sexta-feira, 6 de julho de 2012

Entre temores e acertos: O Brasil novamente atrás do Ouro Olímpico



por Roberto Rodrigues



Mais uma vez em busca da tão sonhada medalha de ouro nos Jogos Olímpicos, o Brasil já tem definidos os 18 jogadores que integrarão a Seleção em Londres. Na última quinta-feira, Mano Menezes divulgou a lista dos convocados com uma única surpresa: O atacante Hulk, que ficou com a vaga que, pretensamente, seria de David Luiz. A convocação gerou algumas repercussões positivas, mas, para parte da mídia, dos torcedores e até para o deputado e “corneteiro” Romário, a lista foi uma “m...”.
Entre os jogadores escolhidos para preencher a cota dos “sobre-23”, Romário considerou apenas a escolha por Thiago Silva acertada.O “baixo” queria a convocação de Daniel Alves e David Luiz para compor uma defesa mais sólida, experiente e que impusesse mais respeito sobre os adversários. “Temos vários outros jogadores acima de 23 anos. Tinha que levar um jogador que imponha mais respeito” – afirmou.
Sem dúvidas, a escolha por Marcelo gera temor. Apesar de ser um excelente jogador, sem questionamentos o melhor da posição no Brasil e um dos melhores do mundo, ao nível de estrelas como Evra e Ashley Cole, Marcelo já provou, por diversas vezes, deficiências que podem levar o Brasil à ruína na competição.
Em partidas contra o Barcelona, por exemplo, o setor de Marcelo foi freqüentemente buscado pelos blaugranas em suas investidas ao ataque e foi talvez a principal fonte de jogadas de perigo e gols barcelonistas na era de freguesia que se estendeu por um bom tempo no futebol europeu. Obviamente, Marcelo não é responsável exclusivo por tais fatos. O sistema defensivo madridista e o poderio ofensivo do Barcelona são muito mais “culpados” pela freguesia, o que não oculta as dificuldades defensivas que o jogador enfrenta há tempos, ainda que tenha melhorado bastante na última temporada. Na Seleção, que pela convocação jogará em um esquema ofensivo com dois volantes que marcam bem, mas não se limitam a jogar defensivamente (Rômulo e Sandro), Marcelo terá suas costas cobertas por um bom, mas inexperiente, Juan, o que causa certa apreensão.
Mais uma deficiência, a maior e mais preocupante em se tratando do lateral, é o chamado “excesso de vontade”. Tal excesso é o mesmo que fez Felipe Melo arrepiar os cabelos da torcida brasileira ao ser expulso na eliminação da Canarinho na Copa de 2010 e o mesmo que já fez o jogador levar cartões desnecessários que prejudicam sua equipe. Contra o já citado Barcelona, na última decisão de Supercopa Espanhola, Marcelo criou uma confusão generalizada por não ter os nervos no lugar, acabou expulso de campo e seu time saiu derrotado. Novamente em razão de sua falta de escrúpulos, Marcelo também foi mandado para fora contra a Argentina, no último amistoso da Seleção, após perder as estribeiras e desferir um soco em Ezequiel Lavezzi.
Apesar de todas as deficiências defensivas e mentais, Marcelo é, disparadamente, a melhor opção para a convocação. Não há, nem entre os menores nem entre os maiores de 23 anos, lateral-esquerdo que se aproxime do patamar do cabeludo. Alex Sandro, o reserva imediato na Seleção Olímpica (e que seria o titular no caso da não-convocação de Marcelo), teve lampejos no Santos, mas no FC Porto ainda não mostrou suas qualidades, tornando imperativa a convocação de uma opção mais confiável. Já na outra lateral, a reclamada ausência de Daniel Alves é simplesmente justificável. Uma temporada mediana no Barça, somadas às boas opções sub-23 para a posição, Rafael e Danilo, tornaram a escolha de Mano a mais correta.

Quanto à convocação de Hulk, outra escolha contestada na lista de Mano, me parece tão acertada quanto a de Marcelo. Quando escalado para jogar de atacante fixo, Hulk não rende, o que ficou provado em suas primeiras atuações com a camisa do Brasil. Tais fracos rendimentos em seu início podem ter gerado resistência nas mentes de quem o viu e fechado os olhos para suas qualidades.

Escalado para jogar no lado direito da linha de três no 4-2-3-1 de Mano, Hulk rendeu, e muito bem, nos amistosos da Seleção nos Estados Unidos. É dessa forma que “O Incrível” joga no FC Porto, onde é atualmente a grande estrela, e onde desempenha papel tão destacado que desperta o interesse do Chelsea, atuais campeões europeus, onde o jogador poderá formar uma linha de três incrível com Eden Hazard e Juan Mata. É pelo lado direito que Hulk, canhoto, consegue melhor utilizar sua força física para abrir espaços entre os setores de meio-campo e defesa adversários e arriscar seus potentes chutes de média distância, tabelar e receber já dentro da grande área ou até mesmo servir seus companheiros. Nos recentes amistosos, Hulk mostrou um entendimento admirável com o meia Oscar, que merece ser o armador titular da equipe no lugar de Ganso, que há muito não demonstra o futebol que encantou em 2010 e no começo de 2011, e que se preocupa mais com sua saúde financeira do que com seu bom desempenho em campo.

Apesar da baixa média de idade, a Seleção Olímpica certamente cederá um grande número de jogadores ao grupo brasileiro para a Copa de 2014. Nomes como o goleiro Rafael Cabral, o volante Sandro, o astro Neymar e os atacantes Leandro Damião e Pato além de, é claro, os três atletas acima dos 23 anos, já são figuras carimbadas no time principal, e têm grandes chances de estarem na convocação final para o Mundial. Apesar da falta de entusiasmo com a Seleção, o elenco atual se aproxima muito mais de históricos bons times que vestiram a Amarelinha do que, por exemplo, a equipe de Dunga em 2010. O time atual apresenta jogadores técnicos em todas as posições, que tocam bem a bola e se movimentam com eficácia. Além disso, Mano Menezes é um treinador que possui uma parte tática muito apurada, e, pelo menos no time olímpico, fez escolhas corretas para se encaixar ao esquema "da moda", o 4-2-3-1.

Por mais que existam vagas para alguns bons jogadores que não estão nesta lista, como os laterais Maicon e Daniel Alves, o zagueiro David Luiz, os meias Ramires e Hernanes, e quem sabe, Kaká, além de possíveis novos jogadores que alcancem o nível de Seleção Brasileira em dois anos, a base para 2014 está montada, e é um bom time. Resta saber se a incógnita Alexandre Pato deixará de se lesionar e retornará à boa forma para assumir com autoridade a camisa 9 e se Neymar aguentará carregar a responsabilidade de, tão jovem, ser o protagonista de duas campanhas importantíssimas para o Brasil. As chances são boas.





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