domingo, 15 de julho de 2012

Ladeira abaixo

Por Pedro Lucas Amim


Com atuação pífia na tarde de hoje o Cruzeiro decepcionou sua torcida mais uma vez dentro de casa e terminou o jogo sem pontuar pela terceira vez seguida no Campeonato Brasileiro. A derrota por 3x1 para o Grêmio instala um clima instável na equipe celeste e pressiona o treinador Celso Roth, que terá que se desdobrar para conseguir um bom resultado na próxima rodada em jogo contra a Portuguesa fora de casa.
Mesmo com a estreia do atacante Borges o time celeste não soube aproveitar o mando de campo e não impôs seu ritmo no jogo . Com dois laterais frágeis na marcação o Cruzeiro não conseguiu frear o ímpeto gremista nos contra ataques. O time tricolor, por sinal, entrou na partida com essa proposta de explorar os contra golpes, que seriam construídos a partir da velocidade de seus dois laterais, Tony e Pará, e da boa saída de bola do meio campo que contava com o ex-santista e estreante Elano além de Zé Roberto, Souza e Fernando.


Nos primeiros minutos do jogo o que pode ser observado foi um Cruzeiro tentando furar o bom posicionamento e a forte marcação do time do Grêmio. O time estrelado até conseguiu chegar com certo perigo ao gol de Marcelo Grohe com boa cabeçada do estreante Borges mas nada além disso. Com o jogo extremamente truncado a equipe de Luxemburgo soube dar o bote no momento certo, e na primeira oportunidade de gol o ex-cruzeirense Marcelo Moreno testou a bola vinda de um cruzamento feito por Elano para o fundo das redes aos 25 minutos. Para piorar a situação de Celso Roth, logo em seguida, em mais uma jogada pelo lado esquerdo da defesa do Cruzeiro, o Grêmio fez o segundo em novo apagão da zaga cruzeirense. Kleber também ex-cruzeiro colocou pra dentro e decretou o 2x0 aos 28 minutos da etapa inicial. A partir daí ficou claro que o 4-3-1-2 de Roth não funcionava e que as laterais cruzeirenses eram nulas ofensivamente e principalmente defensivamente. 


Everton, muito vaiado pelo torcedor, fazia uma péssima apresentação, porém devemos pontuar que a lateral esquerda não é sua posição de origem. Será que não é a vez de Roth testar Gilson na equipe? Montillo também não estava em tarde inspirada por jogar bastante isolado e sobrecarregado e muito em função disso os atacantes não conseguiram demonstrar bom futebol. 



Na volta pra etapa final o Cruzeiro, mesmo com um jogador a mais devido a expulsão de Werley aos 44 do primeiro tempo, não teve tranquilidade e qualidade para controlar a partida. Souza substituiu Everton e o volante Marcelo Oliveira passou a cair pela esquerda. Com poucos minutos de segundo tempo Roth demonstrou sua insatisfação com os laterais e sacou Diego Renan para a entrada do atacante Fabinho. 


As mudanças não surtiram efeito e o time gremista comandado por Luxemburgo, que colocou Vilson no lugar de Kleber para recompor sua defesa, soube tocar bem a bola e segurar o ímpeto cruzeirense que atacava de forma desordenada. Com apenas Marcelo Moreno adiantado o Grêmio parecia esperar uma chance de contra ataque para definir a partida e foi exatamente isso que aconteceu. Em grande lance do volante Souza pela esquerda, Moreno recebeu dentro da área e teve a tranquilidade e a categoria para colocar o tricolor tranquilo no jogo, 3x0 e vitória consolidada aos 20 da etapa final. Depois desse balde de água fria, o Cruzeiro passou a jogar totalmente desfigurado e sem uma disposição tática bem definida. E a partir de um escanteio na direita conseguiu pênalti no final da partida cobrado e convertido por Wellington Paulista. O gol de nada adiantou e o time deixou o campo sob fortes vaias dos poucos torcedores que esperaram o apito final para deixar o estádio.


Essa sequência de derrotas do Cruzeiro serve para mostrar para Celso Roth e para torcida que o time celeste é sim muito limitado. Acredito que a preocupação com a defesa deve ser redobrada e que os laterais sejam melhores escolhidos pelo treinador. Diego Renan não vem se apresentando bem há muito tempo e Everton é volante de origem. O campeonato é longo e o time ainda pode se recuperar, mas se a reação não começar contra a Lusa no Canindé na próxima quarta feira, o torcedor cruzeirense terá de se contentar em comemorar permanência na Primeira Divisão assim como fez em 2011.

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