ainda arriscou bons lançamentos, sempre feitos a partir da zona central do campo e liderou a equipe para manter o resultado, que poderia ter sido mais dilatado se não fossem os dois gols atleticanos mal anulados pelo trio de arbitragem. Erros que quase custaram caro ao Atlético, que ao final de jogo levou duas bolas na trave, após duas belas cobranças de falta de Marcos Assunção.
  
Após o fim do jogo, o que se constata é que R49 parece viver em um ambiente mais favorável para voltar aos seus bons momentos. Saindo de um time em constante crise como era no Flamengo, Ronaldinho chega num clube que assim como o meia, anseia por reconstrução. Dentro de um perfil de evolução, o Atlético está criando uma equipe que vem crescendo de produção e que não necessita exclusivamente do craque gaúcho para vencer suas partidas.
  
Quem sabe essa menor responsabilidade de conduzir sua equipe às vitórias, seja o que faltava para que Ronaldinho tivesse a tranquilidade necessária para que ele recupere seu futebol de outrora. Logicamente, oportunidades não faltarão para que o mais novo jogador alvinegro comprove que ele pode apresentar muito mais do que a exibição mediana que ele teve no jogo deste sábado. Assim esperamos.


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